Somos 11 milhões, um novo recorde. E agora?
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Começa agora a reunião do Geração V, o teu programa de comentário político jovem da Rádio Observador, feito em parceria com o Ovoto. Eu sou o Vasco Galhardo e hoje tenho comigo de volta o trio maravilha, Joana Zaguri, Zé Paulo Soares e Maria Vilarê. A nossa Joana está à distância, mas não quis perder o programa de hoje. Olá, meus caros, como estão?
Olá, muito simpática como sempre.
Olá.
Desconfortáveis, que hoje temos que usar os headphones porque a Joana não está aqui conosco.
Mas mesmo assim estão felizes com a goleada da nossa seleção?
Felizes sempre.
Maria, mais ou menos?
Eu vou me remeter ao silêncio.
Ó Maria, o que tu tens contra o Ronaldo?
Nada, não tenho nada contra o Ronaldo.
Ó Maria.
Tenho contra outros que lá jogam.
Ai, é quem?
João Félix.
João Félix? Por ser do Benfica?
Porque não joga nada e não devia lá estar.
Mas pronto, isso é pra outros programas.
Isto não são estrangeiros, portanto ela não tem nada contra.
Deixem jogar o Trincão.
Já está a picar.
Já está a começar a picar.
Já está a picar.
Na seleção nacional também se fossem estrangeiros não jogavam, não é, Joana? Normalmente é assim.
Eu sei, mas daí eu disse: não são estrangeiros.
Vamos avançar. O PSD reuniu-se em peso no fim de semana passado, no seu 42º congresso em Anadia, que nos deu bastante conteúdo pra comentar. Nos últimos dias soubemos também que o INE atualizou o número de residentes em Portugal para os 11,4 milhões de pessoas, graças à combinação de mais de 1 milhão e meio de pessoas estrangeiras. Dizemos oficialmente adeus aos 10 milhões, como estávamos habituados. Quem também disse adeus esta semana foi Keir Starmer, primeiro-ministro britânico, que se demitiu do cargo depois de uma vitória esmagadora há dois anos. Zé Paulo, começo por ti, pelo Congresso do PSD, e vamos seguir a tradição do Observador: quem foram os vencedores e os vencidos, na tua opinião?
Pois, isso é pra o vencedor é. Eu diria que claramente os vencedores são os três promovidos a vice-presidentes: Sebastião Bugalho, Carlos Moedas e Pedro Duarte, foram claramente os vencedores do congresso.
Ai, desculpem, eu engasguei-me.
Isto de estar online dá este tipo de coisas, pode acontecer.
Surpreendido com estas nomeações?
Não tenho que estar surpreendido ou não. Não conheço as listes do PSD a esse pormenor. O que eu gostava mais de olhar na questão do PSD, e não tendo estado cá semana passada pra falar sobre a lei laboral também, é que acaba por ser uma justificação pra olhar pra o que tem sido o governo ao longo deste último ano depois das eleições, e qual é que é o futuro que o governo pode ter à frente. Não falando da canalhice do Chega a semana passada e do punho cerrado aos camaradas e ao Tiago Oliveira. Naturalmente, são os portugueses que pagam pelo imobilismo e quando falarmos sobre os números da imigração, se calhar podemos falar melhor sobre isso. Mas a verdade é que o PS quer se pôr de fora, e isso é evidente mesmo para o Orçamento de Estado, e o Chega, como se tornou mais do que evidente, não é fiável. É evidente também que o governo tem culpas no cartório, porque teve nove meses a negociar e não acautelou aquilo que era evidente pra todos, e depois confiou e foi meter-se na boca do lobo e confiou no Chega que ia aprovar. E na realidade, nunca soube, nem nunca quis verdadeiramente explicar aos portugueses o porquê da importância da legislação laboral, que aqui defendi várias vezes, mas o governo nunca conseguiu explicar verdadeiramente às pessoas porque ela era importante pras suas vidas. E deixou a oposição e o comentariado marcar o debate e marcar a agenda midiática. Se havia coisa que o governo, na sua primeira vida, conseguiu diferenciar-se era a capacidade de marcar o ritmo semanal de notícias. E a verdade é que desde a Spin&Viva, parece que a relação com a comunicação social nunca foi a mesma e não conseguiu fazer isso mais, e vai ao reboque daquilo que a comunicação social e a oposição vai dizendo. As sondagens hoje não são boas. Acho que devem ser diminuídas na sua importância. A amostragem é parca. Não estamos num momento eleitoral. E a verdade é que este será um momento com menos popularidade do governo por causa da reforma laboral. E apenas dois primeiros-ministros em Portugal perderam alguma vez eleições no cargo, e foi em momentos extraordinários, no caso Santana Lopes e Sócrates. Mas pra dar a palavra, depois se puder voltar, tenho mais algumas coisas pra dizer, só pra acabar, de que a verdade é que José Luís Carneiro sabe que não passa a liderança do PS de 2028, e portanto tem que ir a eleições antes disso, porque sabe que vai ter oposição no próximo Congresso do PS.
