A Direita deve vencer a "Batalha das ideias"
É uma crítica recorrente que costumo ler aqui e ali. Não haveria, em Portugal, nenhum verdadeiro partido de direita; todos eles teriam ideias de esquerda ou, pelo menos, uma certa tendência para se submeterem as ideias de esquerda, mesmo quando se dizem de direita. Será exagero? Ou não haverá alguma verdade nestas afirmações? Não é de estranhar que, desde 1974 e até ao aparecimento do Chega, em 2019, tenha existido um certo receio, por parte de alguns líderes «à direita do PS», em se assumirem abertamente como homens de direita e levarem a cabo políticas inequivocamente de direita. Porque razão é que a direita em Portugal parece ter um certo pavor em desagradar à esquerda, chegando mesmo a submeter-se às suas críticas, enquanto a esquerda se permite ataques «baixos» quando critica a direita? De um PSD cujos líderes sempre disseram não ser «de direita» (de Sá Carneiro a Rui Rio), e que se mostra incapaz de introduzir reformas liberais na economia, a um CDS que, supostamente liberal-conservador, tem nas suas lideranças pletoras de dirigentes que apelam ao voto num candidato socialista nas presidenciais, os portugueses de direita “são órfãos”. Quanto ao próprio Chega, se é salutar o facto de ter sido o primeiro partido abertamente de direita e que se reivindicava como tal, tem vindo a apresentar propostas económicas e a opor-se a certas reformas que têm deixado estupefactos os seus apoiantes, que pensavam estar a apoiar um partido nacional-liberal. Após oito terríveis anos de governação socialista, nos quais o ex-Primeiro-Ministro António Costa abriu as fronteiras à imigração extra-europeia, em que a economia estagnou e em que se aumentou o número de funcionários públicos, sem falar dos “casos e casinhos”, o centro-direita parece continuar a ter um certo pavor quando ouve as críticas e as lições de moral da esquerda. Qual a origem deste poder que a esquerda detém?
Há uma resposta para todas estas questões: tal como eu dissera num texto anterior, a esquerda detém a “hegemonia” cultural em Portugal – infelizmente, em quase todo o Ocidente – pois ela conseguiu vencer a “batalha das ideias”. Começou a prepará-la muito antes do 25 de Abril de 1974, mas, desde essa data, tem dominado a psique colectiva dos portugueses. Mesmo eleitores que votam em partidos de direita foram influenciados pela visão social, económica, histórica e política que a esquerda impôs. E essa mesma esquerda (e a sua aliada, a extrema-esquerda) conseguiu vencer essa batalha através de algo que a direita há muito abandonou: a metapolítica. A direita portuguesa acha que vencer a batalha política lhe permite transformar a realidade política do país. Enganam-se os que pensam assim. Antes da política “prática”, é preciso dominar o campo metapolítico. Por outras palavras, as ideias precedem o poder político prático. Sem influência sobre as mentes da população em geral, de pouco serve à direita conquistar o poder, porque, em primeiro lugar, enquanto lá estiver, dificilmente conseguirá levar a cabo reformas estruturais profundas e, em segundo lugar, acabará por perder rapidamente o poder nas eleições seguintes, se é que o conseguirá manter até lá.Minuciosamente e pacientemente, a esquerda foi influenciando a população através do ensino, da literatura, do cinema, da música, do teatro e da televisão, transmitindo as mensagens que pretendia difundir. Enquanto isso, a direita foi-se resignando e concentrando-se quase exclusivamente na gestão económica. Grave erro, pois a “economia não é o destino”, diziam os intelectuais da Konservative Revolution. As elites de esquerda têm a capacidade de mobilizar jornalistas, músicos, actores, escritores, intelectuais, professores universitários e do ensino secundário em torno da