Moçambique. Ajuda chegou a menos de metade da população
▲Os distritos com necessidades mais elevadas continuam longe da cobertura prevista
LUÍSA NHANTUMBO/LUSA
Cerca de 520 mil pessoas receberam assistência humanitária nos primeiros cinco meses deste ano nas zonas afetadas pelos ataques terroristas no norte de Moçambique, menos de metade da população com necessidades, segundo dados das Nações Unidas divulgados esta quarta-feira.
De acordo com o relatório operacional do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) com dados até 31 de maio, o apoio humanitário na região, essencialmente na província de Cabo Delgado, chegou de “alguma forma” a 46% da população-alvo desta ajuda neste período.Essa operação abrange 17 distritos de Cabo Delgado, dois da província de Nampula e um de Niassa. Segundo o relatório, “o plano visa 1,1 milhão de pessoas, das quais 919.000 são hiperpriorizadas” e vivem em distritos classificados com o nível quatro de severidade, numa escala até cinco.A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 5 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
O OCHA destaca no documento que a maior parte da assistência foi entregue por parceiros no terreno, alcançando 364.000 pessoas. Excluindo a assistência alimentar, 263.000 pessoas foram alcançadas através de apoio multissetorial nas áreas da saúde, proteção, água, saneamento e higiene, e abrigo, enquanto 187.000 crianças acederam a serviços de educação, nutrição e proteção.Os beneficiários do apoio humanitário incluem, globalmente, cerca de 296 mil crianças e entre os distritos com maior número de pessoas alcançadas figuram Erati, em Nampula, com 71.000, Mueda, com 60.000, Muidumbe, com 56.000, e Macomia, com 51.000, todos em Cabo Delgado.Apesar dos progressos, os distritos com necessidades mais elevadas continuam longe da cobertura prevista, com o relatório a assinalar que, “nas áreas de maior necessidade”, casos dos distritos de severidade quatro, “os esforços de assistência alcançaram 282.000 pessoas, contra uma meta de 919.000”.No financiamento, o documento indica que o Plano de Necessidades e Resposta Humanitária para 2026 requer 348 milhões de dólares (305,2 milhões de euros) para responder às necessidades mais urgentes. Contudo, até ao final de maio, os doadores tinham disponibilizado apenas 114 milhões de dólares (100 milhões de euros), correspondente a 33% do montante necessário.
Os Estados Unidos mantêm-se como principal financiador, com 83 milhões de dólares (72,8 milhões de euros), seguidos pelo Fundo Central de Resposta a Emergências das Nações Unidas (CERF), com 9,5 milhões de dólares (8,3 milhões de euros), e pela Alemanha, com 7,3 milhões de dólares (6,4 milhões de euros).O OCHA alerta ainda que a pressão financeira é impactada por novas necessidades humanitárias, sublinhando que “a lacuna de recursos é ainda mais agravada por 187 milhões de dólares [164 milhões de euros] adicionais necessários para o aditamento relativo às cheias, destinado a apoiar 620.000 pessoas afetadas pelas inundações no sul de Moçambique”.A organização ACLED registou 11 eventos violentos nas duas primeiras semanas de junho na província moçambicana de Cabo Delgado, todos envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram oito mortos, elevando para 6.632 os óbitos desde 2017.De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 1 a 14 de junho, dos 2.408 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.224 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).