Tens uma oposição que o PS… A pergunta era sobre o Congresso do PSD.
Mas a verdade é que isto influencia o PSD. Ou seja, se o próprio José Luís Carneiro sabe que tem que ir a eleições no espaço de ano e meio, naturalmente influencia o PSD que está no governo. E André Ventura sabe que se chegasse a 29 sem ir a eleições, a verdade é que são 10 anos à frente do Chega. E naturalmente que vai começar a sentir-se em algum momento um cansaço da imagem. E André Ventura não quer ser Marine Le Pen, que quando está a aproximar-se o momento, viu sair-se-lhe pelas mãos com uma personalidade jovem e mais popular que ela, no caso Bardella. E, portanto, também tem que forçar mais cedo ou mais tarde a ultrapassagem. Portanto, o PSD está num impasse importante e se calhar começar a falar de uma remodelação, como falou esta semana o Miguel Pinheiro no Observador, no artigo que escreveu citando Cavaco Silva, pode ser importante. Novas caras, um novo ímpeto. É importante o PSD neste momento e o governo estava a precisar disso.
Muito bem, Maria, depois do chumbo do pacote laboral, este congresso vai trazer algum ânimo ao PSD ou nem por isso?
Eu constato com alguma preocupação a defesa acérrima que o Zé fez do pacote laboral.
Já fiz mais de uma vez, isso não é novidade nenhuma.
Eu sei, e tu disseste que o governo não foi capaz de explicar muito bem porque essa reforma era precisa.
E não sei se quis.
Mas não quis, e eu também gostava que tu me explicasse, por exemplo, como é que o outsourcing acabar-se com o período dos 12 meses é benéfico, seja para quem for.
Para dar liberdade às pessoas, o dinheiro é das pessoas, as pessoas têm que ter a liberdade de agir e gerir as empresas, de gerir as suas empresas com o seu dinheiro.
Isso chama-se libertinagem, não é liberalismo.
É o livre mercado a funcionar como funciona nos outros países, e depois temos notícias como temos esta semana, que afinal o nosso PIB per capita é 77% do resto da Europa. Por que será?
Por acaso trouxemos a mesma notícia igualmente, que eu até tenho aqui, mas eu ia falar desta aqui.
É porque temos excesso de libertinagem no mercado de trabalho.
Eu gostava só de relembrar que vocês estavam a falar sobre o Partido Popular Democrático e o Social Democrata.
Perdão. Eu tive que fazer aqui, porque tu deste tantas ferroadas aqui pra esquerda, pra direita, pra todo lado, que eu tive que dizer alguma coisa. Mas eu achei interessante as medidas do Congresso do PSD.
Eu gostava de ir lá também.
E eu até vou ler, e nós podemos aqui divertir-nos os três.
Acho que vamos concordar.
Porque eu acho que elas são mesmo engraçadas.
Conta lá.
O Fundo Soberano Nacional.
O Fundo Soberano Nacional. Isto é irônico para efeitos de vídeo.
Pronto, mas nós não sabemos exatamente, só sabemos que vai congregar as participações já detidas pelo Estado e ainda outras com retorno financeiro.
Eu espero que não venhamos a saber.
Não sabemos o que é que isto é, mas é assim uma grande promessa. Depois temos o fundo pra catástrofes, pois Montenegro também gosta de anunciar coisas que já anunciou, porque vocês vão reparar que eu vou ler várias, que nós já ouvimos falar delas há algumas anos, mas parece que é uma coisa nova. O fundo pra catástrofes. “Não podemos continuar a correr atrás dos prejuízos”, reforçou o presidente do PSD. Depois, aparece aqui uma coisa que parece que pra mim não tem nada a ver: concessão a privados da linha de Cascais. É assim uma medida como se fosse uma coisa groundbreaking.
Maria, depois foi anunciada.
Não é groundbreaking, mas pode ser importante.
Não, eu não disse que não era importante. Acho que está aqui um bocadinho deslocada nas prioridades pro país.
Não é prioridade pro país, mas são coisas importantes que têm de acontecer às vezes.
Maria, não sei se tu viste, mas depois foi anunciada a subconcessão. Sim, a subconcessão, mas mais do que isso, a mítica, que eu acho que vai ser tão executada como ainda hoje estamos à espera da piscina dos Salesianos, não é, Vasco?
