CIÊNCIA

Representação no Mundial "deve ser assegurada pelo PM"

Luís Montenegro justificou a sua ausência nas jornadas parlamentares de AD e PS em Cascais por entender que a representação do Governo no jogo Portugal-Espanha em Dallas “deve ser assegurada pelo primeiro-ministro”. A vice-presidente do Parlamento, Teresa Morais, abriu as jornadas com a leitura de uma mensagem escrita por Montenegro, que desmarcou a presença nas jornadas em Cascais depois de o jogo da Seleção Nacional ser marcado para a noite desta segunda-feira.
“A participação na Cimeira da NATO e o acompanhamento da nossa seleção nacional no mundial de futebol impedem-me de estar presencialmente convosco nas jornadas parlamentares da AD. Sei que compreendem que a representação do Governo e do povo português nesses dois eventos deva ser assegurada pelo primeiro-ministro”, justificou Luís Montenegro aos deputados de PSD e CDS.O primeiro-ministro disse que a sua presença no jogo contra a Espanha é “um reconhecimento da promoção do nosso país, do nosso talento e da nossa identidade nacional” feita pela Seleção Nacional na sua “epopeia” no Mundial de Futebol. “Os nossos heróis do mar merecem o carinho do povo português pelo que estão a fazer e o Governo aproveita também para reforçar a cooperação com a co-organização inédita de três países, que nós próprios assumiremos em 2030 com Espanha e Marrocos”, afirmou.Montenegro antecipou igualmente as posições que irá assumir na Cimeira da NATO, que se realiza esta terça-feira em Ancara, na Turquia. “Confirmarei com os nossos aliados o nosso compromisso com a aliança transatlântica, com a proteção da nossa soberania e do nosso território terrestre, marítimo e aéreo e com a defesa comum do nosso espaço e dos nossos valores. Sem esquecer o apoio à Ucrânia e ao bravo povo ucraniano”, acrescentou o primeiro-ministro na mensagem escrita.
Por fim, agradeceu aos deputados de PSD e CDS pelo “trabalho solidário” realizado para apoiar o Governo, renovando a crítica à oposição por dificultar a ação do Executivo. “Num tempo em que abundam decisões imponderadas, muitas vezes imaturas e irresponsáveis das oposições, tem marcado a diferença a serenidade e o sentido de Estado das bancadas do PSD e do CDS”, terminou.Depois de lida a declaração de Montenegro, Nuno Melo fez um balanço da governação da AD desde que ganhou as legislativas de 2024. O presidente do CDS disse que, nos últimos anos, houve uma evolução “radical” no mapa político-partidário, mas sublinhou que a ideia de “uma composição parlamentar que mudava tudo” — uma maioria constitucional de direita — não passou o “teste do algodão”.Nuno Melo lembra os momentos em que o Chega votou ao lado do PS para inviabilizar propostas do Governo, particularmente a reforma laboral. “O que fica para a história é uma cambalhota de André Ventura e o punho fechado e levantado a cumprimentar o secretário-geral da CGTP com quem acredito que se dê bem”, atirou o ministro da Defesa. Ainda no ataque ao partido de Ventura, Melo criticou a “demagogia” da proposta de baixar a idade da reforma e assinalou que o Chega “se juntou ao PS e à extrema-esquerda para fazer cair governos da República, da Madeira e dos Açores”.
O líder do CDS acrescentou que, numa “era de excessos e polarizações”, a maioria do Governo “mantém-se uma opção moderada, serena e institucional”. E acrescentou: “A AD é um ativo sem preço”. De seguida, Melo recuperou o contexto que levou à queda do Governo em 2025 e afirma que foram PS e Chega que quiseram a crise política. “Só tivemos novas eleições porque governávamos bem”, disse. Depois, Nuno Melo também criticou José Luís Carneiro por considerar que o PS ainda não consegue olhar criticamente para os oito anos em que esteve no poder. “O doutor António Costa está em Bruxelas, mas a nomenclatura é quase a mesma”, atirou.Apesar de garantir que o Governo quer estabilidade política e não vai precipitar eleições, Nuno Melo garantiu que a AD faria melhor com uma maioria absoluta do que os socialistas fizeram quando a ganharam em 2022. “Tivessemos nós essa maioria absoluta e o o resultado, que é muito bom, seria exponencialmente maior.” Por fim, o ministro da Defesa avisou Chega e PS de que, se o país for novamente a votos antes de 2029, voltarão a ter uma “desilusão” nas urnas. “A AD é uma marca que soma para lá dos blocos do PSD e CDS. A AD nunca perdeu eleições legislativas”, concluiu.Antes de Nuno Melo, o presidente da Câmara de Cascais tomou a palavra na Citadela de Cascais e assumiu ser uma “enorme honra” receber no município as jornadas parlamentares do PSD e CDS. Lembrando a proximidade do debate do Estado da Nação, que serve de mote às jornadas parlamentares, Nuno Piteira Lopes disse que Portugal é “um país que hoje está diferente para muito melhor”. Para o autarca, as mudanças em causa são “fruto das medidas deste Governo” e “sentem-se nas ruas e nos concelhos”.
Nuno Piteira Lopes acredita que o atual Governo é “um que finalmente olha para as autarquias como parceiros e não como meros executores”. O autarca de Cascais acrescenta que “a política que transforma de facto a vida das pessoas faz-se essencialmente na ruas, nos bairros e nas autarquias, porque é o Estado que está mais próximo das pessoas que as serve melhor”.De seguida, o presidente da Câmara lembra que a AD tornou-se a maior força autarquica do país e que para “cumprir as promessas reformistas deste Governo” é preciso ver as autarquias como um “ponto de partida”. Além disso, Piteira Lopes deixou várias sugestões aos deputados do PSD e CDS para reformar a política local.“Reformar é continuar a descentralizar e é preciso de falar do que ainda falta. O que falta é continuar a descentralizar para os municípios compertências que ainda hoje não lhes percentem”, defende, referindo organismos públicos como a APA e as CCDR. Por fim, pediu à maioria do Governo que promova uma revisão do Estatuto dos Eleitos Locais e que aprove a proposta para que a eleição para as câmaras municipais seja feita através de uma lista única.

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