TECNOLOGIA

De onde vem a risada? Macacos já riam há 15 milhões de anos, diz estudo

Grandes primatas podem rir com um ritmo semelhante ao dos humanos modernos há pelo menos 15 milhões de anos. É o que revela um estudo da Universidade de Warwick (Inglaterra). A descoberta oferece pistas sobre como a fala humana evoluiu.Continua após a publicidadeOs grandes símios (chimpanzés, bonobos, gorilas, orangotangos) riem. No entanto, até agora, não estava claro como o nosso riso poderia ter mudado ao longo de milhões de anos de evolução. E como ele poderia estar relacionado à evolução da fala nos seres humanos.No estudo, publicado na Communications Biology nesta semana, pesquisadores de Warwick analisaram gravações de risadas de quatro orangotangos, dois gorilas, três bonobos, quatro chimpanzés e quatro humanos. Ao longo de 140 sequências de risadas, eles identificaram o mesmo padrão: as espécies produzem risadas com intervalos rítmicos de espaçamento uniforme entre sons sucessivos.Segundo a pesquisa, a natureza isócrona do riso (intervalos sonoros nítidos como “ha ha ha”) provavelmente estava presente no último ancestral comum da família dos hominídeos, que engloba os grandes símios, incluindo parentes extintos como os Neandertais.
A natureza isócrona do riso (intervalos sonoros nítidos como “ha ha ha”) provavelmente estava presente no último ancestral comum da família dos hominídeos, diz estudo – Imagem: Michaela Pilch/Shutterstock
Ao comparar como diferentes espécies riem, podemos perceber que uma estrutura rítmica básica permaneceu inalterada desde o nosso último ancestral comum. Isso é extraordinário.
Chiara De Gregorio, pesquisadora do Departamento de Psicologia da Universidade de Warwick, em comunicado.A análise da equipe revela que “os grandes primatas riem de uma maneira reconhecível para os humanos modernos há pelo menos 15 milhões de anos”. E que os primatas mais próximos dos humanos apresentam risadas mais complexas e variadas, semelhantes à nossa própria diversidade de risadas (gargalhadas, guinchos, bufadas).“É impossível avaliar diretamente as formas precursoras da linguagem em nossos ancestrais extintos”, disse Adriano Lameria, professor do grupo ApeTank, do Departamento de Psicologia da Universidade de Warwick. “O riso, por ser evolutivamente mais antigo e permanecer compartilhado entre os grandes símios vivos, oferece uma rara janela evolutiva para as transformações vocais que ocorreram ao longo da evolução dos hominídeos até o surgimento dos primeiros humanos.”

O professor também disse o seguinte: “Ao contrário da noção clássica de que os primeiros humanos adquiriram repentinamente capacidades de controle vocal notavelmente diferentes das de seus predecessores, a evolução do riso nos mostra que os humanos se situam num continuum – um prolongamento de capacidades de controle vocal que já vinham sendo cumulativamente aprimoradas ao longo de 15 milhões de anos.”

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

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