defesa de certas ideias — pessoas que, por sua vez, devido à sua influência na sociedade, acabam por moldar a opinião dos eleitores que, ao votarem à esquerda, reforçam esse mesmo poder (num verdadeiro ciclo vicioso). Por outras palavras, sendo a esquerda quem tende a impor a sua visão do homem, da sociedade e da economia, é também ela que acaba por definir os temas considerados relevantes na realpolitik, aqueles que não o são e aqueles que devem ser evitados ou silenciados (por exemplo, a imigração proveniente do terceiro mundo), mesmo quando não detém o poder. Deste modo, lidera o “mundo das ideias”, o que lhe permite delimitar o que é aceitável ou inaceitável.Pode a direita reverter a situação em Portugal? Sim, pode… Mas para recuperar a hegemonia cultural, a direita terá de aceitar travar a “guerra cultural”. Infelizmente, é precisamente o contrário que as direitas em Portugal (se é que existem) têm feito: preferem submeter-se. Noutros países ocidentais, as várias direitas conseguiram, pouco a pouco, recuperar terreno na “batalha das ideias”. Da Nouvelle Droite, que acabou por influenciar o debate político não só em França, mas em todo o Ocidente — estando hoje muitos dos temas que teorizou no centro dos debates políticos — à NRX (Dark Enlightement), que conseguiu em poucos anos alcançar uma certa presença na esfera de influência política norte-americana, temos exemplos de relativo sucesso à direita, ainda que o processo esteja no início (e o enfraquecimento da esquerda tenha também contribuído). Em Portugal, mesmo que a esquerda portuguesa esteja, por efeito de dinâmicas mais amplas das esquerdas ocidentais, enfraquecida, isso não significa que a direita tenha recuperado a hegemonia cultural. E, para tal, seria necessário que os sectores da direita se voltassem a familiarizar com as teses de Antonio Gramsci e, mais importante ainda, seguissem o conselho de Alain de Benoist: face ao poder hegemónico da esquerda no campo cultural e à sua dominação do mundo das ideias, é necessário desenvolver um “gramscismo de direita”.
Gramsci e a hegemonia culturalInteresso-me menos pela política quotidiana do que pela metapolítica. Isto é, pelas influências sobre a sensibilidade geral, o clima moral e cultural. A metapolítica é talvez, aliás, o verdadeiro caminho do poder nas sociedades avançadas. É, em todo o caso, o lugar de surdas e grandes batalhas. Esta guerra é a minha. É preciso haver guerra numa vida. E se a miséria é termos apenas uma vida, ponhamos nela ao menos várias existências.(Louis Pauwels, Comment devient-on ce que l’on est ? edições Stock, 1978, traduzido pelo autor do texto)As direitas, em todo o Ocidente e particularmente em Portugal, submeteram-se às ideias morais de matriz marxista e socialista. Abandonaram as ciências sociais, as artes plásticas, a literatura, a História, a música moderna, o teatro, o cinema e outras formas de expressão artística à esquerda, preocupando-se sobretudo com a gestão económica. Milhões de jovens ocidentais foram, desde os anos 50 (e sobretudo a partir de 1968), formatados para pensar como a esquerda queria que pensassem, reagir como ela queria que reagissem, emocionar-se como ela queria que se emocionassem e dizer o que ela queria que dissessem. Por outras palavras, quem define os limites da janela de Overton em Portugal é a esquerda. Conceito importantíssimo, a janela de Overton designa o intervalo de ideias consideradas aceitáveis pelo público de um determinado país num dado momento, as ideias que se situam fora dessa janela tendem a ser vistas como demasiado extremistas, violentas ou moralmente inaceitáveis, sendo, por isso, geralmente rejeitadas ou excluídas do debate político dominante. É possível redesenhar os limites da Janela de Overton? Sim, através da metapolítica.
