Lei Prestianni ainda é falada e um português em destaque
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Vamos a mais uma edição do “Sem Falta” especial Campeonato do Mundo, como sempre com o Pedro Henriques. Pedro, sê muito bem-vindo a este “Sem Falta” especial no Mundial. Vamos começar, como habitualmente, com os destaques. O que queres destacar, Pedro Henriques, ao longo destes últimos dias de Campeonato do Mundo?
Muito boa tarde. Esta semana houve efetivamente muitos jogos a acontecer e, portanto, o difícil foi selecionar os respetivos destaques. Eu destacaria três ou quatro lances que acabam por ir também quase bater naquilo que depois é a nossa rúbrica da Lei Traduzida e por isso também para aí tive que escolher só uma coisinha, porque há muita coisa a acontecer. Em primeiro lugar, a questão daquilo que nós podemos chamar de a Lei Presteana. E por quê? Porque surgiu aqui algumas dúvidas relativamente a essa questão. Nós tivemos um jogador que viu o respetivo cartão vermelho por ter colocado a mão na boca e de repente começaram a circular fotografias, e são fotografias reais, obviamente, quer do Messi, que está a falar com um colega, quer agora mais recentemente, penso que do jogador inglês, que de repente estava a falar com o seu adversário também com a mão na boca. E as pessoas perguntam: “Mas por que um foi expulso e por que estes não são expulsos?” A lei não diz que um jogador que coloca a mão na boca e que esteja a falar com outra pessoa qualquer, que seja expulso. Diz claramente que este tipo de conversa que ele vai ter, tem que ser sempre com o adversário e em situação de conflito. O que isso significa? No caso concreto do Messi que está a falar com o colega, está tudo ok. Portanto, não há qualquer circunstância. Em relação ao jogador inglês que estava a falar com o adversário, é preciso que seja numa situação de conflito. E as pessoas perguntam: “Mas como é que sabem que há uma conflituidade ou não?” Sabe-se porque de repente houve uma decisão de uma bola que foi discutida, os jogadores embrulharam-se, de repente veio mais não sei quantos, e quando há essas discussões ou quando há essa conflituidade, se alguém tapar a boca e estiver a falar, é aí que se enquadra. Poderão também dizer: “Mas acabou o jogo, está tudo tranquilo” e o jogador também pode ter com o adversário e tapar a boca para o ofender. Claro que esse é o risco que se corre. Esta é uma lei um bocadinho ambígua, de tal maneira que se percebe o objetivo, que é evitar aquilo que possam ser os tais insultos e, sobretudo, situações de racismo e não só, mas é de tal maneira ambíguo que a UEFA não vai pegar nela. Isto é, entrou em vigor para a FIFA, entrou em vigor neste Campeonato do Mundo, a UEFA já disse que muito dificilmente vai entrar em vigor em competições europeias, o que significa que nas competições nacionais, muito provavelmente também não há temos. Depois, a partir daqui, muitos casos que ocorreram, desde aquela situação do Japão-Tunísia, da bola que parecia que estava toda dentro da baliza e não estava, só com tecnologia que esta bola, a Trionda, da Adidas, é permitido conseguir realmente tirar essa conclusão, ou situações com o gol anulado ao Uzbequistão, e bem anulado, por falta sobre o João Cancelo. Boa intervenção do VAR no jogo em que também o Brasil com a Escócia, o Vini Júnior tem um gol anulado, porque ele, mesmo sem querer, faz falta no adversário. Há as outras situações mais recentes e essas em sentido contrário de não intervenção do VAR. O lance da seleção do Carlos Queiroz, que é claramente pênalti, o jogador projeta-se claramente e devia ter sido penalizado com pênalti, ou o mais recente, está mesmo quentinho de ontem, o gol que devia ter sido anulado da Alemanha, do jogador que levanta o pé e depois acaba por acertar na cabeça do adversário e que nem a árbitra, nem o VAR viram. Foram muitas as situações com boas decisões, com outras decisões menos corretas, mas eu escolhi estas como alguns dos casos dos muitos que ocorreram.
Muitos casos, muitos jogos e há muito para analisar. Daí também contarmos com a ajuda do Pedro Henriques, que é também uma autoridade nas mudanças que existem nas regras do jogo. Falo agora para avançarmos para a Lei Traduzida, porque há muitas regras e muitas mudanças na arbitragem neste Campeonato do Mundo. Pedro, o que queres destacar no programa de hoje?
