Batalha de Aljubarrota, mas desta vez sem padeira
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Oito da noite. Batalha ibérica: Portugal ou Espanha? Uma delas vai seguir em frente nos quartos de final deste mundial de futebol. Vamos analisar na edição de hoje de “E o Campeão é…” os feelings de Cristiano Ronaldo, as escolhas de Martínez e de La Fuente, a eliminação do Brasil aos pés de Haaland e ainda a polêmica despenalização de um cartão vermelho a Balogun, dos Estados Unidos, alegadamente a pedido de Donald Trump. Pedro Henriques, Augusto Inácio, Gabriel Alves e João Castro são os campeões desta tarde. Sejam bem-vindos. Eu sou o Nelson Ferreira. João Castro, este Erling Haaland é do outro mundo?
Boa tarde a todos. É realmente um avançado incrível. Já vai com sete gols. Aliás, este já é o primeiro mundial onde três jogadores já atingem essa marca, sete gols. É um avançado incrível, sobretudo quando se dá algum espaço. Mas em termos de movimentação, é realmente incrível a maneira como ele se esconde atrás do segundo defesa central, o lado cego do central, para depois cabecear. Depois aquele remate fora da área, com algumas culpas da defesa do Brasil, que devia ter encurtado o espaço, é verdade, mas é um excelente remate. Ele quase que faz aquilo, já tem mapeado no cérebro onde está e onde está a baliza. E é realmente um avançado incrível, ganhou muitos duelos, fez o que quis da defesa do Brasil. E é um jogador que, juntando a esta seleção norueguesa, atenção a Ødegaard, grande mundial. Depois, claro, Berg no meio-campo era imprescindível e a entrada do Schjelderup e do Oscar Bob vieram trazer mais posse de bola à equipe da Noruega, que foi pra frente. Ter mais posse de bola que este Brasil é um bocado antinatura. Acho que, para concluir, a Noruega está a criar uma identidade e o Brasil já há muito tempo perdeu a sua.
Gabriel Alves, Ancelotti é um dos teus favoritos neste mundial, uma figura do futebol mundial e também um dos mais midiáticos depois que aceita treinar o Brasil nestas condições e nesta competição. Cai por terra com estrondo este Brasil, esperava-se mais?
Sim, boa tarde. Sim, eu acho que ali na segunda parte, uma situação, a entrada de Endrick e Neymar, jogar com os dois não foi grande coisa. Não sei por que Neymar veio a jogo. Não sei se já era uma despedida. Estou de acordo com aquilo que acabou de dizer o João. Haaland resolveu, Nyland segurou, Schjelderup assistiu, Berg foi o pulmão, Ødegaard, aquele que o Real Madrid dispensou e nem quis saber, o maestro da sinfonia, que já é o maestro do Arsenal.
Mas é uma seleção a ter em conta no resto desta competição ou dificilmente passa à próxima fase?
Eu estou curioso para ver Noruega e Inglaterra. Depois do que vi Inglaterra ontem, depois do que vi Noruega, eu quero ver esse jogo, que esta sexta liga. Olha, pipoca, venha elas, vai ser um grande jogo. É um jogo onde, de fato, a técnica da força, a fisicalidade vai imperar, mas onde a qualidade, esclarecimento tático tem que surgir e quem tiver mais força da técnica, naturalmente, será quem vai ter mais atributos. Portanto, é um jogo interessantíssimo para seguir a todos os níveis. Eu acho que é uma partida enorme. A ter em conta é essa que aí vem, que não defraude expectativas. Quanto ao Brasil, eu acho que Carlo Ancelotti disse uma verdade no final do jogo. O novo ciclo começa agora e acho que ele tem que por a mão naquilo como deve ser, porque senão é melhor ir-se embora. Quando se adivinha um Klopp na Alemanha, olha lá. E essa do Guardiola na Holanda. Muita coisa aí pra falar.
Muito bem. Augusto Inácio, vamos virar a agulha para o jogo de mais logo, 8:00 da noite, essa batalha ibérica, Portugal de Espanha. O próprio Cristiano Ronaldo ontem na conferência de imprensa dava o favoritismo à Espanha. Por que a Espanha é favorita?
Boa tarde a todos. Olha, por aquilo que as duas equipes têm estado a fazer, nota-se que a Espanha tem estado em crescente e tem estado a ficar cada vez mais forte.
Portugal também.