Pois, e depois continua.
Não, mas no ano que nós entramos íamos ter uma piscina.
A mítica, o quê?
E até hoje estamos à espera.
Não, mas tu querias falar da linha de Cascais.
Esta extensão da linha de Cascais até Oriente, salvo erro.
Mas isso é só pra 2034. Ainda faltam oito anos.
Não, desculpa.
Não, isso são tudo medidas que ninguém consegue saber quando é que vai ser.
Depois mete-se em empreitada.
Sim, mas isto aqui, o nosso primeiro-ministro, à sua natureza, não se compromete com nada. Ele só diz assim: “Concessão a privados da linha de Cascais”. Depois diz: “Reforma na Justiça Administrativa e Fiscal”. Mas o que ele andou a fazer lá nos últimos quase dois anos? Não era isso que ele dizia que ia fazer? Agora anuncia isto outra vez como se fosse uma novidade. Mudanças na avaliação da função pública. Reforma orgânica do Ministério da Saúde. Esta então eu acho deliciosa. Como é que nós andamos a falar da ministra da Saúde que tem sido, e estou a ser irônica, tão bem-sucedida no seu cargo, e Montenegro agora acha que é a altura de vir falar da reforma orgânica do Ministério da Saúde, que ele já devia ter levado a cabo há muito mais tempo.
Estamos a falar de dois anos como se fossem os oito anos do Costa. É que estamos a chegar ao ridículo.
Não estamos. Vamos lá ver.
O Costa teve oito anos.
Longe de mim de comparar este governo com o governo do António Costa. Tu às vezes parece que ainda não me conheces.
Não, eu não estou de acordo esse nível.
Eu posso dizer algumas coisas que tu não concordas, agora isso acho que nunca me vais ouvir dizer.
Também acho que não.
E depois continua com a-
Daqui a seis anos estamos aqui a falar sobre a estagnação do Montenegro.
A reforma do arrendamento.
Estás muito confiante, Joana.
Olha, que esta é outra que também herdou do António Costa, que agora diz que não percebe, porque lembras quando tu falaste disso, que o António Costa veio dizer que não percebia como é que a habitação não era acessível aos jovens portugueses. Bem, é por causa dele. Se ele ainda não sabe, nós dizemos-lhe. E depois falou do modelo de IA em português, a Amália. Já todos nós ouvimos falar disso há não sei quanto tempo. E terminou nesta nota fabulosa de festejar os 900 anos de Portugal. Portanto, são estas as nove medidas que o nosso primeiro-ministro-
Mas isso o Chega devia gostar.
Não, mas são estas as nove medidas que os novos anúncios de Montenegro no Congresso do PSD, que ele acha que são absolutamente essenciais pro país.
Eu espero que o governo governe, que não são anúncios no Congresso.
É, mas é que este governo gosta muito de fazer anúncios nos congressos, como se estivesse assim a dar palmadinhas nas costas. “Nós fizemos um trabalho muito bom, aqui estão mais nove medidas, que algumas delas são recicladas daquilo que nós já devíamos ter feito”. E depois, ouvimos Montenegro a fazer afirmações como fez que a economia de Portugal faz corar qualquer economia da Europa. E depois eu tenho aqui notícias como novos dados do INE mostram que Portugal-
Eu gostava de ir lá essa segunda parte, com mais tempo.
Podemos ir, mas eu vou mesmo concluir.
Eu tenho que passar pra Joana, sim.
Eu vou mesmo concluir. E que Portugal cai três lugares no ranking mundial da competitividade de acordo com o IMD. Portanto, eu não vejo onde é que está esta grande economia de Montenegro e não vejo qual é que é o objetivo deste governo.
Joana, acredito que tenhas seguido atentamente este congresso. Que notas tens para partilhar?
Tu a mim não me perguntas quem é o vencedor, mas o vencedor é claro. Para entenderes, o vencedor é o Luís Montenegro. Não havia mais ninguém.
Mas quer dizer, se é eleitorado, é primeiro-ministro.
Tens três minutos, Joana.
Pois, sou sempre a prejudicada, à esquerda.
Vá, para não perder tempo.
