Aristides Sousa Mendes: uma história de vida espantosa
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Olá, sejam bem-vindos à História das Histórias. Eu sou o João Paulo Secadura e é com muito prazer, um sentimento misto de prazer e de pesar, de pena, de saudade, que hoje assinalo esta 400ª crônica que temos aqui. Foi a crônica número 400 com o Alberto Correia, ele está em Viseu. Eu sou o João Paulo Secadura, estou aqui apenas a apresentá-lo. Hoje, este homem extraordinário que nos guiou ao longo destas 80 semanas, por memórias, por crônicas, por lugares. Aprendemos tanto sobre aldeias, sobre história, os costumes, o artesanato, a gastronomia. Viajámos e aprendemos muito pela mão do Alberto Correia. Foi uma viagem fantástica nestas 80 semanas. Vai se despedir este grande homem que nos tem acompanhado, Alberto, que vai se despedir evocando outro grande homem, Aristides de Sousa Mendes, uma aventura maravilhosa, que agora é contada no museu, na Casa do Paçal, ali em Cabanas, na Beira Alta. Vamos então despedir-nos do Alberto com esta crônica sobre este homem também extraordinário que foi Aristides de Sousa Mendes. Vamos a isso. Bem-vindo, Alberto.
Foi a doutora dona Maria de Jesus Barroso Soares, esposa de Mário Soares, quem denominou “aventura maravilhosa” a atitude de Aristides de Sousa Mendes, cônsul em Bordéus no decurso da Segunda Guerra Mundial, diplomata exemplar, humaníssimo de coração, que roubou aos fornos crematórios os inocentes corpos de milhares de judeus e gente de outras etnias que o regime nazi condenaria a uma morte hedionda. Num gesto heroico, ao longo de poucos dias, ele, sua mulher, um filho e um funcionário consular no consulado de Bordéus, desobedecendo às determinações contidas na célebre circular número 14 enviada por Salazar, que impedia a passagem de vistos a determinado tipo de pessoas, judeus sobremaneira, assina esses documentos salvíficos que libertam do extermínio cerca de 30 mil indivíduos, na maioria judeus. Como homem e cristão o fazia. Chamado à pátria, é destituído das funções, impedido de exercer as funções de advogado. Seus filhos emigram. Vendem-se aos desbaratos os bens da nobre, ainda que não pela linhagem, Casa do Paçal, em Cabanas de Viriato, Conselho do Carregal. Seus filhos, dois ao tempo, que dois haviam falecido, tiveram de buscar no estrangeiro melhor vida e ele irá morrer sozinho numa cama do Hospital da Ordem Terceira, em Lisboa, a 3 de abril de 1954. Tinha 69 anos. Longo foi o esquecimento. Redimido, enfim, restituída a dignidade deste homem, herói singular de sua pátria, eis que a 19 de junho de 2024 abre ao público, como museu com o seu nome, como verdadeiro monumento, a ampla Casa do Paçal, em Cabanas de Viriato, onde, na tessitura das salas reconvertidas nas vitrinas de uma das mais singulares vidas dos tempos modernos, se conta, ao jeito de epopeia, ancorada numa documentação singular, belamente apresentada, o exemplo deste homem para que se torne penhor de memória futura. Vale a pena visitar a Casa do Paçal, ora reconhecida como monumento nacional desde 2011, hoje um singular museu.
Muito bem, Alberto, quero muito agradecer-lhe esta evocação extraordinária do Aristides de Sousa Mendes, aqui na Casa do Paçal, em Cabanas de Viriato, ali no Conselho do Carregal do Sal. Quero agradecer-lhe todas estas semanas que nos deu, estas 80 semanas, estes 400 textos. Chega ao fim, pequenina, esta colaboração e com grande pena minha, mas novos desafios se levantam e o Alberto não é pessoa de ficar parada. Continua também a brindar-nos, de certeza, com os seus livros, como os “Ruralidades” e tantos outros que tem editado. Eu tenho livros seus sobre patrimônio de Viseu, desde aquela famosa coleção que saiu sobre as várias cidades de Portugal.
Que possam ter sido do agrado de leitores.
Claro que sim, foi extraordinário. Foi ótimo, agradecemos muito. Ficará sempre este registro na net da sua passagem aqui pelos microfones d’O Observador, com estas crônicas, com este louvar deste patrimônio e destas gentes boas da região Centro. Muito obrigado por tudo, por sempre. E bem haja, Alberto, e que corra tudo bem nesses seus novos desafios. Bem haja, então.
Até qualquer dia.
Até qualquer dia.










