Exames: Carneiro exige que Montenegro peça desculpa
▲"Eu, se fosse primeiro-ministro, nesta altura já tinha vindo pedir desculpa às famílias portuguesas", sentenciou José Luís Carneiro
MANUEL FERNANDO ARAUJO/LUSA
“Quero referir-me à situação absolutamente grave que tem a ver com os exames dos alunos que querem concorrer ao ensino superior. O Ministro da Educação e o Governo permitiram que se instalasse o caos nas escolas e, mais grave do que isso, o ministro faltou à sua responsabilidade na Assembleia da República, porque procurou esconder a gravidade do que estava a passar”, criticou José Luís Carneiro.
O secretário-geral dos socialistas falava à chegada ao 22.º Congresso da Federação Distrital do Porto do PS, comentando a decisão anunciada sexta-feira pelo Ministério da Educação de que a divulgação dos resultados e a segunda fase dos exames nacionais foram adiadas devido às falhas da avaliação eletrónica, havendo ainda professores sem receber os itens das provas para corrigir.No final do mês, Carneiro já havia exigido explicações e, este sábado, subiu de tom nas críticas ao Governo, que acredita ter procurado “culpar os diretores das escolas e os professores, mostrando total insensibilidade com o que se está a passar com os jovens e com as famílias”.“Eu, se fosse primeiro-ministro, nesta altura já tinha vindo pedir desculpa às famílias portuguesas”, sentenciou.Criticando o “caos instalado num dos momentos mais vitais da vida das famílias”, Carneiro criticou a “declaração de gravidade imensa” do ministro da Educação, Fernando Alexandre, ouvido sexta-feira no Parlamento, que no seu entender “culpou os pais pelo facto de terem programado as suas férias”, quando estes o fazem “contando que o Governo cumpra o seu dever”.
“Isto é de uma grande gravidade e eu exijo ao primeiro-ministro que peça desculpa às famílias, que peça desculpa aos professores e que peça desculpa às escolas deste país”, reforçou.Numa curta declaração à chegada ao congresso, que decorre em Vila do Conde, manifestou ainda “solidariedade e apoio a todos os esforços que estão a ser feitos por parte das forças e serviços de segurança, os bombeiros portugueses, às populações”, dada a situação de calor extremo e de incêndios no país.Sem se alongar no tema, e entrando rapidamente após uma declaração quase totalmente focada na questão dos exames, posicionou o PS “ao lado daqueles que estão a passar por momentos muito difíceis”, dos incêndios à situação dos exames, à qual voltou.“É importante que o primeiro-ministro explique que empresa é que assumiu estas responsabilidades, que está a falhar tanto em momentos tão cruciais da vida coletiva”, atirou.
O ministro da Educação, Ciência e Inovação justificou, na sexta-feira, as alterações ao calendário de exames com as falhas no processo informático que levou a que alguns docentes não tivessem ainda recebido as provas para avaliar, esperando não ser preciso voltar a fazer ajustes.“Ainda falta uma parte do processo que está a ser robustecido, mas há sempre alguma incerteza. Mas o foco é cumprir o calendário, que foi concertado com o EDUQA e o Júri Nacional de Exames (JNE), que ontem [quinta-feira] nos enviou uma proposta por escrito. Discutimos com essas entidades e parece-nos que esta é a melhor forma de garantir o tal rigor num processo de avaliação”, disse Fernando Alexandre, à margem de um encontro em Guimarães.Segundo a tutela, as candidaturas ao ensino superior deverão manter-se inalteradas, ou seja, arrancam a 20 de julho.Em comunicado, o Ministério da Educação, Ciência e Educação lamentava já “eventuais transtornos” na vida dos alunos, das suas famílias, dos professores classificadores e das escolas.