Estás a ser indecente. Dito isto, gosto que a Maria tenha trazido IA para o assunto, porque acho que nenhum deles aqui falou sobre aquela belíssima iniciativa no congresso do PSD de se poder tirar fotografias com os líderes notáveis. Repara, eu acho que tirar fotografias com líderes que já não estão entre nós e antigos, e fotografias antigas, por acaso acho que pode ser uma coisa interessante. Ter uma plataforma que não se sabe se é de open source ou não, com uma imagem muito realista do nosso primeiro-ministro, acho que é um espelho da forma como este governo lida com toda a temática da cibersegurança. O que aliás me remete para o grande investimento anunciado ontem na reunião do Conselho de Ministros, 3 milhões e 75 mil para cibersegurança. Ora, cibersegurança é provavelmente o maior tema não só desta década, mas das próximas. E nós continuamos a querer ficar atrás e daqui a 10 anos estarmos aqui a falar sobre como ficamos atrás em rankings de segurança. Mas quem sou eu para dizer isso? Porque o próprio partido que fala sobre este grande investimento em cibersegurança, permite que qualquer pessoa possa aceder à imagem do seu primeiro-ministro. Isto é absolutamente espetacular.
Joana, olha aí Carlos Moedas, Pedro Duarte e Sebastião Bugalho. É visto.
Tiro isso. Dizer precisamente que se estes são os três nomes do futuro do PSD, nós estamos mesmo tramados. Se o PSD mantiver no poder.
O vosso líder parlamentar é o Aurélio Silva. Se vocês estão esse nível, têm bastante moral para falar, Joana.
Acho que neste aspeto, sim, eu tive três minutos, cada um de vocês teve mais.
Peço perdão.
Acho que neste aspeto, sim, o PS tem que tirar uma grande mensagem deste congresso, que é: apertem os sapatos e comecemos a trabalhar, porque de facto a competição deixa muito a desejar. Portanto, pelo menos que o meu partido apresente como o futuro, ou pretensos futuros líderes do nosso país, pessoas que não sejam um rapaz de 30 anos que fala como se tivesse 60, e o presidente da câmara que corta refeições, porque eu acho que isso fala por si.
Muito bem, está feita a primeira parte do “Geração V”. Vamos agora para um curto intervalo e já voltamos para a segunda parte do nosso programa. Até já. Estamos de volta para a segunda parte do “Geração V”. O Zé Paulo tinha aqui uma nota ainda a dar sobre a primeira parte. Zé Paulo?
Sim, não queria deixar de responder à questão de fundo soberano, porque efetivamente não se sabe de onde aquilo veio, é uma ideia tão descabida. Nós estamos a tentar livrar-nos das participações que temos em mais empresas públicas, ainda vamos criar mais. Se as empresas são bem-sucedidas e são realmente estratégicas, então quer dizer que o mercado trata de as financiar. Não precisa de ir lá o Estado intervir, só ao nível desse ponto. Nós precisamos é de menos intervencionismo público. Só dar nota de que efetivamente estamos com-
Maria, é de mim ou o Zé Paulo está cada vez mais liberal?
Não, eu sempre fui liberal economicamente e não tenho problema nenhum quanto a isso. Aliás, tenho orgulho nisso. Acho que estamos efetivamente num impasse político.
Entre o social-liberalismo e a social-democracia, a conjugação tem muito que se lhe diga.
O PSD sempre foi casa, tal como o CDS e a direita portuguesa, de liberais e nunca tiveram partido próprio e nunca precisaram disso para existir em Portugal. Eu acho que o governo neste momento precisa de uma estratégia de vitimização e precisa de um momento para poder deitar a toalha ao chão. Não vejo que exista. Acho que temos que estar atentos ao Orçamento de Estado, temos que estar atentos àquilo que Segur irá fazer na medida em que ele prometeu que não dissolvia, mas as circunstâncias podem ser diferentes daquilo que eu contava. E só dar a nota de que acho que o PSD, e tenho receio disso, que o PSD tenha embandeirado em arco C demais. Achou que as últimas eleições eram a prova que das duas, uma, ou entrava num sistema tripartido, ou o partido que desapareceria era como o PS francês, seria o PS. E eu não estou certo que o PSD consiga ser o macronismo. Acho que foi talvez cedo demais. Não faz sentido esta ideia de que o PSD é um partido que está no centro. O PSD é um partido de centro-direita, como sempre foi, e faz até sentido um novo ímpeto, uma remodelação do governo. E lembrar que o PSD pode conseguir ainda reformas importantes, uma reforma fiscal que o país precisa.
Para isso o PSD tinha que perceber como é que funciona o sistema parlamentar, mas acho que ainda não chegámos aí.
Tem que procurar estratégias para conseguir passar as suas propostas e se não conseguir, em eleições provar aos portugueses que são os outros partidos que os estão a impedir de governar.
