Ataque xenófobo a 38 moçambicanos legais na África do Sul
▲O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, reconheceu o agravamento da xenofobia na África do Sul
ESTELA SILVA/LUSA
O Presidente moçambicano disse esta quinta-feira que 38 cidadãos moçambicanos residentes legalmente na África do Sul foram agredidos e expulsos das suas casas em ataques xenófobos, enquanto o Governo prossegue o repatriamento dos nacionais afetados.
“Em Benoni Town, na província de KwaZulu-Natal, tivemos 38 cidadãos moçambicanos que foram agredidos e obrigados a abandonar as suas casas. E estes já não são aqueles que estão lá ilegalmente. São os moçambicanos que estão lá legalmente”, disse o Presidente da República, Daniel Chapo, em resposta a perguntas de jornalistas.Entre os cidadãos agredidos contam-se “seis mulheres, uma das quais em estado de gravidez”, referiu o chefe do Estado moçambicano, acrescentando que o grupo era composto por residentes em situação migratória regular.O Gabinete de Informação de Moçambique informou esta quinta-feira, em comunicado, que prossegue o processo de assistência e repatriamento de cidadãos moçambicanos afetados pelos atos de xenofobia registados em várias províncias da África do Sul.
Segundo o documento, o Alto Comissariado de Moçambique em Pretória repatriou na quarta-feira 287 cidadãos moçambicanos, dos 336 inicialmente acolhidos nas suas instalações, permanecendo atualmente sob assistência consular outros 63 cidadãos provenientes de Joanesburgo e da província de North West, cujo repatriamento está em preparação.O gabinete acrescenta que uma cidadã moçambicana, encaminhada pela polícia sul-africana para o Alto Comissariado, deu à luz nas instalações da missão diplomática, tendo sido posteriormente transferida para o Hospital Steve Biko, onde permanece sob cuidados médicos.“O Alto Comissariado prestou a devida assistência à mãe e ao recém-nascido”, refere.Na província de KwaZulu-Natal, o Consulado de Moçambique em Durban repatriou 60 cidadãos através do posto fronteiriço da Ponta do Ouro, enquanto, na província de Limpopo, 67 moçambicanos continuam sob assistência consular na esquadra de Groblersdal, aguardando a conclusão da triagem para posterior repatriamento.
“As missões diplomáticas e consulares de Moçambique na África do Sul continuam a acompanhar a situação e a prestar assistência aos cidadãos afetados”, acrescenta.Os episódios de violência contra estrangeiros levaram o Governo moçambicano a reforçar a assistência consular e as operações de repatriamento dos cidadãos afetados, mantendo o acompanhamento da situação através das representações diplomáticas e consulares na África do Sul.O antigo Presidente moçambicano Armando Guebuza considerou esta quinta-feira a xenofobia na África do Sul um momento de “turbulência” para o continente, pedindo união na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para acabar com a crise.O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, reconheceu na quarta-feira o agravamento da xenofobia na África do Sul, na sequência de incidentes violentos envolvendo cidadãos moçambicanos, e garantiu existirem condições logísticas para o repatriamento e acolhimento das vítimas.










