CIÊNCIA

Museu de Arqueologia Náutica nos Açores com apoio unânime

Arqueólogos, responsáveis museológicos, políticos e subscritores de uma petição defenderam este sábado a criação do Museu Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática nos Açores, apelando à República para concretizar “o projeto de justiça” para com a história do arquipélago.
A posição foi defendida durante a apresentação do projeto, que decorreu no Museu Arqueológico do Carmo, em Lisboa, tendo os intervenientes sublinhado o consenso político alcançado na região e a importância estratégica do museu para valorizar o património subaquático português, reforçar a investigação científica e assinalar os 600 anos da descoberta dos Açores.Na sessão, o vice-presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses, Luís Raposo, disse que “faz muita falta ao país” ter um Museu Nacional de Arqueologia Naval e Subaquática, apontando o exemplo de Cartagena, em Espanha, como uma referência internacional.Luís Raposo defendeu que a dimensão atlântica dos Açores, aliada ao trabalho desenvolvido na investigação de naufrágios e património subaquático, justifica plenamente a instalação do futuro museu na região.
Nuno Ribeiro Lopes, arquiteto e um dos subscritores da petição que defende a criação do museu, afirmou que esta “não é uma aspiração abstrata, mas uma urgência técnica e patrimonial”, lembrando que os Açores concentram cerca de 15% do potencial arqueológico subaquático nacional e constituem um “autêntico laboratório vivo da história global”.Para o peticionário, “é tempo de a rede nacional dar o exemplo, integrando museus de tutela nacional nos territórios insulares”.Defendeu ainda que Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, reúne as condições naturais, históricas e científicas para acolher a nova instituição nacional e apelou ao Governo da República e aos organismos públicos para que aproveitem a atual oportunidade política.A criação de um Museu Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática nos Açores surgiu na sequência de uma petição com mais de 3.000 assinaturas, que foi discutida na Assembleia Legislativa, tendo o parlamento açoriano aprovado o projeto de resolução que recomenda ao Governo da República a criação do espaço museológico.
José Luís Neto, arqueólogo e também subscritor da petição, considerou que “o museu é um desígnio há muito esperado”, sublinhando que o projeto “obteve unanimidade política em toda uma região”.O arqueólogo sustentou ainda que o projeto permitirá reforçar a investigação, captar financiamento europeu associado à economia azul e criar novos quadros técnicos especializados, sem retirar recursos às estruturas museológicas já existentes.Já a deputada regional do PSD Nídia Inácio destacou que a iniciativa ultrapassou fronteiras partidárias e representa “um ato de justiça para com a história dos Açores, para com a memória marítima de Portugal”.A parlamentar salientou que os museus “criam emprego, atraem investimento e reforçam a identidade e a cultura”, apelando ao Governo da República que encete os esforços necessários para a criação do museu numa Região Autónoma.
O secretário regional dos Assuntos Parlamentares, Paulo Estêvão, garantiu que o Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) está disponível para contribuir financeiramente e logisticamente para a concretização do projeto, que necessita de “resiliência”.Paulo Estêvão defendeu que o futuro museu deverá conferir “uma dimensão nacional à museologia subaquática”.“Os Açores merecem bem um prémio”, sustentou o governante, lembrando que, em 2027, o arquipélago comemora 600 anos de descoberta.Intervindo na sessão, o diretor do Museu Nacional de Arqueologia, António Carvalho, manifestou uma posição “extremamente favorável” à iniciativa, considerando que existe espaço para uma nova instituição no panorama museológico nacional.
Em 2024 começou a ser preparado o projeto de criação de um Museu Nacional de Arqueologia Subaquática, a implantar nos Açores.Segundo a Associação dos Arqueólogos Portugueses, na primeira metade de 2025 procedeu-se à recolha de assinaturas, sendo que os primeiros subscritores foram os anteriores presidentes dos Governos Regionais dos Açores, João Bosco Mota Amaral, Carlos César e Vasco Cordeiro.

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