63 afogamentos de crianças e jovens entre 2000 e 2024
▲Os acionamentos através do 112/ INEM para afogamentos e acidentes de mergulho ultrapassam as 100 ocorrências anuais desde 2020
JOSÉ COELHO/LUSA
Mais de 60 crianças e jovens morreram afogadas e 57 necessitaram de tratamento hospitalar em Portugal entre 2020 e 2024, sendo na maioria rapazes adolescentes e sobretudo no verão, segundo dados divulgados esta quinta-feira.
Entre “2020 a 2024, 63 crianças e jovens perderam a vida por afogamento e 57 necessitaram de internamento hospitalar. Adicionalmente, o 112 reencaminhou para o CODU/INEM um total de 588 ocorrências médicas relacionadas com afogamentos e acidentes de mergulho”, refere a Guarda Nacional Republicana e Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI), num comunicado conjunto.A GNR e a APSI avançam que na próxima semana vão lançar uma nova campanha para combater o afogamento infantil, tendo em conta “o aumento preocupante da mortalidade nos últimos anos”, maioritariamente em rios, albufeiras e locais não vigiados, após uma “redução expressiva de mortes e internamentos nas últimas duas décadas”.“Se, numa perspetiva de longo prazo (2002-2024), o país registou um decréscimo acentuado no número de mortes (de 28 para 8) e de internamentos (de 49 para 13) o cenário recente exige um estado de alerta redobrado”, precisa a nota.
Os balanços com dados oficiais são feitos de dois em dois anos, como explicou à agência Lusa fonte da APSI, daí o balanço divulgado esta quinta-feira ser entre 2020 e 2024.De acordo com o mais recente balanço da APSI, entre 2020 e 2022 o número médio de mortes anuais por afogamento fixou-se em 15, o que representa mais do dobro da média registada no triénio anterior (7,3).“Embora os dados oficiais de 2023 (10 mortes) e 2024 (8 mortes) mostrem uma melhoria, os valores mantém-se acima do mínimo histórico alcançado no período de 2017 a 2019“, sublinha a associação.Segundo dados preliminares da APSI, baseados na imprensa, no ano passado registaram-se 33 casos de afogamento e 12 mortes.
Os acionamentos através do 112/ INEM para afogamentos e acidentes de mergulho ultrapassam as 100 ocorrências anuais desde 2020, indicam os dados das duas entidades.A análise detalhada por faixas etárias evidencia vulnerabilidades distintas ao longo do crescimento, com 20 mortes e 21 internamentos dos zero aos quatro anos, com cinco mortes e oito internamentos dos cinco aos nove anos.Dos 10 aos 14 anos foram indicadas 10 mortes e 10 internamentos, enquanto dos 15 aos 19 anos foram registadas 28 mortes e 18 internamentos.Segundo a APSI, registou-se uma redução de casos em poços e tanques, mas observou-se “um crescimento continuo de acidentes em planos de água naturais, como rios, ribeiras, lagoas e praias”. Estes locais afetam predominantemente os jovens dos 10 aos 14 anos e dos 15 aos 19 anos.
Face a este cenário, a GNR e a APSI, em ações de sensibilização às populações, apelam a que a segurança em torno da água não seja negligenciada, alertando que “o afogamento é rápido, silencioso e pode acontecer em muito poucos centímetros de água”.A supervisão ativa e constante por parte dos adultos, a instalação de barreiras verticais em piscinas domésticas, a vigilância por profissionais qualificados (nadadores-salvadores) de zonas de banho e mergulho e a existência de equipamento de socorro junto a planos de água não vigiados continuam a ser as ferramentas mais eficazes para salvar vidas, alertam ainda.










