Último elefante de circo em Portugal já mora no santuário
▲A reserva destina-se a elefantes que viveram em cativeiro
NUNO VEIGA/LUSA
O último elefante de circo em Portugal tornou-se na primeira residente do santuário da Pangea, no Alentejo, inaugurando aquele que é considerado “o primeiro santuário de grande escala da Europa”, foi esta quinta-feira anunciado.
A Pangea Trust indicou que esta elefanta, chamada Julie, já chegou ao santuário da Pangea, situado nos concelhos de Vila Viçosa e Alandroal, distrito de Évora, no âmbito de um acordo voluntário com o circo Victor Hugo Cardinali.“A primeira residente do Santuário de Elefantes Pangea marca o fim da presença de animais selvagens nos circos portugueses e um passo decisivo para o bem-estar dos elefantes em toda a Europa”, realçou a organização.Segundo a Pangea Trust, com a chegada ao santuário de Julie, que permanecia, até agora, no circo Victor Hugo Cardinali, conclui-se a implementação da proibição portuguesa de animais selvagens nos circos.
“A lei foi aprovada em 2018 e entrou em vigor em 2024. No entanto, Julie não podia deixar o circo enquanto não houvesse uma solução regulamentada e instituição para onde pudesse ir”, salientou.Vinda da África Austral muito jovem, esta elefanta juntou-se ao circo Cardinali em 1988 e atuou durante cerca de 40 anos, até que “deixou de atuar quando a proibição entrou em vigor em 2024 e o seu último companheiro faleceu nesse mesmo ano”.“Enquanto a família Cardinali ponderava o seu futuro, a Pangea terminava o processo de licenciamento para lhe oferecer um lar permanente”, assinalou.A Pangea Trust destacou que o santuário para elefantes tem mais de 400 hectares e foi criado para “proporcionar a estes animais altamente inteligentes e sociáveis o espaço, a autonomia e a companhia de que necessitam para viver uma vida plena”.
“Julie terá a liberdade de explorar o seu novo ambiente ao seu próprio ritmo, por vários hectares de habitat natural, enquanto recebe os cuidados especializados de que necessita nos anos de vida que lhe restam”, frisou.De acordo com a organização, o animal, tendo em conta o seu histórico, vai precisar “de apoio para lidar com problemas de saúde e mobilidade comuns em elefantes da sua idade e com o seu passado”.“Os seus cuidados serão supervisionados pela equipa de especialistas da Pangea”, sublinhou, notando que Victor Hugo Cardinali vai “continuar a acompanhar de perto a sua adaptação ao novo ambiente”.Julie vai receber companhia, ainda este ano, com a chegada de Kariba, outra elefanta africana, também capturada na natureza e com cerca de 40 anos, que vive atualmente sozinha num zoo na Bélgica.
A diretora-geral da Pangea, Kate Moore, considerou que “trabalhar em parceria com os proprietários para encontrar a solução certa é fundamental”, lembrando que muitos circos e zoos na Europa “estão a chegar a um ponto em que manter elefantes já não é possível nem adequado e precisam de um lugar”.Agradecendo o “envolvimento contínuo” do circo de Victor Hugo Cardinali neste processo, Kate Moore disse que o foco agora da Pangea é “proporcionar à Julie a melhor qualidade de vida possível no tempo que lhe resta”.Já Victor Hugo Cardinali, igualmente citado, aludiu à ligação que mantém com Julie, reconhecendo que, apesar de não ter sido fácil esta mudança, “é a decisão certa para ela”, pois vai poder “continuar envolvido na sua vida”.Considerado “o primeiro grande santuário da Europa”, esta reserva, ainda fechada ao público, destina-se a elefantes que viveram em cativeiro, tem capacidade para 30 animais e está previsto um investimento de 15 milhões de euros, em cerca de 10 anos.