De que falamos quando mencionamos metapolítica? Falamos das ideias que influenciam o debate político. Importa não confundir metapolítica com política. Uma coisa é a aplicação de políticas públicas, a diplomacia, as políticas económicas, a comunicação política, a estratégia eleitoral ou mesmo o comentário político actual; outra, distinta, é a metapolítica. Assim, a política actua num quadro prático relativamente bem definido, enquanto a metapolítica actua sobre esse mesmo quadro, determinando os seus limites. Ou seja, a política opera dentro de um determinado “horizonte de ideias” — e todas as decisões políticas importantes são tomadas com base nesse quadro, sem ultrapassar os seus limites — ao passo que a metapolítica se concentra na formação, moldagem, transformação e domínio desse mesmo “horizonte de ideias”.Não podemos falar de metapolítica sem antes referir Antonio Gramsci, filósofo marxista italiano. Para ser rigoroso, Gramsci nunca utilizou este termo; é, antes, conhecido pelo conceito de “hegemonia cultural”. O termo “metapolítica” foi popularizado pela Nouvelle Droite no final dos anos 60 e ao longo dos anos 70 sobretudo através de Alain de Benoist, que também cunhou a expressão “gramscismo de direita”. Segundo a teoria da hegemonia cultural, quaisquer revolucionários que pretendessem reverter a ordem vigente deveriam, em primeiro lugar, influenciar intelectualmente as massas e só depois alcançar o poder político. Por outras palavras, a conquista do poder passa pelo domínio das ideias: primeiro ganha-se a mente das massas, depois conquista-se o poder político.Antonio Gramsci teorizou a hegemonia cultural ao questionar as razões pelas quais a classe operária, nas nações ocidentais altamente industrializadas, não se revoltara e a prometida “revolução internacional” de Karl Marx não se concretizara. Gramsci concluiu que tal se devia ao facto de a classe operária ter integrado no seu pensamento as ideias da cultura liberal burguesa dominante. As massas proletárias do início do século XX haviam interiorizado um ethos — entendido como o conjunto de valores, normas éticas e disposições morais que orientam uma sociedade — de matriz individualista e liberal. Longe de se verem como uma classe oprimida cujo objectivo seria a constituição de uma frente revolucionária para destruir a alta burguesia e instaurar a ditadura do proletariado, os operários haviam interiorizado a ideia de que a ordem vigente não era apenas normal, mas também potencialmente benéfica para si — e de que, com esforço, poderiam ascender socialmente, tornando-se eles próprios parte da burguesia.Assim, Gramsci apercebeu-se de que a dominação não era apenas económica ou policial, mas sobretudo cultural, intelectual e também moral — uma dominação dos sentimentos e do senso comum. A dominação de uma classe dirigente não consiste apenas em controlar as massas pela força armada; consiste igualmente em moldar a mente das populações, levando-as a considerar que o “estado actual das coisas” é não só o melhor possível, mas também necessário. Para atingir esse estado de coisas, as elites, segundo Gramsci, recorriam à Igreja, à escola, aos meios de comunicação social, ao cinema, às artes plásticas, à pintura e à moral, bem como aos chamados intelectuais “tradicionais”, isto é, aqueles que trabalham para a ordem dominante. Face a estes, os intelectuais “orgânicos” — intelectuais que lutam contra o sistema hegemónico — deveriam criar uma nova narrativa, alterando progressivamente as percepções das massas e moldando um novo senso comum. Segundo Antonio Gramsci, como era impensável um ataque frontal às elites — pois seriam esmagados pela polícia e pelas forças armadas — tornava-se necessário que a esquerda marxista conquistasse a “hegemonia cultural”, primeiro passo para a hegemonia política. Para tal, os marxistas deveriam infiltrar-se na escola, na universidade, nos meios de comunicação social e no mundo artístico (música, cinema e teatro). Através dessa presença, procurariam, em primeiro lugar, transformar as normas morais, a linguagem e as representações sociais. Para alcançar esse objectivo, os “intelectuais orgânicos” deveriam penetrar nas instituições sociais acima referidas com o propósito de substituir o antigo ethos liberal-burguês por um novo, de matriz marxista, transformando assim o senso comum das massas de forma duradoura. Deste modo, uma vez alterado o senso comum, as mensagens das antigas elites tornar-se-iam praticamente inaudíveis para a maioria da população. A sequência seria, assim, a seguinte: infiltração dos órgãos da sociedade civil → transformação do senso comum e criação de uma nova visão do mundo → conquista da hegemonia cultural → consolidação da hegemonia política.
