África do Sul: milhares protestam contra imigração ilegal
▲Episódios de violência esporádica causaram pelo menos 11 mortos
STRINGER/EPA
Milhares de manifestantes protestaram esta terça-feira em várias zonas da África do Sul contra a imigração ilegal, um novo episódio da vaga xenófoba que já levou ao repatriamento de 25.000 imigrantes, dos quais 738 moçambicanos.
Os manifestantes anti-imigração na África do Sul, nação vizinha de Moçambique, deram até esta terça-feira para todos os estrangeiros abandonarem o país e o Governo anunciou nos últimos dias restrições às políticas migratórias e o reforço da segurança.A Polícia sul-africana, temendo excessos, mobilizou-se em força por todo o país e, até ao momento, foi registado um número limitado de incidentes.Vários ajuntamentos também deram origem a cenas de forte tensão: em Germiston, perto de Joanesburgo, manifestantes tentaram invadir um recinto para expulsar estrangeiros, obrigando a Polícia a intervir.
O dia ficou marcado por uma atividade reduzida nos grandes centros urbanos, onde muitas lojas permaneceram fechadas e o trânsito esteve muito condicionado.Na manifestação em Durban, foram exibidos cartazes onde se podia ler: “Parem de esconder os estrangeiros ilegais. Parem de os empregar e de lhes arrendar casa”.“Tenho dificuldades em arrendar casa porque as rendas são muito altas, e os estrangeiros em situação irregular conseguem pagá-las porque vendem droga à nossa população”, acusou Brightness Gumbi, de 48 anos, que gere uma pequena cantina num bairro de lata e participava na marcha.A África do Sul já viveu episódios violentos de cariz xenófobo, nomeadamente em 2008 e 2015, mas, de forma inédita, mais de 25.000 cidadãos de vários países africanos – Maláui, Zimbabué, Moçambique, Nigéria, Gana, entre outros – fugiram nas últimas semanas, sobretudo em autocarros fretados pelos seus países ou pela África do Sul.
O movimento atual resultou em episódios de violência esporádica que causaram pelo menos 11 mortos – nove moçambicanos, um etíope e um malauiano – e em algumas cenas de saques a lojas geridas por estrangeiros.Discursando em Durban, uma das figuras do movimento e líder do grupo “March and March”, Jacinta Ngobese-Zuma, prometeu organizar novas manifestações todas as quintas-feiras.“Nos próximos seis meses, queremos que o Governo se livre das pessoas que não se foram embora”, lançou.Cerca de três milhões de estrangeiros, ou seja, 5,1% de população, vivem no país do antigo Presidente Nelson Mandela, segundo as estatísticas oficiais, atraídos por perspetivas de emprego na maior economia do continente.
Esta nova vaga antimigrantes insere-se também no contexto eleitoral das autárquicas de 4 de novembro, que continuam a ser fortemente disputadas.“Há partidos políticos a fazer demagogia (…). Desfilam apresentando-se como anti-imigração”, explicou à agência France-Presse (AFP) o politólogo Sandile Swana, citando, entre outros, os partidos MK do ex-Presidente Jacob Zuma e o Action SA.Por outro lado, as organizações anti-imigrantes culpam os imigrantes dos muitos males que assolam uma grande parte da população, como o desemprego em massa, acima dos 32%, a criminalidade galopante, o tráfico de droga e os serviços de saúde sobrecarregados.










