CIÊNCIA

Câmara de Gaia critica peso das obras em Santo Ovídio

O presidente da Câmara de Gaia voltou esta sexta-feira a criticar o impacto das obras na estação de Santo Ovídio para a linha de alta velocidade, reafirmando estar contra mais quilómetros no município sem serem em túnel.
“Reiteramos a nossa total oposição a qualquer aumento do número dos quilómetros que atravessem o município sem serem enterrados. Alertamos também para as gravíssimas consequências funcionais e ambientais decorrentes da transferência da estação de Gaia para Mafamude – Santo Ovídio/Avenida da República”, pode ler-se numa carta endereçada quinta-feira por Luís Filipe Menezes (PSD/CDS/IL) à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a que a Lusa teve acesso.Menezes recupera uma posição tomada pela autarquia em novembro de 2025 quanto ao projeto, numa altura em que o Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução (RECAPE) está em consulta pública até segunda-feira.Para o autarca, “nenhuma zona urbana está em condições de suportar o movimento de 200 camiões de terra diários no centro da cidade”, bem como insustentáveis são “mais demolições de habitação ou atividades económicas”, temendo dificuldades económicas para aquela parte de Gaia nos cinco anos de obras.
Não verificámos a possibilidade de construir uma interface rodoviária provisório para servir a estação mais movimentada do município, a de D. João II na Avenida da República”, acrescenta.Menezes apela ainda à APA que tenha em conta todas as matérias de natureza ambiental que neste município estão em causa, “em detrimento de formalidades jurídicas que podem conduzir a outras e diferentes decisões que serão ambientalmente insuportáveis”.Numa declaração enviada aos jornalistas, o vice-presidente, Firmino Pereira, mostra-se preocupado com a diminuição da zona de túneis no traçado que atravessa o município, pelas suas contas, de 9.925 metros para 6.566 metros, bem como a necessidade de investir 20 milhões de euros em “acessos incomportáveis” de ligação do tabuleiro inferior à malha rodoviária urbana do município, a partir da futura ponte.A proposta para inserir a linha de alta velocidade no Porto confirma a existência de uma só ponte sobre o rio Douro, estação de Gaia em Santo Ovídio e uma passagem superior abrigada em Campanhã, constatou a Lusa na sexta-feira.
De acordo com o projeto de execução referente ao troço de Espinho, Porto e Gaia da linha de alta velocidade Porto-Lisboa, em consulta pública até segunda-feira, é possível ver que se mantém a previsão de demolições no Porto, entre as quais 44 habitações, sete atividades económicas (incluindo a bomba de gasolina na Avenida Gustave Eiffel) e três edifícios de outras categorias.Já em Gaia, para onde estavam previstas pelo menos 64 afetações diretas de casas, estas passam a ser de 43, mas o número de empresas aumenta, passando de 22 para 37 entre o projeto de outubro de 2025, chumbado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), e o atual.Para a redução da demolição de habitações em Gaia contribui a não construção de uma estação em Vilar do Paraíso, uma vez que várias casas teriam de ser demolidas na zona de Guardal de Cima para a sua construção, o que já não vai acontecer, mas por outro lado mantêm-se as demolições de várias empresas na zona industrial de São Caetano (15), bem como de nove na zona industrial dos Terços.Em Gaia, a linha de alta velocidade será subterrânea na maior parte do traçado, estando prevista a construção do chamado túnel de Vila Nova de Gaia (3,4 quilómetros), túneis de Negrelos 1 (995 metros) e 2 (190 metros), túnel de Casaldeita (1,9 quilómetros), túnel sob a autoestrada A41 (65 metros) e, mais a sul, já entre Espinho e Santa Maria da Feira, de Cassufas (830 metros).
A estação de Gaia terá os cais de embarque a sensivelmente 60 metros de profundidade acessíveis por elevador e escadas rolantes, e contará com acessos quer a sul, junto à rotunda de Santo Ovídio (com ligação ao cais nascente da estação de metro homónima) e, a norte, junto à atual estação de metro de D. João II, tendo duas grandes claraboias para deixar entrar luz natural.O projeto não inclui a proposta de tornar Santo Ovídio numa praça, como está previsto no Plano de Pormenor para a zona, ou alguma reconfiguração urbanística mais significativa em D. João II, mantendo-se o atual desenho viário com adição de arruamentos a nascente da Avenida da República.A ligação Porto-Lisboa em alta velocidade colocará as duas cidades a cerca de 01h15 de tempo entre si, e terá paragens possíveis em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria.Deverá estar pronta na totalidade em 2032, tal como Porto-Vigo, com estações no aeroporto do Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença.

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