Quando vemos o que a esquerda e a extrema-esquerda fizeram em Portugal antes mesmo do 25 de Abril, como não reconhecer que, contrariamente à direita, as elites esquerdistas “leram” Gramsci com atenção? O resultado é que uma parte importante dos portugueses (talvez a maioria dos mais velhos) acredita piamente que os “ricos são ladrões” — excepto quando esses ricos são deputados do PS —, que o Estado deve funcionar como um “Estado babysitter”, que os valores de Abril (sabe-se lá exactamente o que isso quer dizer) devem ser imutáveis, que a nossa Constituição de base socialista deve manter-se ad aeternum, que a liberalização da economia levaria ao empobrecimento da maioria, bem como outras ideias de matriz socialista que se fixam na mente de muitos portugueses como se de um vírus se tratassem. O mesmo fenómeno verificou-se um pouco por todo o Ocidente, desde as revoltas estudantis nos campus americanos a partir de 1962 e, sobretudo, os acontecimentos de Maio de 1968. A esquerda, seja ela moderada, radical ou extremista, seguiu em grande medida as intuições de Gramsci (mesmo quando certos sectores estalinistas o rejeitaram, acabaram por o ler e incorporar parcialmente). Basta olhar para as sondagens em França, no Reino Unido ou na Alemanha sobre a percentagem de professores, jornalistas, artistas, universitários e intelectuais que votam à esquerda. A mente das gerações mais jovens, desde tenra idade, foi sendo influenciada (ou, dir-se-ia, moldada) pelas escolas, pelos jornais, pelos filmes e pela música.A vitória do Ocidente liberal levou muitos membros da direita a acreditarem, de forma errada, que o marxismo tinha sido derrotado. Na realidade, tratou-se de uma falsa vitória. O regime marxista-leninista russo perdeu ao nível económico, científico e militar, mas o marxismo-leninismo acabou por infiltrar-se nos regimes democráticos do Ocidente. Nenhum partido marxista-leninista conseguiu chegar ao poder nas nações ocidentais, nem pelo voto nem pela revolução. Como os comunistas não podiam alcançar o poder político e militar, acabaram por ocupar o sistema educativo, as artes e os meios de comunicação social. Através da revolução cultural, os marxistas conseguiram difundir a sua ideologia nas mentes dos filhos e filhas dos ocidentais. Assim, mesmo sem deterem o poder político, conseguem influenciar as decisões dos governos, incluindo os de direita, levando-os a implementar determinadas políticas. A esquerda moderada, por sua vez, acabou por beneficiar desta dinâmica, mas com um custo: foi ela mesmo infiltrada. É, aliás, esta situação que ajuda a explicar o facto de, em todo o Ocidente, os partidos de centro-esquerda terem sido influenciados por correntes islamo-esquerdistas que estão a contribuir para a sua radicalização. Basta observar — e dou apenas três exemplos: o caso do Partido Socialista francês, cada vez mais influenciado e absorvido pelo partido de extrema-esquerda islamo-esquerdista LFI; nos Estados Unidos, a radicalização do Partido Democrata, em que membros muçulmanos próximos do Hamas e do Irão terão contribuído para que uma antiga figura de relevo democrata, James Carville, conselheiro de Bill Clinton nos anos 90, afirmasse que o partido estava dividido e que era necessário impedir certos membros democratas de se candidatarem, falando mesmo em cisma; e, por fim, o caso do PS em Portugal, cada vez mais influenciado por ideias “wokistas” e infiltrado por pessoas que, no mínimo, apresentam certas ideias radicais, quando não extremistas.