9h. Já são 89 portugueses e luso-descendentes desaparecidos
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São 9 horas da manhã. Começamos este jornal com a polêmica em torno dos exames nacionais. O Júri Nacional de Exames garante que vai começar hoje a distribuir aos professores as credenciais para a correção das provas de Português do 12º ano. O processo tem sido marcado por atrasos e por vários problemas técnicos e com críticas dos sindicatos de professores. Os exames de Português do 12º ano deveriam ter começado a ser corrigidos na terça-feira da semana passada, só que as credenciais necessárias para fazer esse trabalho ainda não chegaram a todos os professores corretores. É uma novidade este ano, as provas são corrigidas numa plataforma digital, apesar dos alunos continuarem a fazer o exame à mão. Há também relatos de exames que não ficaram completos ou com respostas trocadas. O problema foi assumido pelo Júri Nacional de Exames, que confirmou dificuldades técnicas. Este fim de semana, o Ministério da Educação enviou um comunicado a pedir às escolas e aos professores para que aguardem com tranquilidade novas informações. Em direto neste jornal, temos agora o secretário-geral da FENPROF, José Feliciano Costa. Bom dia, obrigada por estar conosco em direto. Tem já informações desta segunda-feira? Hoje os professores vão começar a poder corrigir os exames nacionais de Português do 12º ano?
Pois, vamos ver. Nós temos informações que provavelmente dizem o contrário. Aliás, continuam a chegar testemunhos de professores classificadores que revelam, de facto, um cenário muito preocupante, profundamente preocupante nesta questão da organização dos exames nacionais. Por exemplo, relatos de professores convocados por escolas onde já não exercem funções, professores que já se apresentaram. Aliás, temos até o relato de uma professora que foi convocada, que já tinha falecido. Colegas que foram convocados para classificadores de disciplinas, uns para as quais já não lecionam há muito tempo. Recebemos aqui relatos de duas professoras de Biologia e Geografia que foram convocadas para corrigir exames de Português e de Português Língua Não Materna, respetivamente. Temos aqui outro relato de um professor de Geografia que foi convocado para corrigir um exame de Francês. Portanto, isto é o que nos vai chegando das escolas. Temos também aqui nota de SMS que foram enviados do centro de digitalização dos exames, onde estiveram a trabalhar durante todo o fim de semana, a pedir a colegas para comparecerem, para fazerem trabalho manual, de separar picotados, separar folhas de resposta. Portanto, isto parece-nos um processo muito caótico, muito preocupante sobre o funcionamento do próprio centro de digitalização de exames. E depois, não há aqui também uma assunção de responsabilidades.
José Feliciano Costa, está aqui a dar-nos muitos exemplos de coisas que não estão efetivamente a correr bem. É o novo processo que está a atrapalhar? São problemas que não costumam acontecer para a correção de exames ou sim?
São problemas que não costumavam acontecer, não costumam acontecer, de facto, com esta dimensão. Evidentemente que um processo que envolve a realização de milhares de exames, provavelmente terá sempre alguns-
Há sempre uma margem de erro aceitável.
Normalmente, são problemas resolvidos nos próprios secretariados de exames das escolas, que neste momento não têm indicação nenhuma. Os próprios contactos que são feitos, as linhas que não dão resposta. Isto, de facto, é um problema complexo, que está muito ligado também a uma reorganização que o Ministério da Educação, Ciência e Inovação fez. Extinguiu um conjunto de estruturas, nomeadamente a Direção-Geral de Educação, que já organizava e organiza exames e com essa experiência de há muitos anos. Uma reorganização, repito, que extingue um conjunto de estruturas, que cria uma agência que supostamente devia gerir a realização dos exames, e isso não está a acontecer. Portanto, agora há aqui uma desresponsabilização e o governo não pode esconder-se atrás destes organismos, tem que dar resposta. O próprio ministro da Educação tem que dar uma resposta. Nós temos que saber, os portugueses têm que saber quem decidiu esta organização, se de facto percebe-se que não estavam reunidas as condições para a implementação, por exemplo, nomeadamente nos exames. E agora, quem é que assume a responsabilidade? Nós estamos a falar de prazos que foram dilatados. Havia inclusive professores que marcaram férias, que tinham já as férias marcadas entre as duas fases dos exames. A própria expectativa de milhares de alunos.
