CIÊNCIA

Estar sentado mais de meia hora aumenta risco de cancro

Um estudo publicado na revista PLOS Medicine, dia 2 de julho, revelou que comportamentos sedentários aumentam a probabilidade de morte por cancro. E não é preciso muito: estar sentado ou deitado por períodos superiores a 30 minutos é suficiente para o risco aumentar.
Os investigadores, que acompanharam 91,292 participantes da base de dados UK Biobank, no Reino Unido, durante um período médio de 12,38 anos, descobriram que pessoas que passam mais tempo seguido sem qualquer atividade física apresentam um risco mais elevado de mortalidade por cancro, nomeadamente por cancro relacionado com a obesidade e com a diabetes tipo 2.O estudo revelou também que, por cada hora adicional de comportamento sedentário prolongado, o risco de morte por cancro aumenta 10%. Pelo contrário, substituir uma hora sentado por atividade física leve — passar uma camisa a ferro, lavar a louça ou dar um passeio à volta do escritório — pode reduzir o risco em 12%.“A boa notícia é que interromper o tempo que se passa sentado com algo simples como um pequeno passeio pode ter um efeito protetor”, apontou o autor principal do estudo da Universidade de Glasgow, Frederick Ho. “As diretrizes de saúde atuais centram-se fortemente no exercício moderado ou vigoroso, mas as nossas conclusões mostram que a atividade física leve não deve ser ignorada”, citou o jornal The Guardian.
Substituir 30 minutos de inatividade por dia por 30 minutos de atividade física moderada, como caminhar a um ritmo médio, foi associado a um risco reduzido de 8%. A percentagem pode ainda passar para os 22% quando cinco minutos de inatividade são trocados por atividade física vigorosa.Embora longos períodos passados sentado ou deitado enquanto se está acordado tenham vindo a ser associados a um risco acrescido de doenças cardiovasculares e de cancro, os investigadores consideraram que menos se sabe sobre o impacto da acumulação de tempo sedentário na saúde. Os resultados concluíram que substituir o tempo sedentário por períodos de atividade física pode ajudar a reduzir variados riscos de cancro.Apesar dos dados “interessantes”, Kevin McConway, professor emérito de estatística aplicada na Open University, que não participou na investigação, considerou que é necessária mais investigação.Os próprios investigadores apontaram para a limitação dos resultados, uma vez que o estudo não consegue provar a causalidade. Para além de os voluntários do UK Biobank não representarem a população britânica geral, evidências mostram que houve um viés de voluntários saudáveis. Igualmente, o monitor de atividade apenas registou o comportamento durante um período limitado, sem contexto do comportamento sedentário.
*Texto editado por Dulce Neto

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