Lagarde sinaliza juros sem mexidas. Warsh jura independência
▲Kevin Warsh participou no Fórum BCE, em Sintra, pela primeira vez como presidente da Fed.
Sérgio Garcia/Your Image for ECB
A presidente do BCE, Christine Lagarde, sinalizou nesta quarta-feira, em Sintra, que a autoridade monetária não irá subir as taxas de juro na próxima reunião do Conselho, a 23 de julho – ou seja, não será repetida a subida que foi decidida em junho (e que Lagarde continua a defender como correta). Já o norte-americano Kevin Warsh, sentado na mesma mesa-redonda do Fórum BCE, não abre o jogo sobre qual poderá ser a trajetória dos juros mas garante que será “independente” dos desejos de Trump.
“O nosso negócio é promover a estabilidade dos preços” e, “quando olhamos à nossa volta, vemos os preços a subir [com alguma rapidez]”, afirmou o estreante Kevin Warsh que substituiu Jerome Powell na liderança do banco central mais poderoso do mundo. Ainda assim, sem abrir o jogo sobre o resultado da “discussão familiar” que terá lugar daqui a quatro semanas na Reserva Federal (Fed), entre os membros do comité que decide os juros da Fed, Warsh salientou que as expectativas de inflação nos EUA têm vindo a reduzir-se.O novo presidente da Fed quis, no entanto, reforçar que “se alguém achasse que nós íamos ser um banco central que iria permitir que a inflação se mantivesse acima de 2% então vai dececionar-se“. Será assim mesmo que Trump continue, como fez nos últimos tempos de Powell, a exigir descidas nos juros? “Somos um banco central independente há muito tempo e não vai haver alterações a esse nível“.Reserva Federal. Mesmo “escaldado” com Powell, Trump volta a nomear um republicano que pensa pela própria cabeça: Kevin Warsh
Ao contrário da decisão do BCE, que subiu os juros em 25 pontos-base, a Fed decidiu manter as taxas de juro inalteradas na última reunião (a 17 de junho). Kevin Warsh não abre o jogo sobre aquilo que poderá ser decidido na próxima reunião, considerando que dar “orientação futura [aos mercados financeiros] não é a melhor opção, neste momento“.Warsh tem sido criticado por comunicar pouco com os mercados financeiros, dando poucas pistas sobre a estratégia de política monetária da Fed, mas responde a essas críticas salientando que nas últimas semanas “a volatilidade tem sido menor e as taxas de juro [das obrigações do Tesouro dos EUA] estão mais baixas”. O presidente da Fed salientou que os bancos centrais têm de olhar de forma mais abrangente para os “tempos entusiasmantes” que vivemos, designadamente com a revolução da Inteligência Artificial em curso.“Quem é que adivinhou, quando surgiu a internet, que a internet ia criar tantos milhões de empregos?”, questionou Kevin Warsh, garantindo que não é um “pessimista” acerca do impacto da IA nas economias.IA já supera os humanos em 80% das “tarefas” cumpridas por trabalhadores de “colarinho branco”, diz economista-chefe da criadora do ChatGPT
Por seu lado, Lagarde, embora nos últimos dias tenha dito que o BCE não quer dar orientação futura aos mercados – como fez no passado recente, com o último surto inflacionista –, sinalizou que não haverá razões para subir os juros em julho, algo que tem sido admitido por outros responsáveis do banco central.Os comentários de Lagarde surgiram no dia em que se soube que a inflação na zona euro abrandou em junho, após um pico provocado pela guerra com o Irão, que fez subir os preços da energia. Os preços no consumidor na área da moeda única, composta por 21 países, subiram 2,8% em comparação com o mesmo mês do ano anterior, face aos 3,2% de maio, informou a agência de estatísticas da UE, o Eurostat.