Estamos a falar ainda da data de 10 de julho para a fixação das notas. Ainda é exequível essa data?
A informação que nós tínhamos de sexta-feira é que o ministério tinha prolongado o prazo até 10 de julho, mas que ainda ninguém tinha recebido nada. Portanto, essa informação ainda não tinha sido dada oficialmente. Não sei se já o foi, mas de qualquer forma, os secretariados de exames precisam disto, os professores classificadores precisam desta confirmação.
Portanto, nesta altura, às 9 horas da manhã de segunda-feira, ainda está tudo em aberto. A FENPROF ainda não consegue dizer se os professores estão a começar a receber as credenciais. Todas as indicações para poderem começar a corrigir os exames nacionais.
Exatamente. Neste momento, nós não temos essa informação, mas o que nos foi chegando ao longo do fim de semana e da semana anterior também, de quarta, de quinta e de sexta, de fato, é preocupante e o que se percebe claramente é que há um caos instalado nos exames nacionais e que revela claramente o falhaço da reorganização do Ministério da Educação. Esta é a informação que temos neste momento.
José Feliciano Costa e muito obrigada por tê-la trazido aqui em direto à Rádio Observador, o secretário-geral da FENPROF, dar conta das dificuldades que os professores que vão corrigir as provas de português do 12º ano continuam a ter. Há várias falhas detectadas. O Ministério da Educação pede paciência às escolas e aos professores. As jornadas parlamentares do PS foram retomadas esta manhã. José Luís Carneiro e Eurico Brilhante Dias voltam a apontar-se ao aumento do custo de vida dos portugueses com críticas à AD. O secretário-geral do PS e o líder parlamentar fizeram esta manhã uma viagem de comboio entre a Portela de Sintra e a estação do Rossio, uma viagem acompanhada pelo repórter do Observador, Miguel Gato. Miguel, já houve declarações há instantes. O que disseram os socialistas?
O escolhido para falar foi precisamente o secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, que diz que o governo tem sido insensível àquelas que são as dificuldades da vida dos portugueses e que está mais preocupado com questões de ideologia e de tratar essas questões de ideologia em conluio com o Chega. Este que é um discurso que o PS tem feito nos últimos tempos, nomeadamente ontem, Eurico Brilhante Dias também acusou o governo da AD de estar alheado da realidade dos portugueses. Hoje, essa mensagem é repetida pelo secretário-geral do Partido Socialista. Questionado sobre se a prestação social única foi um ponto de viragem na relação entre o governo e o PS, José Luís Carneiro diz esperar que sim, espera que o governo se vire mais para o Partido Socialista do que para o Chega. Diz que tem sido um governo que não tem estado a seguir um caminho correto e, portanto, espera essa marcha atrás por parte do Executivo AD, foi a expressão utilizada por José Luís Carneiro. Diz também o secretário-geral socialista que o governo tem usado manobras de diversão, como por exemplo, o fundo soberano, para distrair os portugueses daqueles que são realmente os problemas das pessoas. Esta que foi uma viagem, que como disseste, Carla, começou na Portela de Sintra, terminou na estação do Rossio e como creio que é audível, estou aqui ao pé de uma das carruagens que se prepara para fazer precisamente o sentido inverso. José Luís Carneiro e também Eurico Brilhante Dias tiveram contato com várias pessoas nesta viagem, várias pessoas que se levantam cedo para ir trabalhar, também no sentido de apresentar as propostas do Partido Socialista para precisamente os próximos tempos. Esse que também é um dos objetivos das jornadas parlamentares do PS, apresentar as propostas que vão contra aquilo que o governo defende. Pelo menos é isso que diz José Luís Carneiro e também o líder parlamentar, Eurico Brilhante Dias.
