CIÊNCIA

Estudantes criam barco autónomo movido a energia elétrica

A Academic Solar Team da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) apresenta esta sexta-feira um catamarã não tripulado, totalmente autónomo e movido a energia elétrica, desenvolvido para mostrar à indústria naval pode ser “mais verde”.
Com uma cúpula inspirada no Palácio de Cristal, do Porto, o barco Cristal é o primeiro protótipo desenvolvido pelos estudantes para ser completamente autónomo, dando mais um passo no “desenvolvimento de novas tecnologias da indústria naval”, explicou à Lusa Gonçalo Marques, líder da equipa FAST FEUP.“Queremos desenvolver novas tecnologias e levá-las para os grandes palcos, que são as competições em que participamos e onde estão sempre presentes empresas de referência do setor. As competições, para além de avaliarem a componente das provas em água, avaliam também a componente de inovação, de sustentabilidade e do próprio design da embarcação”.Fundada em novembro de 2023, por nove estudantes de Engenharia Mecânica, a FAST conta atualmente com cerca de 50 membros de “várias engenharias”, revelou Gonçalo Marques.
O projeto pretende “motivar e demonstrar que a mudança do setor do transporte marítimo para soluções mais sustentáveis é viável”.O responsável diz que a equipa já foi contactada por “duas entidades”, tendo desenvolvido “alguns projetos com a própria indústria”.“A indústria tende a necessitar de soluções eletrificadas, face às várias regulamentações que têm surgido”, explicou.Em 2025, a FAST apresentou o Atlântico, uma embarcação tripulada movida a energia solar que em julho deve iniciar a descida da costa portuguesa.“É a prova final do Atlântico, mostrar que ele realmente é capaz de descer toda a costa portuguesa, de fazer esta travessia. E mostrar também que a mobilidade elétrica no setor naval é também uma realidade. Se um grupo de estudantes consegue ter um barco solar a fazer toda a costa portuguesa, o futuro pode ser mais verde“, vincou Gonçalo Marques.
O Cristal é um catamarã cujo casco, com 1,8 metros de comprimento e 1,12 de largura, “foi inteiramente desenhado e produzido” pelos estudantes, que escolheram como material a fibra de linho, “uma alternativa aos compósitos tradicionais que permite reduzir as emissões de carbono”.Em cima do convés está a cúpula, também produzida em fibra de linho, e na sua superfície exterior estão colados os painéis solares, “que permitem aproveitar a irradiância solar para carregar a bateria, aumentando a autonomia”.“No topo da cúpula estão colocados os olhos do Cristal: a câmara de alta resolução e o LiDAR (Light Detection and Ranging) que utiliza pulsos laser para medir distâncias e detetar objetos como boias e outras embarcações, criando mapas tridimensionais de alta precisão”, descreve a FEUP em comunicado.O sistema propulsivo abdica do tradicional leme, confiando em quatro propulsores posicionados de forma equidistante em relação ao eixo da cúpula, que “permitem que o catamarã rode sobre o próprio eixo, garantindo uma agilidade superior” e “uma excelente margem para acelerações rápidas e manobras evasivas”.

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