Como faço sempre, aproveito para falar numa alteração da lei que tenha sido já posta em prática. E falo do jogo Cabo Verde-Uruguai, com um jogador que nós conhecemos bem, o Telmo Marcães, que joga no Vitória Sport Clube, por uma situação que os jogadores ainda não estão muito bem preparados. Ou seja, há uma situação em que o Telmo Marcães fica no chão, supostamente lesionado, o árbitro não marcou falta, portanto o jogo seguiu, para o árbitro está tudo tranquilo. E passado um bocadinho, o jogo segue, e o Telmo Marcães não se levanta. E a dado momento, o árbitro, ou porque a bola sai para fora, e isto em termos genéricos, ou porque a bola não sai e o árbitro começa a ficar preocupado que a lesão possa mesmo ser uma lesão provocada por ele próprio, por se sentir mal, o que quer que seja, o árbitro acaba por ter que ir ter com o jogador. Ou porque interrompeu e vai ter, ou porque a bola saiu e ele não vai querer recomeçar. E vai assistir, e o jogador pede assistência. E entra a equipe médica. Nestas circunstâncias, como aconteceu, o Telmo Marcães foi assistido, saiu para fora do terreno de jogo e é aqui que entra uma dessas alterações. Uma vez que a interrupção do jogo não foi por choque de cabeças, uma infração cometida por adversário que o árbitro marcou falta, ou por uma situação até que o árbitro mostrou amarelo ou vermelho para quem fez a falta. Digamos que é uma interrupção, entre aspas, provocada ou levada a cabo pelo jogador, que leva com que o árbitro tenha que interromper ou numa interrupção, tenha que ir ver o que se passa com o jogador, a partir do momento que isso ocorre, o jogador sai e tem que ficar fora do terreno de jogo um minuto. E mais, não é quando passa um minuto que o jogador entra, é quando passa o minuto e depois a bola entretanto saiu para fora, há uma interrupção do jogo e o jogador depois tem a autorização para entrar. Isto vai nos levar à circunstância que todos nós criticávamos muito, que era, por vezes, os jogadores enrolavam, estavam no chão. O árbitro acabava por ter que ir assistir ou pedir assistência ao jogador, o jogador era assistido e assim que chegava à linha lateral, já estava bom. Ora, é porque a lesão não era muito grave ou não era minimamente grave, porque parecia que os jogadores milagrosamente quando chegavam à linha já estavam a pedir de braços no ar para entrar e até ficavam chateados com os árbitros por não deixar entrar, e os bancos técnicos. E com esta alteração, o que vai acontecer quando os jogadores internalizarem isto é que realmente só vale a pena eu ficar mesmo no chão quando estiver mesmo aflito e a pedir assistência. Porque senão, o que vai acontecer é que o jogador vai sair e vai fazer com que a sua equipe fique um minuto sem jogador.
Pedro, há mais alguma lei que queiras traduzir ou avançamos já para a nota da semana?
Não, avançamos para a nota. Porque as leis que fomos aqui falando, com esta questão, porque no fundo, quando falei do caso da lei Prestianni, com aquela questão do jogador como o Messi a falar com o colega ou o jogador inglês a falar com o adversário, mas as instituições normal, no fundo estamos a falar de uma lei que também já é uma lei traduzida, no sentido que tapar a boca só é penalizado com cartão vermelho direto quando for em relação ao adversário e numa situação de conflito.
Vamos então conhecer as tuas notas da semana.
Olha, a minha nota, eu não queria estar-me a repetir em relação a uma das notas que dei no ano passado, mas é inevitável fazê-lo, porque a semana passada eu tinha dado uma nota ao João Pinheiro pela nomeação para o seu primeiro jogo no Mundial. Pelo meio, ele fez um quarto árbitro e agora, já sabemos, já não é de hoje a informação, que o João Pinheiro vai estar no seu segundo jogo no Mundial. E um jogo que é relevante e importante, embora que é África do Sul Canadá. Não é por ser África do Sul Canadá, é porque é o primeiro jogo dos 16 avos de final. E isto é muito relevante e importante porque normalmente na primeira fase de grupos, todos os árbitros que foram nomeados pela FIFA para este mundial têm uma oportunidade, alguns até já apitaram dois jogos, e depois isto vai ser por fases. Vai haver esta fase aqui dos 16 avos e à medida que vai, digamos, estreitando, vai havendo menos jogos, também os árbitros vão começar a ser mandados para casa no sentido de colaboraram, terminaram e só vão ficando com aqueles árbitros, por alguma razão, a equipa liderada pelo senhor Colina não vai prescindir, porque sente que são árbitros que ainda podem vir a fazer os jogos para a frente. E o facto de o João Pinheiro, e obviamente a sua equipa de arbitragem serem nomeados para este jogo, é realmente um dado positivo. E termino com isto, os árbitros dependem não só, obviamente, do prestígio que já têm quando chegam à FIFA, e neste caso ao Campeonato do Mundo, mas dependem também daquilo que vão fazendo. Pode ser um árbitro com muito prestígio, corre mal o primeiro jogo do mundial, provavelmente fará um segundo jogo, já dificilmente, provavelmente já não chega a um 16 avos final. O facto de o João Pinheiro ter feito um grande jogo naquele que foi o seu primeiro jogo e ter-lhe corrido bem, ter tido uma nota positiva, porque os árbitros são avaliados em todos os jogos, a contar também para o seu ranking, permite que ele e os seus assistentes sejam nomeados para este segundo jogo. Não vai ser fácil dele ter um terceiro jogo, digo eu. Mas se este jogo lhe correr tão bem como o primeiro, fica claramente e uma vez mais como candidato a poder ainda vir a fazer um terceiro jogo, o que seria extraordinário para uma estreia no Mundial. Portanto, nota 20 para a equipa liderada pelo João Pinheiro, que realmente continue assim, porque também é uma forma de estar e de representar Portugal através também da arbitragem.
E é com esta nota que fechamos esta edição do “Sem Falta Especial Mundial” com o Pedro Henriques, a quem deixo um grande abraço e até uma próxima oportunidade.
Muito obrigado, abraço.