Não, Portugal tem intermitências. Teve uma primeira parte muito boa com a Croácia, mas a segunda parte já não foi boa. Por isso, Portugal não está em crescente, está intermitente. E dentro daquilo que é as forças das duas equipes neste momento, eu também acredito mais que a Espanha possa ganhar. Claro, como eu lá de português, quero que Portugal ganhe, como é evidente. Mas estes jogos às vezes também têm o condão de unir os jogadores, estarem talvez mais focados, talvez mais intensos, digo eu, e Portugal até pode fazer uma grande exibição e ganhar. Oxalá que sim, que seja assim, mas do plano teórico pra aquilo que é o momento das duas equipes, eu entendo o que o Cristiano Ronaldo está a dizer. Está a dizer que realmente a Espanha está a passar por um melhor período do que Portugal, mas isso não quer dizer que Portugal já saia derrotado do jogo.
Pedro Henriques, vou querer, claro, o teu comentário também a esta questão do cartão vermelho a Balogun, até porque analisamos este lance num “Sem Falta” especial mundial 2026 aqui na Rádio Observador. É de alguma forma surpreendente toda esta história, o alegado contacto de Donald Trump e as reações que estão a surgir em cadeia, a mais importante e última, talvez, por parte da UEFA.
O Donald Trump supostamente veio comentar numa linha dessa teoria da conspiração.
Isso é o que sabemos.
Isso é o que sabemos. Não vou alinhar em teorias da conspiração, que telefonou para lá para dizer tirar o vermelho ou não.
Há vários meios de comunicação social que dão esse dado, mas é alegado também.
Se for pelas pessoas pela comunicação social e pela aquela coisa, como é que se chama agora? Não é IA, é EN, que é a estupidez natural, que há o IA, que é a inteligência artificial, e há o EN, que é a estupidez natural, então estamos tramados. Sobretudo naqueles assuntos onde eu sou especialista, sempre que vou à procura de qualquer coisa na inteligência artificial, estou a falar de arbitragem, lei de jogo, etc, nunca lá vem aquilo que é verdade, nem está escrito nos livros, não é real, há muita insuficiência. Eu hoje quando olho para o Instagram ou para as redes sociais, já não sei se é um boneco que aconteceu, algo que aconteceu, ou se é a inteligência artificial que produziu e pôs ali uma cara e um corpo. Cada vez mais tenho o cuidado de olhar isso com alguma distância e este tipo de circunstâncias que se relacionam com a FIFA, obviamente que, para dizer mal, 99% das pessoas estão para dizer, e eu compreendo.
Mas já tinha acontecido uma despenalização deste gênero?
O Cristiano Ronaldo foi despenalizado também. Qual foi o jogo? Portugal contra a Irlanda, não foi? E depois houve uma despenalização no sentido de atenuar, também tem uma situação dessas, há uns anos. O que eu quero dizer com isto é o seguinte: uma coisa é, neste caso, despenalizar ou não despenalizar como medida que eles tomaram. Outra coisa é o lance. E desse eu não tenho dúvidas. Viram ontem o Quansah, acho que é assim, Quansah, o inglês que foi expulso na Inglaterra?
Sim. É esse.
É esse. Estou a dizer bem. É uma entrada, tudo o que é faltas grosseiras, uso excessivo de força na disputa de bola que põe em risco a segurança e integridade física. Claro, depois os lances não são todos iguais. Estas próprias entradas têm uma série de fatores, sobretudo para quem estuda a questão da arbitragem.
Sim, mas o cartão vermelho foi bem mostrado a Vale Agon.
Exatamente. Intensidade, simplicidade, o salto para fora. Aquele cartão vermelho é bem mostrado, como teria sido bem mostrado o cartão vermelho logo no início ao Messi, como ontem o Quansah foi bem expulso. O que eu quero dizer com isto é que tudo o que é o cartão vermelho é correto. Tudo o que fosse a penalização de pelo menos um jogo, porque as faltas grosseiras é na disputa de bola e deve ser um jogo, que é diferente da conduta violenta, que é sem disputa de bola e implica uma agressão e deve ser mais. Ele teria ficado fora um jogo. Tudo o que seja diferente disto, como foi o caso, seja porque o Trump telefonou, seja porque foi a comissão que achou que aquele lance não tinha os condimentos todos, é um erro. E aqui não estou a querer ser mais papista que o Papa, a dizer que sei mais do que os outros em relação a esta matéria. É um erro, porque são lances que estão claramente estipulados em termos de cartão vermelho. E vou mais longe. Se fosse da égide da UEFA, eles não despenalizavam. Se fosse a UEFA, este tipo de lances, ainda agora, foi há dois meses ou três, no curso de Malta, quando estiveram lá reunidos os tops dos conselhos de arbitragem de cada federação, tiveram com lances muito idênticos a este, eles querem vermelho para exatamente proteger a integridade física. E depois, termino com isto, aquilo que mais me incomoda é, sobretudo nos canais, alguns deles eu pago: não se metam nos assuntos que não sabem. Uma coisa é dar a opinião, outra coisa é dizer coisas que são a alta das barbaridades. Ontem eu ouvi no jogo do México às 04:00, que é: “Ele vai ser expulso, mas ele não teve intenção”. Vejam se eu passo uma vez mais. A palavra intenção saiu dos livros, não existe. Existe é o movimento em si, ser ou não ser deliberado. E deliberado não significa intenção, é qualquer coisa como: não interessa se tiveste a intenção de passar ou não o sinal vermelho. Passaste, és multado. Tão simples quanto isto. E este cartão vermelho, a retirada é muito mau para o futebol.