É possível reagir?Que podem as direitas fazer face a este poder? Para já, parar de se lamentar e passar à acção. Sim, é possível inverter a ordem das coisas. E a prova disso é o que está a acontecer no resto do Ocidente. Os jovens, um pouco por todo o Ocidente, estão a aderir cada vez mais a ideias de direita. Certos temas começam a dominar a narrativa política de tal forma que os meios de comunicação social, mesmo que o façam “a contre-cœur”, são obrigados a abordá-los e a discuti-los. E se tal acontece, deve-se a certos intelectuais que tiveram a coragem de influenciar, com os poucos meios de que dispunham, as novas gerações de europeus e norte-americanos. A Nouvelle Droite, de que já falei, é um bom exemplo — ainda que muitos dos seus intelectuais permaneçam desconhecidos da maioria, a verdade é que se tratam de cerca de 50 anos de trabalho metapolítico que começaram a produzir resultados. O facto de termos presidentes norte-americanos a utilizar expressões e neologismos criados por intelectuais desta corrente (etnomasoquismo) é, nesse sentido, significativo.
Quando existe um objectivo claro e a coragem necessária para o alcançar, é sempre possível inverter uma situação. No entanto, a direita não conseguirá vencer a “batalha das ideias” de um dia para o outro. Há 50 anos que a direita em Portugal deveria ter iniciado um contra-ataque. Não será no espaço de alguns meses, nem com algumas dezenas de textos publicados aqui e ali, que os portugueses passarão a ser influenciados pelas ideias da direita (das suas principais correntes ideológicas). Os intelectuais de direita terão de criar think tanks, revistas, magazines, webTVs, associações, rádios e institutos, a partir dos quais possam difundir uma visão contrária à visão esquerdista. Todos os temas das ciências sociais, das artes, das letras e mesmo das ciências duras deverão ser abordados a partir da perspectiva de uma das grandes famílias da direita. Só assim, através de um trabalho metapolítico sério e, sobretudo, independente dos partidos — embora os grandes partidos tenham também de criar os seus próprios espaços metapolíticos, os melhores intelectuais são, em regra, aqueles que mantêm total independência intelectual — é que os membros da direita poderão esperar influenciar as mentes dos portugueses, pelo menos das novas gerações, de forma a que estas possam pôr fim, de forma definitiva, ao socialismo.O socialismo está ultrapassado. Dir-se-ia antes que todas as correntes da esquerda, tal como, aliás, todas as ideologias cujo longínquo antepassado é a Revolução Francesa estão ultrapassadas. O mundo que elas criaram está a ruir. Bon débarras. As esquerdas vivem num estado de “coma intelectual”, incapaz de se renovarem. As direitas devem aproveitar este momento. A luta será difícil, mas deve ser travada agora, aqui em Portugal (será tema de um próximo texto). Os povos cujos intelectuais souberem criar novos ethos e novas visões do mundo serão aqueles que enfrentarão o século XXI de cabeça erguida. É tempo de os intelectuais de direita em Portugal romperem as correntes socialistas que aprisionam e afundam este país no mais profundo dos pântanos. Sobretudo, é tempo de os intelectuais portugueses deixarem o passado e começarem a imaginar o futuro. Resta saber se terão a capacidade para tal. Sou pessimista, mas não derrotista.As grandes revoluções intelectuais e ideológicas, que se operam primeiro nas consciências, são revoluções silenciosas. Eclodem sem ruído, sem violência, e os seus efeitos fazem-se sentir de forma duradoura. As ideias avançam “sobre asas de pomba”. Germinam, fazem pensar, exercem a sua influência e, depois, subitamente, propagam-se como um rastilho de pólvora num mundo que elas próprias contribuíram para transformar.(Alain de Benoist, Revista Éléments, nº172)
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