DGS divulga recomendações de proteção das temperaturas altas
▲Os distritos de Lisboa e Setúbal vão estar sob aviso vermelho, o mais grave
HUGO DELGADO/LUSA
A Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgou esta quarta-feira recomendações aos municípios para protegerem as populações das temperaturas elevadas e ondas de calor, alegando o “papel de proximidade essencial” que desempenham na preparação e resposta a esses fenómenos.
“Os municípios e freguesias têm um papel de proximidade essencial na preparação e resposta a estes eventos, em articulação com os diferentes parceiros”, salienta o guia, alertando que as alterações climáticas têm aumentado a frequência, a intensidade e a duração das ondas de calor em Portugal e na Europa, constituindo um “importante problema de saúde pública”.A DGS aponta quatro grupos de populações mais vulneráveis – pessoas com mais de 65 anos, crianças com menos de cinco anos e grávidas; pessoas com doenças crónicas e deficiência ou dependência, incluindo acamados ou com mobilidade reduzida; que vivem sozinhas ou em situação de sem-abrigo; e trabalhadores expostos ao calor e pessoas institucionalizadas.Ao nível do planeamento, a DGS recomenda aos municípios que considerem incluir nos Planos Municipais de Emergência e Proteção Civil ações específicas para temperaturas extremas, que estejam alinhadas com o Plano Nacional de Preparação e Resposta Sazonal em Saúde para Temperaturas Extremas Adversas.
Devem ainda garantir, em parceria com várias entidades, a sinalização de pessoas mais vulneráveis, mantendo atualizada essa listagem, assim como realizar contactos preventivos e promover, sempre que possível, visitas domiciliárias, refere o documento.Já ao nível das medidas comunitárias, a direção-geral aconselha que sejam abertos locais de abrigo temporário (zonas de arrefecimento), que seja disponibilizada água potável, garantido o bom funcionamento dos bebedouros públicos e prolongado os horários de bibliotecas, piscinas e equipamentos climatizados de proximidade.Para os espaços públicos, o documento sugere que sejam reforçadas as zonas de sombra, instaladas estruturas temporárias de sombreamento e arrefecimento e a adaptados os horários dos trabalhos municipais realizados no exterior.Os municípios devem ainda assegurar a coordenação permanente entre a autoridade de saúde e unidade local de saúde da sua região, mas também com os bombeiros, as forças de segurança, a Cruz Vermelha Portuguesa, a Segurança Social e instituições sociais.
A DGS deixa ainda um alerta para os municípios terem uma especial atenção na adequação das medidas nos bairros e zonas com grupos mais vulneráveis ou com maior pobreza energética.As autoridades de saúde preveem um aumento da mortalidade nos próximos dias, em que está prevista uma onda de calor, com temperaturas máximas que podem chegar aos 44 graus, disse esta quarta-feira a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo.Os distritos de Lisboa e Setúbal vão estar sob aviso vermelho, o mais grave, por causa do calor a partir de quinta-feira, estendendo-se na sexta-feira a Coimbra e Leiria, segundo o IPMA.A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) apelou esta quarta-feira à “proibição liminar” do uso de fogo, sobretudo junto a áreas florestais, devido às elevadas temperaturas, salientando que serão disponibilizados abrigos climatizados para refúgio das populações mais fragilizadas.
O presidente da ANMP, Pedro Pimpão, sublinhou que os municípios estão preocupados com o calor previsto para os próximos dias, com temperaturas acima dos 40º celsius, e preparados para aplicar os respetivos planos de emergência, com medidas de apoio para que as populações possam superar da melhor forma o impacto do calor.










