TECNOLOGIA

Telescópio Hubble flagra “bala cósmica” a 32,2 milhões de km/h

Astrônomos descobriram que a estrela V445 Puppis, localizada na Via Láctea, expeliu aglomerados de gás em velocidades próximas a 32,2 milhões de km/h após uma explosão rara observada no início dos anos 2000. A descoberta foi possível após novas observações com o telescópio espacial Hubble e outros equipamentos.Continua após a publicidadeO estudo revelou detalhes inéditos sobre essa chamada nova de hélio, um tipo incomum de explosão estelar associado a uma anã branca que absorve material de uma companheira rica em hélio. A análise também esclareceu a composição do sistema e a origem de estruturas nunca antes vistas em outras novas.A pesquisa foi apresentada durante a Reunião Nacional de Astronomia da Royal Astronomical Society, em Birmingham, no Reino Unido. Os resultados podem ajudar cientistas a compreender melhor fenômenos ligados às supernovas do tipo Ia, importantes para medir distâncias no Universo.Uma explosão rara escondida por décadas
Aglomerado de estrelas – (Image credit: ESA/Euclid/Euclid Consortium/NASA, CFHT, image processing by J.-C. Cuillandre and E. Bertin (CEA Paris-Saclay))A V445 Puppis chamou a atenção dos pesquisadores após sua erupção no ano 2000, quando liberou enormes estruturas de matéria que se espalharam pelo espaço em formatos semelhantes a asas de borboleta. O fenômeno criou duas grandes correntes de detritos que ultrapassaram um trilhão de milhas de extensão.Durante mais de duas décadas, a observação do sistema permaneceu limitada por uma espessa camada de poeira produzida pela própria explosão. Esse material bloqueava a visão dos corpos responsáveis pelo evento e dificultava a identificação das estrelas envolvidas.Com a redução dessa barreira, pesquisadores conseguiram combinar dados do Hubble, do satélite TESS, do Very Large Telescope e de outros instrumentos para examinar a estrutura do sistema.Sistema formado por estrelas incomunsUma ilustração de uma estrela anã branca alimentando-se de uma companheira estelar antes da erupção de uma supernova tipo Ia – (Crédito da imagem: Robert Lea (criado com Canva))As novas análises indicaram que a explosão ocorreu em um sistema binário composto por uma anã branca e uma estrela de hélio. Esse tipo de estrela companheira é considerado raro, pois perdeu sua camada externa de hidrogênio e deixou exposta uma região interna dominada por hélio.

O processo observado acontece quando a anã branca captura material da companheira. Conforme esse material se acumula em sua superfície, a pressão e a temperatura aumentam até provocar uma explosão termonuclear.Diferentemente das novas comuns, que envolvem principalmente matéria rica em hidrogênio, a V445 Puppis pertence a uma categoria em que o material acumulado contém predominância de hélio.Os misteriosos “projéteis” lançados ao espaçoEntre as descobertas mais intrigantes estão pequenos blocos de gás expelidos pela explosão, chamados pelos pesquisadores de projéteis cósmicos. Essas estruturas, possivelmente ricas em oxigênio, foram observadas viajando em velocidades extraordinárias.Os cientistas ainda não determinaram exatamente como esses fragmentos foram formados. A equipe responsável pelo estudo considera que eles podem ter surgido depois da explosão inicial, mas destaca que estruturas semelhantes nunca haviam sido identificadas em outras novas conhecidas.Continua após a publicidadeUm possível novo capítulo para a V445 PuppisAs observações também indicaram que a anã branca voltou a capturar material da estrela de hélio companheira. Esse processo é semelhante ao que antecedeu a primeira explosão registrada no sistema.Por causa disso, os pesquisadores avaliam que a V445 Puppis pode passar por uma nova erupção no futuro. O evento poderia contribuir para estudos sobre como algumas anãs brancas evoluem até explosões muito mais violentas.Uma das possibilidades investigadas pelos astrônomos é a relação entre repetidas novas de hélio e as supernovas do tipo Ia. Esses eventos são considerados importantes porque apresentam padrões de brilho relativamente previsíveis, permitindo estimativas sobre distâncias cósmicas e sobre a expansão do Universo.A compreensão desses fenômenos também pode ajudar no estudo da energia escura, uma força misteriosa associada ao ritmo de expansão do cosmos.

Wagner Edwards

Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.

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