O outro chip que Portugal precisa para passar a Espanha
*|IF:IS_PR!=true|*
Bata o pé. O Jornalismo independente precisa do seu apoio. Sem os nossos assinantes, não temos voz.Torne-se assinante agora
*|END:IF|*
Parecia tirado de um filme. Um filme de suspense, com muita ação, cheio de drama e que, mesmo não tendo ficção científica como já se viu noutros estádios, se tornou uma comédia quando os milhares de portugueses que invadiram todas as ruas de Toronto gritaram vitória. Quando os adeptos croatas passaram da euforia desmesurada ao arremesso de copos e garrafas para o campo, a festa do outro lado podia começar. Aí, o maior dos segredos foi o mais pequeno: um chip colocado pela FIFA na bola Trionda deste Mundial, que permitiu detetar um ligeiríssimo toque de Matanovic antes da assistência de Pasalic, em fora de jogo, para Gvardiol. Depois de dois golos anulados por centímetros a Matanovic e Ronaldo por posição irregular, a Seleção teve de louVAR aos deuses, a Diogo Costa e a Gonçalo Ramos a passagem aos oitavos de final.
Depois de um nulo com a Colômbia que soube a pouco mas mudou e muito a trajetória na fase a eliminar, Portugal teve uma primeira parte consistente mesmo sem marcar diante da Croácia mas voltou a cair no pecado capital que é o seu calcanhar de Aquiles: entrar no jogo dos outros deixando de ser fiel à sua própria ideia de jogo. Foi assim que a RD Congo aproveitou para empatar e arriscar mais, foi assim que a Colômbia teve períodos de amasso em Miami, foi assim que a Croácia mostrou a sua melhor versão que só não teve outros resultados práticos porque Diogo Costa teve outra exibição gigante na baliza antes de aparecer aquele 9 que a Seleção encontra sempre para conseguir resgatá-la (e que agora se chama Gonçalo Ramos). No final, sobrou a festa: Ronaldo marcou pela primeira vez numa fase a eliminar, Martínez enalteceu todo o trabalho da equipa, Ramos deixou o cartão de trabalho sempre que houver um problema. Segue-se a Espanha.
Este Mundial já teve várias surpresas, das eliminações da Alemanha e dos Países Baixos às saídas na fase de grupos de Coreia do Sul, Turquia e Uruguai. Provavelmente, ainda terá mais. Portugal só poderá olhar para aquilo que controla no duelo que deixará um dos maiores expoentes europeus de fora do top 8 mas sabe que, além de muita paciência, terá de manter o chip da sua forma de jogar sem entrar em desvarios provocados pelo adversário. A Espanha, que passeou classe frente à Áustria, vai ter muito mais posse, vai controlar os momentos com bola e vai continuar a procurar os espaços no último terço para fazer a diferença. E então? Na final da Liga das Nações, no ano passado, acabou com 61% de posse, fez mais do dobro dos remates (16-7), trocou muito mais passes (755-441) mas foi Portugal que saiu com a taça de Munique. Porquê? Porque foi quase sempre fiel a si próprio. Se dúvidas possam existir sobre a importância desse aparente chavão, basta ver e perceber a forma como o Paraguai se bateu com a Alemanha até à vitória.
Pode continuar a acompanhar aqui tudo sobre o Mundial-2026, que tem esta sexta-feira e na madrugada de sábado os últimos três jogos dos 16 avos de final (Austrália-Egito às 19h, Argentina-Cabo Verde às 23h e Colômbia-Gana às 2h30) antes de arrancar este sábado para os oitavos, com Canadá-Marrocos (18h) e Paraguai-França (22h). Portugal vai defrontar a Espanha na segunda-feira às 20h, depois dos aguardados Brasil-Noruega (domingo, 21h) e México-Inglaterra (segunda-feira, 1h). Pode também ler todos os trabalhos do enviado do Observador, Miguel Cordeiro, nos EUA, bem como os especiais sobre o Mundial e a Seleção como as árvores genealógicas dos jogadores, que desta vez permitiram ver que João Neves é parente de figuras como Fernando Pessoa, Eça de Queiroz ou António José Seguro, atual Presidente da República.
Por cá, e ainda no futebol, ficou a conhecer-se o calendário da Primeira Liga para 2026/27. O FC Porto vai começar como acabou, a receber o Alverca, ao passo que o Sporting joga na Amadora com o Estrela e o Benfica defronta na Luz o recém promovido Ac. Viseu. Olhando para os jogos grandes, haverá FC Porto-Benfica na sétima jornada, FC Porto-Sporting na 12.ª ronda e Benfica-Sporting na 16.ª jornada. Com uma particularidade: os leões jogam fora com Famalicão, Sp. Braga, FC Porto, Gil Vicente e Benfica logo na primeira volta. A semana ficou também marcada pelo regresso aos trabalhos do FC Porto e do Sporting, já depois do Benfica, e de mais uma polémica na arbitragem que vai fazer correr muita tinta, com o pedido de demissão de Duarte Gomes do cargo de diretor técnico num caso que já chegou ao Ministério Público.
Nas modalidades, o grande destaque vai para o arranque da Volta a França este sábado, logo com um contrarrelógio coletivo em Barcelona. A 113.ª edição do Tour promete ser uma das mais renhidas de sempre (pelo menos na teoria), com Tadej Pogacar a partir como claro favorito a juntar-se a nomes como Bernard Hinault, Eddy Merckx, Jacques Anquetil e Miguel Indurain com cinco triunfos na prova mas também com uma concorrência de peso entre um Jonas Vingegaard que mostrar estar ao melhor nível na vitória no Giro, o estreante Paul Seixas que enche de sonhos os franceses apesar de ter apenas 19 anos e um lote de possíveis surpresas onde entram Isaac del Toro, Remco Evenepoel, Tom Pidcock, Juan Ayuso ou Jai Hindley.
No ténis, Wimbledon já não conta com portugueses, depois das derrotas de Nuno Borges frente a Jannik Sinner e de Jaime faria diante de Zizou Bergs, mas continua como uma das edições mais “abertas” dos últimos anos nos dois quadros, num prolongamento do que já se tinha visto em Roland Garros. Nota ainda para o Grande Prémio da Grã-Bretanha em Fórmula 1, depois do triunfo de George Russell na Áustria com Max Verstappen e Kimi Antonelli no pódio (sprint às 12h e qualificação às 16h no sábado, corrida às 15h no domingo), e para os dois ePrix de Xangai, a contar para o Mundial de Fórmula E (sábado e domingo).
1
À semelhança do que aconteceu sempre na Luz, Benfica ganhou vantagem, Sporting (sem Zicky Té) foi conseguindo empatar mas penálti de Kutchy foi a chave para fechar de vez o bicampeonato (4-3).
2
Ferrari não mostrou em corrida o que prometera na qualificação, Mercedes voltou a ser mais forte mas houve uma surpresa chamada Max Verstappen a impedir nova dobradinha dos ingleses em Spielberg.
3
Ogura bateu o companheiro de equipa na Trackhouse, o espanhol Raul Fernández (Aprilia), por 2,004 segundos, com o espanhol Jorge Martín (Aprilia) a ficar em terceiro, a 3,512.
Mundial 2026
Quem diz que joga como um poeta tem novo argumento: de Pessoa a Eça, a árvore genealógica de João Neves é uma caixa de surpresas onde entra o Presidente da República, um ex-embaixador e um ex-autarca.