As declarações recolhidas pelo Miguel Gato nesta viagem de comboio entre a Portela de Sintra e a estação do Rossio, que marcam as jornadas parlamentares socialistas. Já ontem o presidente do PS, Carlos César, acusou a AD de ter a síndrome de Estocolmo em relação ao Chega. José Luís Carneiro fala também de um namoro entre a AD e o Chega. E Carla, seguimos com uma nova atualização do número de vítimas portuguesas dos terremotos na Venezuela. Subiu para 89 o número de cidadãos portugueses e lusodescendentes desaparecidos ou incontactáveis. É o que dá conta o novo balanço divulgado na última hora pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros ao Observador. O número de vítimas mortais portuguesas ou lusodescendentes mantém-se nos 53. Destes, oito eram crianças. Há um registro, no total, até agora, de 1450 mortes, mais de 3 mil feridos e quase 50 mil desaparecidos. As equipes de busca e salvamento estão no terreno à procura de sobreviventes. No fim de semana foram resgatadas com vida 33 pessoas. O presidente da Assembleia Nacional fala em horas críticas para encontrar sobreviventes. Rui Casanova.
Isto apesar da janela de 72 horas, considerada decisiva em situações de catástrofe como esta, para encontrar pessoas com vida, já ter chegado ao fim. Jorge Rodríguez mantém a esperança e afirma que as operações de busca e salvamento vão continuar no terreno. A presidente interina da Venezuela também já tinha transmitido esta mensagem de esperança e confiança nas equipas e com o objetivo de encontrar mais sobreviventes. Ao longo do fim de semana, foram resgatadas com vida 33 pessoas, como dissemos há pouco. Uma delas foi Moisés, um rapaz de 11 anos que ficou preso nos escombros e foi agora encontrado com vida.
Vamos a mover-te muito, pero te vamos a dejar caer. ¿Listo? Sácame la lengua. Muy bien.
É um momento de felicidade e esperança que ouvimos aqui em fundo, através de vídeos divulgados nas redes sociais. Ouvimos as equipas de resgate a darem indicações ao rapaz e depois aplaudem, mostram-se felizes pelo sucesso desta missão. A imprensa internacional destaca que estas operações de busca e salvamento têm estado a decorrer com as equipas que chegam de todo o mundo, incluindo Portugal, mas também com muita ajuda de populares, que muitas vezes recorrem a ferramentas rudimentares para procurar sobreviventes entre os escombros. Neste momento, a falta de energia e água potável são dos principais problemas, sobretudo em Caracas, uma das zonas mais afetadas pelos sismos, além da zona de La Guaira. Há também falhas nas comunicações, o que dificulta os trabalhos e as operações das equipas no terreno. Para já, as escolas venezuelanas continuam fechadas.
Rui Casanova, com o ponto de situação na Venezuela. A UNICEF estima que quase dois milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária, sobretudo crianças. São 9h12. Já a seguir, o explicador precisamente sobre os terremotos na Venezuela com Fernando Carrilho, chefe da divisão de sismologia do IGMA. Primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque. O ministro da Administração Interna volta a reunir-se esta manhã com associações da GNR e sindicatos da PSP. Em cima da mesa vai estar a revisão do regime remuneratório, que o governo se comprometeu a fazer até o final do ano. Luís Neves recebe no ministério os sindicatos da PSP e depois as associações da guarda. A reunião está marcada para esta hora. A Operação Erva de Ninho visa 13 arguidos e 11 sociedades comerciais. A investigação começou em 2022 e desmantelou uma rede de tráfico de droga internacional. Sabe-se agora que a rede utilizava licenças do Infarmed para cannabis medicinal para encobrir o tráfico de estupefacientes. Em causa estão crimes como branqueamento de capitais, falsificação de documento, tráfico de estupefacientes e associação criminosa. É o que indica a acusação a que o Observador teve acesso. Atenção ao calor. Cinco distritos do interior estão hoje sob aviso amarelo por causa das temperaturas altas. Amanhã, este aviso é alargado a outros dois distritos do Norte. Portugal continental vai estar nos próximos dias afetado por uma vaga de temperaturas elevadas. Os termômetros podem chegar aos 40 graus. A Europa também continua a ser afetada pelo calor, com vários países a baterem temperaturas recorde.