E a UEFA, no seu comunicado: “O regulamento não está sujeito a interpretação ou decisões por parte dos órgãos disciplinares”.
É muito duro o comentário da UEFA. Pedro Henriques, ainda fico contigo mais um bocadinho para levarmos aqui para Portugal o teu 11, quais são as tuas apostas e que mudanças poderia fazer hoje Roberto Martínez.
Na baliza, o pai. À direita, nosso central que estás no céu. Desculpe, estava aqui. Estou a brincar. Ainda hoje o nosso colega Luís Pinto Coelho estava nos a desafiar para que cada um de nós dissesse o esquadra 11 que cada um de nós colocaria. Eu não vou fazer, não é para contrariar o Luís Pinto Coelho, é só porque eu acho que não adianta muito eu estar a dizer que vai o Manolo e quando joga o Joaquim. Eu acho é que não vai haver novidades. A única novidade era estar a reforçar o meio-campo, meter ali um Rúben Neves para dar um bocadinho mais de consistência. Mas eu acho que ele, o nosso selecionador, vai manter o 11 que teve na última vez: Diogo Costa, o Cancelo e o Nuno Mendes, o Veiga e o Rúben Dias, e depois o, vamos chamar trio, Vitinha, João Neves e Bruno Fernandes, e depois o Leão, Pedro Neto e o CR7. Eu acho que ele não vai mexer neste 11. A única coisa que poderia fazer para criar ali um pouquinho de surpresa era talvez mexer ali na zona mais reforço de meio-campo e aí um Rúben Neves poderia vir a jogo, mas eu de qualquer maneira acho que não vai acontecer isso.
João Castro, qual é que seria a tua aposta?
Seria uma aposta onde o nosso coletivo tem que saber ter a bola. Ou seja, ir para ter a bola, prefiro este meio-campo. Implica ter estes jogadores no meio-campo, implica Portugal saber rodar a bola, ter realmente essa capacidade de roubar a bola aos espanhóis e escondê-la durante algum tempo. Lá está, a circulação mais lenta, sobretudo mais prolongada, porque os espanhóis ficam desconfortáveis quando não têm a bola Eu acho que não adianta Portugal também pressionar alto, porque a Espanha sai bem de qualquer forma. Portanto, prevejo que seria melhor Portugal, até porque Portugal não tem pressionado nada bem. Às vezes pressiona, mas pressiona mal. E depois tentar explorar o lado direito deles, porque o Yamal defende mal também.
Está lá o Nuno Mendes, não é?
Está lá o Nuno Mendes, mas a defender não pode ser sozinho e se for o Rafael Leão ali, ou ajuda o Nuno Mendes ou temos um problema, porque se jogar Porro e Yamal, o Nuno Mendes vai estar em inferioridade e, portanto, nós temos que também depois, quando temos a bola, atacar muito esse lado, porque o Yamal defende mal e podemos fazer exatamente o mesmo ao Porro. Acho que seria muito por aí. Outros aspetos fundamentais deste jogo: a Espanha defende mal cruzamentos, sobretudo ao segundo poste, e Portugal poderá aproveitar bem isso. Espero eu.
Espero que a tua análise chegue à equipa técnica de Portugal. Queres arriscar um 11 muito rapidamente, João? Temos que avançar.
Eu punha o Pedro Neto do lado esquerdo, porque o Pedro Neto é um jogador combativo que ia ajudar a defender com o Yamal. E depois do lado direito punha um extremo, se calhar a jogar mais por dentro, para ajudar o meio-campo e temos mais um elemento, e aí podia ser ou o Bernardo Silva ou o Trincão.
CR7?
CR7, sim, isso já sabemos que ele vai jogar.
Gabriel Alves, as tuas apostas também, muito rapidamente. Estamos a ficar sem tempo, ainda temos que ir aos nossos campeões.
Estou de acordo com o João.
Conhece bem esta Espanha, ele tem razão, o João.