Muito bem, vamos avançar porque esta segunda-feira o Instituto Nacional de Estatística atualizou o número de residentes em Portugal para os 11,4 milhões, dos quais 1 milhão e meio são estrangeiros. Entre 2021 e 2025, a população residente aumentou em mais de 800 mil pessoas. Maria, Portugal aguenta com tanta gente?
Aquece, Maria, aquece.
Evidentemente que não. Nós já falámos aqui várias vezes da problemática que é um país nem sequer saber quantas pessoas é que passaram as suas fronteiras e quantas pessoas é que se encontram dentro das suas fronteiras. É verdadeiramente vergonhoso. Isto é o resultado, como eu já disse várias vezes, de uma política desastrosa e quase criminosa de António Costa, porque é preciso dizer as coisas como elas são.
E do ministro da Administração Interna.
E do ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, com a sua fantástica extinção do SEF. Se nós continuássemos a este ritmo
O valor é recorde. Os estrangeiros são agora 14% da população. Em 2021 eram 7%, o valor duplicou em menos de cinco anos. Se continuássemos a este ritmo, não sei onde é que íamos parar. Graças a Deus que deixamos de ter uma governação socialista. Não é graças a Deus, é graças aos portugueses.
Chamaria hoje ao PSD.
Não, eu acho que o PSD tem feito um trabalho nesse sentido. Não há como negar que o ministro Leitão Amaro tentou fazer disto uma bandeira e tem tido algumas provas dadas nessa matéria. Não acho que tenha feito o trabalho todo, não acho que tenha feito o trabalho da melhor forma, mas acho que está, evidentemente, no caminho certo, porque o caminho errado foi aquele que a governação socialista seguiu. É preciso dizer isto também, sempre que alguém falava da questão da imigração estar descontrolada, era imediatamente apelidado de racista, de uma pessoa que era de extrema-direita, e aos poucos, como já vimos, o PSD começou a perceber que isso não era assim. Mas ainda há aquele estigma de que quando se fala de imigração, uma pessoa que fale de imigração e que queira uma imigração controlada e legal, é automaticamente uma pessoa racista. E tornou-se isto uma questão de esquerda, direita, e uma questão racial, quando isso não tem nada a ver com a questão racial. Isto tem a ver com uma questão puramente matemática, que um país que tinha dantes cerca de 10 milhões de habitantes, não pode ter uma população de 1,6 milhões de habitantes que são estrangeiros e continuam paulatinamente a crescer. E eu queria só relembrar aqui algumas frases que para mim devem ficar na memória de todos, porque António Costa e os seus governantes vão ficar na história como uma das maiores desgraças que aconteceu a este país com esta questão da imigração. António Costa quer fim de cotas absurdas e defende medidas inteligentes que fixem migrantes, 26/09/2019. Centeno avisa que sem imigração a economia portuguesa não cresce, o que é uma enorme falácia. Podíamos ficar aqui uma hora a discutir por que esta frase é absolutamente inconsequente. Ana Catarina Mendes: a construção de uma sociedade decente não é compatível com regime de cotas e imigração à la carte. Ainda tenho mais aqui uma, porque Ana Catarina Mendes foi para Bruxelas, Centeno reformou-se com uma reforma dourada, António Costa foi-se embora também para Bruxelas com um ordenado chorudo. Pedro Delgado Alves, que é o último que eu trouxe, ainda cá está, e dizia em 2017: direita está a fomentar discurso do medo. Há um determinado discurso que é positivo que continuemos a não ter. Era completamente proibido, até recentemente, até há muito pouco tempo, falar de uma imigração descontrolada e falar de uma imigração legal.
Muito bem.
E isto é altamente problemático, porque fechámos os olhos durante muito tempo, enterrámos a cabeça na areia, e agora aqui estão os números que nos mostram o real problema que temos em mãos.
Joana, surpreendida com estes números ou já estavas à espera?
Não, eu não estou minimamente surpreendida com estes números. Só queria fazer uma correção àquilo que o José Paulo disse no início do programa, que é: já não somos 10 milhões. Nós, na verdade, não somos 10 milhões.
Não, fui eu que disse.
Foste tu. Não, já não somos 10 milhões.
Mas era aquela coisa, nós sempre dissemos que éramos 10 milhões.
Isso foi um campeonato de futebol qualquer.
Não, Joana, sempre aprendeste que éramos 10 milhões de habitantes.
Sim, durante muito tempo fomos.
Avança.
Mas queria só fazer essa correção preciosa. Tirando isso, acho que não fiquei minimamente surpreendida com estes números.
Preocupam-te estes números?
Não.
Não te preocupo. É o PS a funcionar.
