"Transformar a informação em compreensão"
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O Data with Purpose Summit está de regresso. A edição deste ano de 2026 centra-se no papel dos dados e também da inteligência artificial na construção do futuro. Eu sou o João Costa e Silva, estou no Centro de Congressos do Tagus Park, em Oeiras. Estou agora com uma das oradoras desta edição, a Ana Miguel dos Santos, Head of Defence, Security and Justice na Deloitte. Muito obrigado por estar aqui conosco. Esteve há bocadinho numa flash talk e queria lhe perguntar do que é que teve a oportunidade de falar com o auditório cheio, imagino eu. Como é que foi essa experiência?
Olá, João, bom dia também aos telespectadores. Bem, é sempre um enorme desafio falar para uma plateia de ilustres convidados e participantes e portanto, há aqui um dia muito intenso de trabalho com gente muito válida.
Networking também, não é?
Networking, sim, a falar sobre estas matérias que não são só um desafio para Portugal, são um desafio para o mundo neste momento, porque essa era a principal mensagem, ou foi a principal mensagem que eu procurei também aqui transmitir, que é exatamente perceber onde é que hoje reside o grande poder, porque nós estamos na era da informação, fala-se muito de dados, informação, inteligência social e aceleração tecnológica. Sem dúvida, estão aí, vieram para ficar, portanto não há volta a dar. Agora a questão é como lidar com isso, sobretudo do ponto de vista dos governos, das autarquias, dos institutos públicos, das instituições públicas.
Qual é o grande desafio para os próximos anos?
Eu acho que o grande desafio é a integração disto tudo. Nós temos ainda um mindset e uma organização muito fechada em silos. Estamos muito ensimesmados a decidir e temos que comunicar mais, temos que integrar sistemas, temos que integrar e transformar. Para além de integrar, transformar a informação em compreensão, em cognição, em informação capaz de se transformar numa decisão que depois seja executada, sem nunca esquecer, naturalmente, a ligação aos cidadãos.
Tudo com muita ponderação também, não é?
Também, sem dúvida, e respeito à legitimidade e à legalidade democrática. Nós somos democracias e, portanto, isto é um enorme desafio, que é esta capacidade de ligares isto tudo. Como é que vais ligar isto tudo? Como é que tu trabalhas os dados, a informação, como é que tu trabalhas a tecnologia, sem nunca esquecer aquilo que te deve mover, que é o cidadão, é o ser humano, que é o início e o fim de tudo. E portanto, é esta a principal mensagem que eu deixei. É um enorme desafio não só para Portugal como para a Europa, em termos de autonomia estratégica, naturalmente. A soberania hoje não passa, e esse também é outro dos desafios.
Grande instabilidade na Europa.
Muita instabilidade. E cada vez mais tu olhas, tu queres Estados executantes, executores, que estejam ao lado, que façam, que transformem verdadeiramente a vida das pessoas e acompanhem e ajudem as pessoas a acompanhar esta aceleração tecnológica. E, portanto, também há aqui outra ideia que eu queria deixar, João, se me permite, é o facto de nós termos mais informação, não significa que se esteja a decidir melhor. E este é um desafio que nos deve chamar a atenção a todos, porque aquilo que existe muito hoje também é muito ruído. E é importante que nós consigamos manter o nosso espírito crítico, a nossa cognição, o nosso olhar crítico sobre a informação que vamos consumindo. E também termos seletividade. Isso também é muito importante.
Ana Miguel dos Santos, muito obrigado por ter estado aqui conosco.
Obrigada, João.
Obrigado por estar também neste evento, o Data with Purpose Summit, que continua aqui, a Rádio Observador vai continuar por aqui, em Oeiras, no Tagus Park. Fala-se sobre a inteligência artificial, o futuro dos dados, mas acima de tudo, também sobre pessoas, as comunidades e também as sociedades que queremos ajudar a construir no futuro.