Sim, conheço muito bem aqueles rapazinhos todos. Portugal tem que ter, se tudo está com o foco no Lamine Yamal, e bem, no Porro, no flanco direito, porque é o tal bailador de tanto se fala, atenção ao lado esquerdo, atenção ao Cucurella e ao Alex Baena. Cuidado com os movimentos que não são iguais aos do Lamine, é outra tipicidade de movimentação, e guardarem bem os movimentos do Oyarzabal, que nunca está lá no sítio. Aparece no sítio e já leva quatro gols e quer o quinto para igualar companheiros, o Villa e o outra gang. Agora, há aqui uma nota que eu vou dizer. A meio-campo, na sala das máquinas, onde tudo vai, na minha opinião, ocorrer, são as duas equipas, segundo a Opta, com maior precisão de passes. E depois há aqui ainda um outro fator que eu acho fundamental. Disse bem o João que Portugal tem que ter a posse de bola, mas quando duas equipas querem bola, aquela que souber digerir melhor a não posse de bola, tem vantagem.
Augusto Inácio, qual terá que ser o segredo de Portugal para esta partida de mais logo e remata-nos também o teu campeão de hoje.
Eu acho que o meio-campo vai ser fundamental para ver qual é a equipa que vai ser superior uma à outra. Eu diria que os dois gostam de ter bola, é verdade, mas em termos defensivos, o meio-campo da Espanha ganha-nos a nós com larga margem. E além disso, vejo também, por exemplo, o Vitinha muito desgastado fisicamente e que a nível defensivo deixou muito a desejar e como sabemos, é preciso ter ali um seis, na minha opinião podia ser Rúben Neves, a colmatar realmente essa força que pode ter e pode ser o equilibrador, tanto a parte defensiva quanto a parte do meio-campo. O Rúben Neves pode ser uma pedra fundamental, por isso eu colocaria a equipa que está dita, que é o Cancelo, o Diogo Costa, o Cancelo, o Rúben Dias, o Renato Veiga e o Nuno Mendes, e depois no meio ponho o João Neves e o Bruno Fernandes, e ponho o Pedro Neto na direita, o Cristiano Ronaldo na esquerda, e se estiver nos seus dias, o Rafael Leão. Se não estiver nos seus dias, ficamos com menos um e é complicado.
E esse campeão de hoje, Augusto?
Campeão de hoje? Vai para a Noruega, como é evidente, porque fez um grande jogo ontem contra o Brasil. Nota 18, Haaland, H land, enfim, esses jogadores que já falaram aí que foram fundamentais. Queria dar também nota zero a tudo isso que está a passar do Bellingham poder jogar e que é uma decisão da FIFA, mas que o Pedro Henrique já explicou. Queria dar também nota 17 para o México e Inglaterra. Foi um grande jogo, eu também estive a ver esse jogo até ao fim e foi um grande jogo e a Inglaterra mostrou uma coisa que eu não esperava, que era aguentar com aquela altitude, com aquela humidade toda e aguentou-se bem fisicamente e acabou por ganhar bem por todo o esforço que teve. Mas também não queria deixar de terminar. Eu não falei isto há dois dias, mas Cabo Verde, nota 20, porque Cabo Verde fez um grande mundial. Eu ainda não tinha falado sobre isto. Nota 20 para Cabo Verde, porque realmente foram fantásticos.
Pedro Henrique, já esgotamos o nosso tempo. Qual é o teu campeão de hoje, muito rapidamente?
Em torno do Brasil, que desde 2006 que é eliminado por seleções em termos mundiais europeias, França, País Basco, Alemanha, Bélgica, Croácia e agora Noruega, de quatro em quatro anos, portanto, algo que tem que ser repensado. E naturalmente para a Noruega, como dizia alguém com graça, em relação ao Brasil, Brasil, Haaland que se faz tarde. E realmente a Noruega foi fortíssima e o Brasil foi decepcionante e tem tanto talento, alguma coisa tem que ser feita, porque todos nós gostamos do futebol do Brasil, mas falta agora transformar aquilo num futebol de dimensão que nunca mais vimos.
João Castro?
É fácil, nota negativa para a FIFA, por este caso Bellingham. Nota 20 para a Noruega, nota 18 para a Inglaterra.
Gabriel Alves.
Nota para a FIFA é execrável. Depois quero dar ao Haaland 19. Dois toques, dois gols. Para a Noruega, também 18 por aquilo que está a crescer. E quero dizer que cada vez mais gosto da canção dos Beatles, “Hey Jude”. Bellingham, 20, por tudo o que fizeste ontem naquele jogo brutal que foi o Inglaterra-México.
Há emissão especial de desporto mais logo para acompanhar este Portugal-Espanha. Há apito inicial às 20:00, depois da 13h00, amanhã de novo. E o campeão é…