Estou muito interessada em perceber quais é que são os critérios e quais é que foram efetivamente as grandes alterações que o INE fez para alterar aquilo que se chamava de vazio estatístico. E que se explica até, porque nós já tínhamos falado sobre este tema dos números não serem contabilizados como deveriam. E portanto, nesse sentido, perceber se aqui o que é que aconteceu. Ai que horror, não pode ser.
Já temos algumas notas do que aconteceu. Alguns foram casos de pessoas que abandonaram o país, pessoas que se nacionalizaram.
O que aconteceu do ponto de vista estatístico eu não estava a fazer uma consideração.
Mas isso também é importante. Que se naturalizaram, entretanto, já são portugueses. Nós durante muito tempo não soubemos sequer o que é. E continuamos a não saber.
Essa é precisamente uma das questões que o INE, e daí este meu comentário, supostamente é uma das questões que o INE vem corrigir. E aliás, os números espelham nesse sentido.
Exato.
Perceber se efetivamente ultrapassámos a questão estatística ou se mantemos o mesmo problema do INE e mais uma vez, daqui a um ano estamos a discutir se estes números são reais ou não.
Isso é o que diz, e o INE diz que sim.
Agora, há factos, e podes dizer o que tu quiseres. Podes criticar o Mário Centeno à vontade, mas a verdade é: neste momento temos 85,5% da população ativa estrangeira, que estão a contribuir para a nossa economia.
Sim, para salvar a Segurança Social, já sabemos.
Não é só salvar a Segurança Social, é toda a sustentabilidade do sistema previdencial e assistencial. E vocês podem tentar à vontade mandar abaixo este tipo de argumentos, mas é um facto. E vamos sentir este verão, especialmente, vamos começar a sentir este verão e vamos sentir no próximo, aquilo que é um dos maiores problemas da economia portuguesa e que continuamos, e aqui faço-me a culpa do meu partido também, sem resolver, que é: nós temos uma economia maioritariamente assente em serviços, cuja mão de obra depende muito de mão de obra estrangeira Não sei se vos estou a ouvir.
Estamos a ouvir.
Desculpem. Peço desculpa a quem nos está a ouvir, porque gravar à distância tem estes defeitos. Depende maioritariamente de mão de obra estrangeira e continuamos sem investir e sem apostar noutro tipo de setores da economia para desenvolver a nossa economia e vamos começar a sentir, como estamos a sentir já no setor da restauração, no setor dos serviços hoteleiros, e estamos a sentir o resultado muito inicial destas políticas anti-imigração.
Não são políticas anti-imigração, são políticas de estabilização nacional. Isso que tu estás a dizer é uma enorme falácia. O que o Partido Socialista quis estes anos todos foi trazer mão de obra barata, que é explorada muitas vezes a nível de escravos, porque os empresários que os querem empregar não querem pagar aos portugueses um ordenado decente. Não é, não.
Altamente falacioso.
Você acha sempre esta coisa de salvar a economia e salvar a Segurança Social. Já devíamos estar riquíssimos então com mais um milhão e 600 mil pessoas, por que a economia não disparou e a Segurança Social?
Gostava só de responder a isto. Há uma ótima entrevista da Cátia Batista, foi minha professora na Nova, ao José Maria Pimentel no 45 Graus há uns meses, duas partes em que fala sobre isto e desmonta algumas falácias, tanto a Maria como a Joana foram dizendo. Eu não queria pegar por aí, e aliás, também há uns artigos ótimos do Ricardo Reis no Expresso também sobre os imigrantes e a Segurança Social. Eu não queria pegar tanto por aí. Eu gostava apenas de notar, algumas pessoas foram falando, falei aqui uma vez ou outra também, sobre o impacto que isto teria na contabilização do PIB per capita. Nós achávamos que o nosso PIB per capita estava 81% da média da União Europeia. Descobrimos agora que está 77%, menos quatro pontos percentuais, bastante pior do que era há 25 anos. Nós divergimos bastante e desde 2019 não convergimos absolutamente nada.
E qual é a causa?
Neste momento, nós achávamos que estávamos a crescer mais do que estamos a crescer, porque efetivamente há um efeito denominador que nós não estávamos a considerar. E se o PIB significa tudo? Claro que não, mas soubemos agora que fomos ultrapassados pela Roménia. E portanto, quer dizer, vamos ficar atentos quando formos ultrapassados pela Bulgária e pela Grécia? É isso que vai acontecer? Eu acho que é lunático, é de tolos continuarmos a fazer exatamente o mesmo, achar que vai dar resultados diferentes. É completamente lunático. E depois, quando se apresentam propostas para efetivamente tentar reformar a economia, tentar fazer coisas diferentes. Não, porque o PS esteve lá oito anos e desde 2019 não convergimos nada. E portanto, eu não digo que é a reforma da laboral.
