CIÊNCIA

Ferro Rodrigues recua na pressão para PS chumbar o OE

O antigo líder do PS, Eduardo Ferro Rodrigues, deu um passo atrás na pressão sobre o PS para dizer já que chumba o próximo Orçamento do Estado. Numa entrevista na RTP2, o socialista justificou a sua mudança de posição com o acordo firmado esta semana, entre Governo e PS, para a nova Prestação Social Única. “É evidente que mudou o curso desta sessão legislativa. O PS tem todas as condições para esperar pelo Orçamento do Estado e não precisa de se precipitar em denunciar já o seu voto”, afirmou.
Numa entrevista ao Jornal Dois, na quinta-feira à noite (ao minuto 13 do vídeo), Ferro Rodrigues considerou que “o acordo muito grave de regime com a força mais extremista que já alguma vez apareceu no Parlamento português parece estar em vias de dissolução.” Uma perceção que nasce da aprovação esta semana da PSU, com o PS a abster-se depois de o Governo ter alterado o parceiro de negociação do Chega para o PS. Isto já depois do chumbo da reforma laboral, na semana anterior, após uma alteração de posição de última hora do Chega na votação final.As sete horas da negociação da PSU: como PSD e PS fecharam o acordo que deixou o Chega fora de jogo
O entendimento na PSU trata-se de “uma mudança de rumo”, na leitura de Ferro que há duas semanas tinha defendido que o PS anunciasse já o voto contra o próximo Orçamento do Estado, tendo em conta a “aproximação permanente” entre a AD e o Chega em matérias de regime. “Felizmente o que aconteceu foi uma mudança de rumo depois do chumbo da contrarreforma laboral”, diz agora Ferro na explicação sobre a sua atualização de posição — que não tinha tido seguimento no partido, como escreveu o Observador esta semana.Ferro Rodrigues pede ao PS que chumbe o OE 2027 e denuncia “aliança clara” entre PSD e Chega após falha na eleição de provedora de JustiçaAinda assim, o antigo líder socialista mantém que “o destino final desta legislatura vai ser visto aquando da revisão constitucional“, cujos prazos para a entrega de propostas foram pré-acordados entre PSD e Chega. Por agora, Ferro espera que o PSD “tenha tirado lições, depois do seu líder parlamentar ter dito que o Chega era um partido desumano. Com um partido desumano não se podem fazer revisões constitucionais”, argumentou.
O antigo ministro da Solidariedade e da Segurança Social (precisamente no período em que se criou o Rendimento Mínimo Garantido, que é o atual Rendimento Social de Inserção) criticou ainda a proposta inicial do Governo para a PSU, considerando-a “opaca”. E também contestou que, nestes últimos 30 anos de existência de uma prestação para os mais pobres, “não tenha havido uma análise concreta a todas as pessoas que foram apoiadas”, garantindo que tem conhecimento de que “muitas pessoas puderam singrar na vida” graças a este apoio. Disse ainda que está “otimista”, mas será “vigilante” em relação ao decreto que o Governo fará sobre a nova prestação social que junta treze já existentes.

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