CIÊNCIA

Renova. "Aqui os investimentos nunca acabam"

Em 12 anos foram mais de 150 milhões de euros de investimento. Recentemente 11 milhões de euros foram destinados à instalação de uma central de biomassa que vai substituir a utilização de gás no processo de secagem na produção de papel e 25 milhões no armazenamento — incluindo um armazém totalmente automatizado que com 40 metros de altura (só a tubagem anti-incêndios se colocada numa linha reta atinge uma comprimento equivalente à distância entre Torres Novas e Lisboa). Este é o investimento industrial da Renova, a empresa mais conhecida pelo papel de bens de consumo como papel higiénico, guardanapos, rolos de cozinha, lenços.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

“Nunca acaba”, realça ao Observador Paulo Pereira da Silva, presidente da Renova, para dizer que os investimentos são contínuos. “São constantes ao longo do tempo nem se dá muito pelos valores em causa só na área industrial”, tinha dito uns minutos antes na apresentação do projeto Descarbonizar@Renova, que contou esta segunda-feira, 29 de junho, com a presença do secretário de Estado da Energia, Jean Barroca.Paulo Pereira da Silva assume há sempre “muito caminho” e é um “processo que não tem fim”.A central de biomassa — que representa um investimento de 11 milhões com um apoio de 5,9 milhões de fundos públicos (nomeadamente vindos do PRR) — tem o objetivo de produzir vapor para o processo de secagem do papel. A central funciona com matéria prima de dois fornecedores certificados — não identificados — recebendo a empresa cerca de 90 toneladas por dia de biomassa. A empresa garante que não tem tido problemas em arranjar matéria-prima para a unidade de biomassa. Substituiu o gás natural — um total de 125.265 MWh/ano — neste processo, ajudando a reduzir 62 mil toneladas de CO2 por ano, menos 50,6% de reduções efetivas das emissões de gases com efeito de estufa — um valor efetivo superior ao previsto quando foi contratualizado o apoio no PRR.
Com isto a Renova consegue “poupança energia, competitividade, redução da pega carbónica e coerência para os nossos produtos. Não é só ter produto”, diz o seu presidente que vê tudo interligado.Mas na produção elétrica a autosuficiência ainda vem longe. Ainda assim os inúmeros painéis fotovoltaicos na fábrica da Renova em Torres Novas alimentam 8% do seu consumo. “Quanto mais independentes estivermos, melhor”, assume ao Observador Paulo Pereira da Silva, admitindo que o autoconsumo a 100% é de difícil alcance.A Renova realça o seu papel na inovação de um produto indiferenciado. Se o problema em Portugal é “não termos marcas”, a Renova conseguiu criar “uma relação com as pessoas”. “É diferente vender só moléculas ou átomos com marca de terceiros”, indica Paulo Pereira da Silva, que realça que a Renova é, assim, líder “desde sempre em Portugal e uma marca historica e forte”. Só que Portugal era pequeno para a empresa e a internacionalização foi o passo seguinte. E hoje o internacional pesa 60% do negócio da Renova.

DIOGO VENTURA/OBSERVADOR

Nesta resenha histórica, o presidente da empresa assume que internacionalizar a marca era a “única maneira de sobreviver e desenvolver”. E hoje não tem dúvidas: “É possível ser uma marca conhecida no mundo mesmo em produtos indiferenciados”. Mas mesmo aqui a Renova fez a diferença. Deu cor ao papel higiénico e aos guardanapos. Promoveu produtos “amigos do ambiente” e agora ainda transforma roupa usada em papel higiénico.
É o TextilPapier lançado em 2025, que utiliza fibras têxteis no papel (em vez de celulose). O desperdício de têxteis e a sua baixa reutilização — apenas 1% do vestuário é reciclado — foi o ponto de partida. Paulo Pereira da Silva assume que esse papel não está a ser vendido a um valor premium. É um produto na estratégia sustentável da empresa que fabrica no Ribatejo.Jean Barroca mostrou-se rendido à Renova, falando da empresa como uma marca portuguesa com “uma filosofia única, verdadeiramente inovadora”, com uma “história muito própria”. É, disse ainda, o exemplo de uma empresa “que soube olhar para o seu setor de forma diferente”. “Mais do que uma marca é um legado”, conclui, realçando a ligação entre indústria, renováveis e competitividade naquela que se intitula a empresa “do papel mais sexy do mundo”.

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