Sismos. Resgate permite retirar bebé dos escombros
RONALD PENA R/EPA
Na escuridão da noite, o trabalho de busca é iluminado por uma lanterna. Um homem aparece de costas a cavar numa pilha de destroços, quando se ouve um choro de bebé. As gargalhadas vêm logo a seguir, para contrastar com o cenário de destruição deixado pelos dois sismos seguidos, de 7,2 e 7,5 de magnitude na escala Richter, sentidos na Venezuela na passada quarta-feira. “Filho!”, ouve-se, no momento em que o homem retira dos escombros um bebé, provavelmente com menos de um ano, coberto de pó. Em poucos segundos a criança vai para o colo do pai. “Olha para ti, meu amor. Grande!”, comemora o homem, já com a criança nos braços.
Frente tanto horror aún hay esperanzas, así fue rescatado este niño luego del terremoto en Venezuela. pic.twitter.com/2mEt7Xhl9A
— Ernesto (@ernestojmro) June 25, 2026O vídeo tem circulado nas redes sociais e mostra um dos poucos momentos de felicidade no meio do caos gerado pelos sismos — até ao momento estima-se haver mais de 40 mil pessoas desaparecidas e o balanço oficial das autoridades venezuelanas é de 188 mortos. A região mais afetada é a de La Guairia, onde mais de 100 edifícios terão desabado, incluindo um hotel de sete andares. Durante as horas que se seguiram aos tremores, ainda sem auxílio de equipas de busca ou do maquinário necessário, foram aqueles que conseguiram salvar-se a assumirem os papéis de salvadores.
“Pensei que ia morrer. Podíamos ouvir os pedaços de betão a partirem-se das paredes”, relata à Al Jazeera Billy Ebrin, que vive num apartamento no sétimo andar em Caracas. Foi acordado pelo barulho do alerta no telemóvel, e imediatamente depois sentiu o prédio a abanar. Ebrin abrigou-se debaixo do vão da porta e rezou, esperando os tremores pararem. Depois, desceu as escadas e dormiu dentro do próprio carro. Na manhã seguinte, juntou-se aos vizinhos, à procura de sobreviventes.Aos poucos, equipas de profissionais e voluntários começaram a juntar-se às residentes que trabalhavam entre os escombros. Foi o caso de um grupo de estudantes de medicina da Universidade Central da Venezuela, que num resgate difícil conseguiu libertar um homem chamado Álvaro, que ficou preso nos destroços de um restaurante em Caraballeda. O vídeo divulgado pela associação de estudantes nas redes sociais mostra como os jovens usaram a lanterna do próprio telemóvel para iluminar o local — enquanto alguns tentavam mover uma estrutura metálica que havia caído sobre o homem e outras vítimas, uma jovem tentava manter Álvaro acordado.Ainda em La Guairia, três crianças foram resgatadas de dentro dos escombros de um edifício residencial, mostra um vídeo partilhado pelo jornal colombiano El Tiempo. O pó ainda está alto no ar quando um menino aparece, como se emergisse de um mar de betão. Na sequência vem outra menina, e depois uma adolescente. “Três crianças. São irmãos”, diz o homem por trás da câmara, que comemora com os outros a vida de cada sobrevivente.










