Portugueses ajudam a resgatar Hernán há mais de 60 horas
▲Portugueses estão a ajudar a alimentar sobrevivente através de túnel
Regimento de Sapadores Bombeiros/Facebook
Acompanhe o nosso artigo em direto sobre os sismos na Venezuela
Um grupo de operacionais portugueses está desde segunda-feira empenhado no resgate de um sobrevivente em La Guaira, a região mais afetada pelo sismo duplo que abalou a Venezuela na semana passada. A vítima, Hernán Alberto Gil Flores, um homem de 44 anos, encontra-se no terceiro piso do estacionamento de um centro comercial em Playa Grande, onde trabalhava como segurança. Ficou preso na guarita de segurança onde trabalhava — e é um dos casos que está a mobilizar mais recursos e também mais atenção mediática.Na terça-feira decorriam “trabalhos de desobstrução na tentativa de chegar à vítima”, relatou à Lusa o sargento da GNR Filipe Rocha, pouco depois das 7h00 locais (12h00 em Lisboa), numa altura em que a equipa portuguesa já estava a realizar a operação há cerca de 20 horas. Segundo o militar, na noite de segunda-feira “foi possível enfiar um tubo num buraco e dar-lhe água”.O homem, adiantou, “está consciente e tem respondido constantemente à chamada dos operacionais de resgate”. Sete operacionais portugueses estão envolvidos no resgate. A missão integra elementos da GNR, Proteção Civil, Bombeiros Sapadores de Lisboa e INEM. Na operação, além de Portugal, participam ainda equipas de resgate da Venezuela, Costa Rica, El Salvador e México, entre outras.
Na quarta-feira, o Presidente de El Salvador, Nayib Bukele, divulgou na rede social X uma atualização sobre o resgate, que já durava 58 horas. “A dificuldade é que Hernán se encontra preso dentro de uma estrutura de nove pisos muito instável e o túnel que escavámos já sofreu várias derrocadas”, escreveu Bukele.Uma vez que o túnel inicialmente aberto não resistiu, foi tomada a decisão de abrir um novo túnel. “Ainda assim, toda a estrutura continua a correr o risco de colapsar e não descartamos retomar o túnel original”, acrescentou ainda. “Apesar de tudo, não perdemos a comunicação com Hernán e continuamos a dar-lhe líquidos para o manter hidratado.”
En el último avance que publiqué sobre el rescate de Hernán, llevábamos 28 horas de trabajo. Ahora ya son 58 horas y aún no hemos logrado sacarlo.
La dificultad es que Hernán se encuentra atrapado dentro de una estructura de nueve pisos sumamente inestable, y el túnel que… pic.twitter.com/0SgodFZp7L
— Nayib Bukele (@nayibbukele) July 1, 2026Através do Facebook, os bombeiros sapadores de Lisboa, que integram a Força Operacional Conjunta Portuguesa (FOCP) presente na Venezuela, também têm divulgado detalhes sobre o resgate.
“Recorrendo a tecnologia portuguesa, através de um sensor capaz de detetar os batimentos cardíacos da vítima e identificar a sua localização, foi possível localizar um sobrevivente e estabelecer uma rota de acesso. As operações de resgate mantêm-se em curso, numa intervenção de elevada complexidade”, anunciou esta quarta-feira a FOCP.“Este é um resgate de elevada exigência técnica, marcado pela enorme quantidade de escombros e pela difícil localização da vítima. A nossa equipa conseguiu estabelecer contacto com Hernán Gil, de 44 anos, que permanece preso nos destroços há cerca de uma semana. Desde então, revezam-se, sem descanso, para lhe garantir água, alimentação e medicação, enquanto prosseguem os trabalhos para o retirar em segurança”, tinham explicado antes os bombeiros.Salvar este homem, seis dias depois dos sismos, é “um milagre”, resumiu à Lusa o porta-voz da missão da Costa Rica, Ricardo Árias. A equipa costa-riquenha detetou ainda no domingo que havia um sobrevivente no local, mas foi graças a um “sensor de alta tecnologia” dos portugueses que foi possível identificar “com precisão” a sua localização sob os escombros.
“Isso deu-nos ímpeto e vontade para continuar a trabalhar”, comentou, afirmando que os operacionais se sentem “honrados por trabalhar lado a lado com muita gente”. Árias destacou o “trabalho importante” com Portugal, que “trouxe um impulso, quando muitos já tinham descartado a possibilidade de retirar” o sobrevivente.O representante da equipa da Costa Rica também relatou que o homem “está bem”, “já se hidratou” e “fala muito bem”. “Já estamos perto de o poder retirar”, garantiu.“Um sismo não mata pela magnitude. Mata pela vulnerabilidade.” Um terramoto de 7,5 pode matar milhares na Venezuela e ninguém nas Honduras
Dezenas de pessoas, incluindo familiares do sobrevivente, encontram-se no local, onde os militares colocaram baias e estão a impedir o acesso. A mulher do segurança, Gusbimar Gonzalez, disse à AFP que o trabalho para resgatar o homem é um “verdadeiro milagre”. “Estou completamente maravilhada, porque é a primeira vez que vejo tantos países a unirem-se assim para salvar uma única pessoa”, afirmou.Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 1.719 mortos e 5.034 feridos, segundo o mais recente balanço oficial. Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, uma zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes.Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros português, pelo menos 60 portugueses e lusodescendentes morreram e 87 estão desaparecidos.Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Como é possível haver dois sismos superiores a 7 em menos de um minuto? Os “doublet” são raros, mas acontecemCom Felipe Gouveia, da Agência Lusa










