CIÊNCIA

Brasil critica iniciativas unilaterais no Mercosul

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, defendeu esta segunda-feira maior coesão no Mercosul e criticou iniciativas unilaterais de Estados-membros para negociar acordos comerciais fora do bloco, afirmando que elas enfraquecem a integração regional.
Num discurso na 68.ª Reunião do Conselho do Mercado Comum, em Assunção, no Paraguai, Vieira disse que o Mercosul vive um “momento paradoxal”, com avanços históricos nas negociações externas e dificuldades crescentes para preservar a união aduaneira.“Precisamos examinar claramente e com honestidade os factos e decidir com franqueza qual destino queremos dar ao Mercosul: se avançaremos como união aduaneira — ainda que imperfeita — ou se nossa prioridade não é mais essa”, afirmou.Sem citar países, Vieira disse que o Brasil tomou conhecimento, por parceiros regionais e pela imprensa, de iniciativas conduzidas à margem do Conselho de Ministros. Segundo o ministro, essas ações desrespeitam decisões que determinam negociações conjuntas com parceiros externos.
Vieira afirmou que essas iniciativas prejudicam a credibilidade do Mercosul perante países que já assinaram acordos com o bloco ou mantêm negociações em andamento, ao transmitirem sinais contraditórios sobre a atuação conjunta dos Estados-membros.“Essas iniciativas não estão em consonância com as decisões que determinam negociações em conjunto com parceiros externos”, indicou. “Isso não é negativo somente para dentro; manda um sinal errado para os parceiros externos, tanto os que já assinaram acordos como aqueles com quem estamos em tratativas [negociações]”, avaliou.Mauro Vieira também alertou para os efeitos das exceções à Tarifa Externa Comum (TEC) ao dizer que novas flexibilizações fragilizam a união aduaneira e podem levar à reavaliação do próprio processo de integração regional.“Mais perfurações à tarifa externa comum não levarão ao desenvolvimento que todos almejamos e podem, na verdade, levar a resultados que não interessam a ninguém”, declarou.
Para o diplomata brasileiro, diante do grau de integração alcançado, “a política realista é a ação coletiva”, enquanto “o irrealismo são as iniciativas paralelas e unilaterais”, que desviam esforços das negociações internacionais conduzidas pelo Mercosul.Vieira destacou que o comércio entre os Estados-membros cresceu mais de onze vezes desde 1991, alcançando cerca de 51 mil milhões de dólares (44,6 mil milhões de euros) em 2025. Também realçou a recente assinatura do acordo com a União Europeia e o avanço das negociações com Japão, Canadá, Vietname e Índia.O ministro defendeu ainda um acordo entre os membros para distribuir as quotas tarifárias previstas no tratado com a União Europeia, com base em critérios transparentes e objetivos, evitando novas disputas a cada acordo firmado pelo bloco.Ao encerrar, Vieira reafirmou que os países precisam escolher entre fortalecer a integração ou retroceder.“Repito: temos que decidir se seguimos unidos obtendo ganhos expressivos para nossas populações ou se optamos por regredir para um cenário anterior ao do Tratado de Assunção”, concluiu.

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