Proibir o Zé Paulo de faltar ao programa.
Eu não disse que era a reforma laboral. Aliás, também já aqui disse que a reforma laboral sem outras reformas não servia de absolutamente nada, tinha que ser complementada por outras reformas.
Então quais são as grandes reformas estruturais que este governo está a propor que promovem o crescimento do PIB, como tu dizes?
Eu o que digo é que nós não estamos a discutir este tema, e o que digo é que não podemos continuar a fazer o mesmo, achar que vai dar resultados diferentes. Eu não sei se esta frase é mesmo do Einstein, se é apócrifa, mas que é verdadeira, é verdadeira.
Eu por acaso acho que é apócrifa.
Muito bem. Para terminar e saindo de Portugal, também na segunda-feira confirmamos o que há algumas semanas vinha a ser preparado: a demissão de Keir Starmer, primeiro-ministro britânico. Joana, foi o fim da linha para Starmer, ninguém previa isto depois da vitória retumbante do Partido Trabalhista há dois anos.
Não, ninguém previa isto na altura. Há mais de um ano que estamos a falar disto, não é?
Sim. Tens a dizer.
Eu acho que o Keir Starmer tem acima de tudo um grande problema, que é um problema de não saber comunicar. E há um ótimo exemplo, que é uma questão para o que levou à sua demissão não foi fulcral, foi só mais um prego no caixão, que foi a proibição da utilização de redes sociais por jovens até aos 16 anos. A forma como esta medida foi comunicada e depois o que ela se revelava na prática, que depois estavam excluídas, por exemplo, aplicações como o Telegram e o WhatsApp, e havia uma data de exclusões que depois, na prática, a medida resultava em muito pouco, fala sobre aquilo que foi o principal problema de Starmer. Ele não sabe comunicar e não soube comunicar nem para o seu país, nem internamente dentro do seu partido. E o resultado esteve à vista, que foi pedida a sua demissão, principalmente durante os últimos largos meses, e acho que este anúncio não surpreendeu ninguém. E agora vamos ver como é que este partido descalça esta bota em futuras eleições, que eu acho que isso é o que preocupa, com o crescimento de outros partidos, ou se vamos ter um momento histórico em que vamos ter um parlamento inglês efetivamente tripartido, sem querer esquecer os Liberals, que estão sempre lá.
Zé Paulo, por que ninguém consegue durar em Downing Street?
Pois, realmente esse é um problema. Por isso é que eu diria que a questão do Starmer não é apenas de comunicação, acho que é mesmo uma questão sistémica do sistema britânico que não estará pronto hoje para conseguir, porque quer dizer, desde o David Cameron que são sucessivos. E quanto à vitória retumbante do Keir Starmer há dois anos, ele teve menos seis ou sete pontos percentuais que o Corbyn teve na derrota avassaladora que teve em 2019. Ou seja, aquilo foi uma vitória dada pelo sistema eleitoral. Ele teve 33 ou 34% dos votos.
Mas muitos lugares, não é?
Mas muitos lugares, claro. Mas em nível de votos…
Não podes questionar que foi uma vitória absolutamente inesperada.
Ele chegou a ter mais de 40% nas sondagens, chega às eleições em queda. Acho que vai ser importante ver o que é que, em princípio, será o Andy Burnham, sem eleições disputadas ou com eleições disputadas, será ele. Foi um opositor do Brexit. Vai ser importante perceber o que ele vai fazer a este nível e depois das autárquicas e do caso do Epstein, não havia volta a dar, o Keir Starmer tinha mesmo que sair. Acho que os britânicos terão que discutir o sistema político e neste momento com o crescimento enorme do Reform e do populismo, tanto à direita como à esquerda com os Verdes, e do novo partido à direita do Reform, o Restore É muito difícil a pessoa que vai acontecer e só dar a nota de que ainda hoje continuamos com o mesmo tipo de escândalos que significam coisas diferentes com partidos diferentes. Os cinco milhões de libras que foram dados ao Nigel Farage, se tivessem sido num caso do Stories ou do caso do Keir Starmer, tinha sido absolutamente escandaloso. Como acontece com o Nigel Farage, parece que há outro tipo de conivência. E isso efetivamente parece que em eleições próximas no Reino Unido pode dar um resultado muito bom ao Reform e as sondagens a manter, se calhar não é um sistema tripartido, mas pode ser uma maioria absoluta do Reform.
Muito bem, Maria, que futuro político para Inglaterra?
