Recordes climáticos opostos em Moçambique
LUÍSA NHANTUMBO/LUSA
Moçambique registou eventos climáticos raros durante a época chuvosa 2025-2026, com os meses de janeiro e fevereiro classificados como o mais húmido e mais seco registados em 46 anos, respetivamente, indica uma avaliação do Instituto Nacional de Meteorologia.
“De uma maneira geral, grande parte da região sul de Moçambique registou um mês de janeiro mais húmido desde 1981 até então. Algumas áreas das províncias de Maputo, Gaza e Inhambane podem ser consideradas as mais húmidas ao longo destes 46 anos de análise”, lê-se num documento do Instituto Nacional de Meteorologia (Inam) moçambicano, de avaliação climática da época chuvosa 2025-2026, consultado hoje pela Lusa.O sul de Moçambique e centro da província moçambicana de Tete registaram chuvas extremas em janeiro, com consequentes cheias urbanas e “inundações graves” nas bacias hidrográficas do Umbeluzi, Incomati, Limpopo, Save e Búzi, enquanto a região norte e partes do centro registavam chuvas abaixo do normal.Entretanto, em fevereiro o cenário “inverteu-se radicalmente”, com o registo de uma estiagem acentuada e um défice crítico de precipitação na zona sul e centro de Moçambique, “contrastando com a normalização e estabilização do regime de chuvas verificadas na região norte”.
Segundo a avaliação do Inam, o mês de fevereiro “posiciona-se como o mais seco dos últimos 46 anos”, principalmente nas grandes extensões das províncias de Maputo, Gaza e Inhambane, no sul de Moçambique, e na província de Sofala, no centro.“Apesar de registos de chuvas acima do normal climatológico registadas em janeiro último, na região sul, o défice de precipitação de fevereiro de 2026 poderá ter condicionado o desenvolvimento das culturas e pasto devido ao stress hídrico”, indica o Inam.Já as províncias de Manica, Tete e Zambézia, no centro, registaram queda normal de chuvas, refere-se, numa época chuvosa marcada pelo início precoce de queda de chuvas e precipitação acima da média na maior parte do país, além de seca, descargas atmosféricas, calor intenso, chuvas extremas, vendavais e ciclones, fenómenos já característicos destes períodos em Moçambique.“O regime pluviométrico manifestou uma forte irregularidade espacial e temporal, marcada por transições abruptas entre episódios de precipitação extrema que provocaram cheias e inundações em algumas partes do país e longos períodos de dias consecutivos sem precipitação significativa”, indica a avaliação do instituto meteorológico moçambicano.
O Governo moçambicano desativou em 09 de junho o alerta vermelho para as chuvas, que vigorava desde 16 de janeiro, decretado então devido às cheias generalizadas que provocaram pelo menos 43 mortos. O segundo alerta mais elevado, laranja, está agora em vigor.A última época das chuvas em Moçambique matou 314 pessoas, afetou mais de 1,078 milhões de pessoas e atingiu quase 260 mil casas, segundo atualização feita pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).O balanço envolve a época das chuvas, que habitualmente decorre de outubro a abril, e corresponde a 249.053 famílias afetadas neste período em todo o país.Há também registo de 19 pessoas ainda desaparecidas e 361 feridos.Nesta época das chuvas, 211.655 casas foram inundadas, 15.616 casas foram totalmente destruídas e 31.081 parcialmente destruídas.Só as cheias de janeiro, as mais violentas em vários anos, provocaram 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.716 pessoas.
Já a passagem do ciclone Gezani pela província de Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados do INGD.










