Confrontos com a polícia nos Países Baixos após eliminação
▲A equipa de Marrocos está pronta para o Canadá, segundo o treinador, que destacou a qualidade da seleção
Getty Images
Logo às seis da manhã, depois de confirmada a eliminação dos Países Baixos do Mundial, os adeptos da seleção marroquina saíram de casa para celebrar a vitória, a buzinar pela cidade de Haia. Mas pouco tempo passou até ao clima de festejo mudar e os confrontos começarem.
Como relatou a NOS, os polícias foram atingidos por garrafas, pedras, artefactos pirotécnicos e disparos de armas de pressão. Para dispersar adeptos, as forças de segurança decidiram usar um canhão de água e, na sequência de crimes de violência pública e de perturbação da paz, prenderam treze pessoas.
Police in The Hague, Netherlands are forced to deploy a water cannon on a gang of violent Moroccan migrant thugs, who are wreaking havoc on the city after Morocco’s World Cup win last night. pic.twitter.com/hKjA7T7gvp
— Overton (@overton_news) June 30, 2026O presidente da Câmara de Haia, Jan van Zanen, elogiou a atuação da polícia, destacando que estava bem preparada e que rapidamente restabeleceu a ordem pública. “A violência contra polícias é inaceitável e não tem lugar na celebração de um festival de futebol”, declarou, citado pela West.
???????????????? Polícia holandesa usa cassetetes para dispersar festa marroquina após vitória da seleção de Marrocos sobre os Países Baixos nos 16 avos de final da Copa do Mundo. Torcedores foram detidos. pic.twitter.com/RWjGNLCm1F
— Eixo Político (@eixopolitico) June 30, 2026No entanto, vários moradores de Schilderswijk, uma região de Haia, disseram que a polícia interveio de forma desnecessária e severa. Tara, de 38 anos, explicou: “Todos estão felizes, saem de casa, têm fogos de artifício, o clima é agradável. E aí a polícia chega, com uma atitude agressiva, mandando as pessoas embora ou cercando-as“. Também outro residente contou que os polícias chegaram e “começaram a bater na hora”.Este ambiente de tensão contrastou com o de outras grandes cidades, onde reinou a paz. Na zona oeste de Amsterdão, quando acabou o jogo, os pubs e outros recintos começaram a esvaziar e algumas pessoas seguiram diretamente para o trabalho, descreveu o The Guardian. Além disso, os adeptos neerlandeses mostraram-se dignos na derrota: deram os parabéns aos seus opositores pela vitória merecida, trocaram abraços calorosos e prometeram apoiar Marrocos no que resta do torneio. Ainda houve alguns agentes da polícia posicionados na praça Mercatorplein, palco de alguns confrontos violentos após jogos anteriores de Marrocos, mas não houve necessidade de intervir.
Já nas redes sociais, ainda antes do jogo, a atmosfera revelou-se bastante hostil, sobretudo após declarações do político de extrema-direita Geert Wilders. Conhecido pelos seus ataques verbais à comunidade muçulmana — que representa cerca de 440 mil cidadãos nos Países Baixos — Wilders recorreu a imagens geradas por inteligência artificial para atacar os jogadores de Marrocos, simulando que ele próprio era um árbitro a dar um cartão vermelho à equipa.
Komt goed. pic.twitter.com/9YUzeWsOkJ
— Geert Wilders (@geertwilderspvv) June 26, 2026A ascensão de Wilders e de outros partidos de direita tem sido apontada por jogadores de origem neerlando-marroquina como uma das razões para optarem cada vez mais por apoiar Marrocos, como é o caso de Noussair Mazraoui, Sofyan Amrabat e Anass Salah-Eddine. Políticos e comentadores da ala direita criticaram esta escolha, considerando-a uma falta de lealdade para com o país de nascimento.
Tendo perdido o jogo, o selecionador Ronald Koeman recebeu várias críticas por utilizar uma linha de cinco defesas, abdicando do habitual futebol ofensivo do país, para jogar em contra-ataque. Na conferência de imprensa a seguir à partida, Koeman assumiu que o faria outra vez e recusou demitir-se, preferindo decidir o seu futuro mais tarde.Do lado de Marrocos, o selecionador Mohamed Ouahbi confessou-se surpreendido com a postura defensiva neerlandesa, mas viu-a como um sinal de respeito, de acordo com a Morocco World News. Confiante para o duelo seguinte frente ao Canadá, o técnico afirmou: “O Mundial no Qatar mudou a mentalidade da seleção marroquina. Somos imparáveis se jogarmos o futebol que sabemos jogar”.