Só deixar aqui uma nota que é mais do que nos ouvir a nós, que somos ótimos, eu aconselhava toda a gente que se interessa por este tema a ouvir o podcast do The Rest is Politics.
Fica a recomendação.
Para mim, é o melhor.
Muito bem. Maria, que futuro político para Inglaterra?
O futuro político não sei, eu sei que o Starmer, apesar de tudo, durou mais do que a anterior primeira-ministra da alfaces, a Khalisi, que durou menos do que uma alface.
Mas isso qualquer um.
Eu acho que o sentido de humor britânico é realmente extraordinário e esta história da alface eu nunca mais me esqueci.
E agora do gato, já ouvimos do gato também.
Mas eu acho que o grande erro de Starmer é o erro que nós estamos a ver muitos políticos na Europa a cair nessa falácia e acho que o próprio governo português também está bem encaminhado para esse gênero de erros. O Starmer tentou parecer muito duro na questão da imigração, tentou parecer muito moderado nas questões económicas para tentar neutralizar um pouco a direita. O que eu penso que acabou por suceder foi que ele, ao ter uma postura um pouco mais forte na questão da imigração, ele até conseguiu baixar os números da imigração, não da imigração ilegal e dos barcos que chegam ao Reino Unido, ele acabou por alienar muito do seu eleitorado à esquerda e acabou por não convencer o eleitorado mais à direita, que achou que aquilo que ele fez foi manifestamente insuficiente e continuou a votar no Reform. Ou seja, ele ficou ali um pouco perdido no meio, que é um bocadinho o que o governo do PSD está a fazer, que é tentar imitar o discurso do Chega sobre a questão da imigração, que é uma questão absolutamente essencial, mas não indo ao cerne da questão e não implementando todas as reformas que são necessárias. E eu acho que o Starmer, não só na questão da imigração, mas também na questão económica, por exemplo, que era esperado que a carga fiscal aumentasse, que as promessas da habitação que ele fez não as cumpriu. E, portanto, ele acabou por ficar numa posição um pouco ingrata, uma posição que não é nem bem à esquerda, nem é bem à direita, que era uma coisa que ele queria, ele queria ser de centro, só que o centro tem os seus problemas. Nós não podemos agradar a gregos e a troianos ao mesmo tempo, e foi aquilo que lhe aconteceu.
E o que vem agora o Burnham, é bastante mais à esquerda, portanto, vamos ver o que vai significar.
Pois, também não sei se isso vai ter-
Vai ser o manchesterismo.
É, e não sei se isso vai ter grande impacto, porque eu vi uma sondagem há pouco tempo feita por um instituto em Inglaterra que dizia que uma das maiores preocupações dos ingleses neste momento era a questão da imigração. Portanto, se vamos ter um político inglês outra vez que anda para trás, também não me parece que vá ser muito bem-sucedido. Permanecemos para ver se temos mais uma alface ou uma couve desta vez.
Joana, num minuto, o que achas que vai acontecer agora em terras de Sua Majestade?
O que eu acho que vai acontecer agora em terras de Sua Majestade? Eu acho que é altamente imprevisível estar-se a dizer isso, não sabemos ainda com uma certeza definitiva.
Mas já é sólido que será o Wendy Burnham, em princípio.
Sim, à partida será o Wendy Burnham, mas tendo em conta a forma como a política está atualmente, eu acho que isso é talvez a maior reflexão que devemos fazer, é pegar neste paralelismo da Maria, que apesar de torto, é pegar no paralelismo de percebermos que estamos a viver numa sociedade bipolarizada e uma sociedade que não tem resposta para esta bipolarização. E ou começamos a pensar em conjunto.
Tem, Joana.
Não, não tem resposta porque a sociedade é bipolar.
Tu não gostas da resposta.
Vamos ter que fechar.
Não. Eu não gosto da resposta porque eu não quero escolher um lado. Precisamente por isso é que eu sou docente de esquerda, e não como tu, de um extremo qualquer coisa. E portanto, nesse sentido, dizer que temos que arranjar uma resposta para esta bipolarização da sociedade e uma forma de encontrar consensos. E se é o próximo líder de Inglaterra a conseguir, duvido, mas estamos cá para ver.
Vamos esperar então para ver, mas está feito o programa de hoje. Obrigado aos meus comentadores, Maria Vilaras, Joana Zaguri e José Paulo Soares. Até para a semana.
Obrigado.
Obrigada.
Geração V é uma parceria entre o Voto e a Rádio Observador. Podes ouvir-nos na rádio, em podcast e ver-nos em vídeo no YouTube. Eu sou o Vasco Galhardo, muito obrigado por estares desse lado. Tudo a correr bem e até para a semana.









