Uber testa cobrar taxa de motoristas para evitar recusas de viagens
A Uber testa, na Europa, um sistema que cobra uma taxa dos motoristas parceiros toda vez que uma corrida é oferecida no celular. O projeto piloto ocorre nas cidades de Basileia, na Suíça, e Malmö, na Suécia. O objetivo da empresa é evitar que os condutores recusem chamadas em sequência, o que acaba aumentando o tempo de espera dos passageiros.Continua após a publicidadeEm Basileia, o aplicativo cobra 0,30 franco suíço (cerca de R$ 2) por cada solicitação enviada à tela do motorista. Para compensar esse custo, a empresa reduziu em dois pontos percentuais a comissão que cobra sobre as viagens finalizadas. Na prática, essa mudança permite que os condutores que aceitam a maioria das chamadas terminem a semana com um faturamento maior.Como funciona a cobrança e os testes da Uber na EuropaO teste em Basileia começou no fim de junho de 2026 para motoristas selecionados. Toda vez que o aplicativo envia uma chamada exclusiva, o motorista paga 0,30 franco suíço (cerca de R$ 2). A taxa não se aplica a ofertas de radar nem a viagens recebidas enquanto o condutor já está com um passageiro no carro.Para balancear esse gasto, a Uber diminuiu a comissão que cobra sobre as corridas concluídas: o desconto caiu de 25% para 23% nas categorias UberX e UberXL, e de 28% para 26% nas modalidades Comfort e Uber Black.Essa conta beneficia quem aceita a maioria das chamadas. Como a comissão da Uber nas viagens finalizadas ficou menor, o motorista que faz bastante corrida consegue economizar no valor retido pela empresa, cobrindo o custo das taxas e terminando a semana com mais dinheiro no bolso. Por outro lado, quem recusa muitas chamadas vai acumulando o custo de cada oferta recebida, sem conseguir fazer corridas suficientes para compensar o prejuízo.
Em Malmö, o motorista paga pelas ofertas de corrida, mas a Uber não fica com esse dinheiro – Imagem: Andrew Angelov/ShutterstockNa cidade de Malmö, a empresa testa um modelo diferente desde julho de 2026. Por lá, o motorista paga 2 coroas suecas (pouco mais de R$ 1) por cada chamada recebida, mas a Uber não fica com nenhum centavo desse dinheiro. O montante arrecadado com as taxas ao longo da semana é somado e dividido integralmente entre os motoristas, com base na quantidade de corridas que cada um finalizou no período.
Na prática, o sistema sueco funciona como um fundo de recompensa alimentado pelos próprios condutores. Cada corrida concluída dá ao motorista o direito de receber uma fatia desse bolo acumulado. Com essa regra, o profissional que aceita quase todas as solicitações recebe de volta mais dinheiro do que gastou em taxas. Já o motorista que rejeita chamadas frequentemente perde dinheiro e financia os ganhos de quem trabalhou mais.O objetivo da Uber com os dois experimentos é combater o atraso gerado quando os motoristas recusam corridas e o sistema precisa procurar veículos mais distantes. Para não pagar a taxa sem necessidade, a empresa orienta que o motorista fique offline no aplicativo quando não quiser atender passageiros. O detalhamento dos valores cobrados e devolvidos é enviado semanalmente nos relatórios financeiros da própria plataforma.O Olhar Digital pediu posicionamento para a Uber.
Pedro Spadoni
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.
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