CIÊNCIA

ONU. 115 navios e 2.500 tripulantes retirados de Ormuz

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O plano de evacuação da Organização Marítima Internacional (OMI) permitiu a retirada de 115 navios com cerca de 2.500 tripulantes do Golfo Pérsico através do Estreito de Ormuz desde terça-feira, informou esta sexta-feira a agência da ONU.“Embora tenhamos suspendido a evacuação ontem [quinta-feira, após um ataque contra um cargueiro], algumas embarcações continuam a transitar pela parte sul do Estreito de Ormuz“, afirmou o secretário-geral da OMI, Arsenio Dominguez, em conferência de imprensa.Dominguez esclareceu que os números “não são definitivos” e observou que ainda há navios a transitar pela zona sul do estreito. “É por isso que é importante reativar o mecanismo para garantir maiores níveis de segurança”, apelou.
O responsável da agência especializada da ONU relatou contactos com países da região e em particular com Omã, Estados Unidos e Irão, no sentido de confirmar “as garantias inicialmente dadas de que os navios não seriam alvejados e que o fluxo comercial iria continuar”, especialmente para a retirada dos tripulantes.“Assim que receber novas confirmações a este respeito, estaremos prontos para reiniciar o processo de evacuação“, observou Dominguez.O plano visa retirar 11.000 tripulantes retidos no Golfo Pérsico, em resultado do bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz desde a ofensiva militar israelo-americana, em 28 de fevereiro, contra a República Islâmica.A reabertura imediata do estreito, por onde passavam 20% dos produtos petrolíferos mundiais antes da guerra, está incluída no memorando de entendimento assinado na semana passada por Washington e Teerão, que levou à suspensão das hostilidades e abertura de negociações de paz.
O diálogo encontra-se porém ameaçado pela continuação da ofensiva de Israel contra o grupo xiita Hezbollah no Líbano, país abrangido pela trégua por exigência de Teerão.O plano da OMI foi suspenso após relatos de que um cargueiro foi atingido por um projétil desconhecido, sem causar vítimas, a 7,5 milhas náuticas da costa de Omã, a sul do Estreito de Ormuz.Segundo o The Wall Street Journal, a Guarda Revolucionária iraniana disparou contra a ponte de comando de um navio cargueiro e danificou-a horas depois de ter alertado as embarcações para não navegarem pelo estreito por rotas não autorizadas pelo Irão.“Felizmente, não houve vítimas, mas depois de consultar alguns países — sobretudo na região — tomei a decisão de suspender temporariamente o plano de evacuação“, justificou na quinta-feira Dominguez.
O Irão, por sua vez, insistiu esta sexta-feira que os navios que transitam pelo Estreito de Ormuz devem seguir as rotas estabelecidas pela República Islâmica.A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), organismo criado pelo Irão para gerir o tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz, alertou em comunicado que “a navegação de embarcações fora das rotas designadas não está coberta pela Garantia de Trânsito Seguro”.Em relação a este incidente, o primeiro grave registado desde a assinatura do memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão na semana passada, Arsenio Dominguez afirmou na quinta-feira que o navio não transitou pelo Estreito de Ormuz em conformidade com o plano de evacuação.

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