Hjulmand não é Gyökeres mas a primeira oferta foi recusada
▲Morten Hjulmand deve deixar o Sporting este verão depois de três temporadas em Alvalade onde chegou a capitão após saída de Coates
Carlos Rodrigues
Há mercados em que se vende primeiro para comprar depois, há mercados onde se preparam contratações para quando se efetivam vendas, há mercados onde existe uma almofada que permite primeiro adquirir por ser certo que as alienações vêm a seguir. Um pouco ao contrário do que aconteceu na última temporada, em que Luis Suárez só chegou a Alvalade quando o antecessor, Viktor Gyökeres, foi confirmado no Arsenal (e já estava tudo acordado para que assim fosse, com o colombiano e com o Almería), o Sporting aproveitou essa folga que tinha nas contas para começar pelas contratações cirúrgicas ainda antes das vendas e de um efeito dominó expectável no mercado depois do Mundial. Foi assim que, antes do início, mudou o meio-campo.
Num mercado que, como o Observador tinha escrito, entronca muito na ideia de “novo ciclo” em Alvalade, o Sporting antecipou-se na corrida a alguns jogadores e fechou cinco contratações antes do arranque da pré-temporada na Academia, esta quarta-feira. E, com características diferentes e funções distintas no campo, foram apenas médios: Rodrigo Zalazar, do Sp. Braga; Issa Doumbia, do Veneza; Sergi Altimira, do Betis; Silas Andersen, do BK Häcken; e Pedro Lima, do AVS. Se nas últimas duas épocas houve falta de elementos no setor sobretudo por lesões, agora vai sobrar fartura, tendo em conta que existe ainda João Simões, que está a recuperar de uma intervenção cirúrgica, e a saída de Daniel Bragança ainda não está definida.O que já se sabe? Que Morita saiu, após terminar contrato. Que Kochorashvili pode sair, a título definitivo ou por empréstimo, nesta janela de mercado. Que Pedro Gonçalves, um dos elementos não formados no clube há mais tempo nos leões, pode também deixar Alvalade nas próximas semanas caso chegue uma proposta que cumpra as balizas previamente definidas. Depois, há Hjulmand – e essa pode ser a primeira venda, mesmo que o início desse capítulo tenha pontos de contacto com aquilo que aconteceu no ano passado.Um pouco à semelhança do que aconteceu com Gyökeres na última temporada, existe um acordo tácito há muito falado com o jogador que faria uma terceira época no Sporting, em 2025/26, e poderia depois sair sem que nenhum clube tivesse de bater a cláusula de rescisão com o valor proibitivo de 80 milhões de euros. Tal como já acontecera em janeiro, o que fez com que o capitão falhasse mesmo um jogo perto do fim da janela de mercado de inverno (contra o Nacional em Alvalade), o Atl. Madrid voltou a tentar perceber as condições para contratar o internacional dinamarquês. Diferença: houve mais do que isso, com a formação espanhola a chegar a um acordo com os representantes do jogador para uma mudança para a La Liga.
Faltava o resto, o mais importante. E o “resto”, entenda-se, era estabelecer uma base com o Sporting para assegurar a contratação de Morten Hjulmand este verão. No entanto, a primeira abordagem ficou muito aquém daquilo que era esperado e, de novo à semelhança do que acontecera na transferência de Gyökeres para o Arsenal, o Sporting quis deixar isso vincado em termos públicos. “Está a falar de cenários hipotéticos. O Hjulmand é jogador do Sporting. Recebemos uma proposta do Atl. Madrid e rejeitámos, está longe do valor que queremos. Estabelecemos um valor justo e adequado à idade, à posição e ao facto de ter três anos de Sporting. O jogador e os agentes sabem qual é esse valor. Com tudo o que seja abaixo desse valor, o jogador fica”, comentou Frederico Varandas, à margem do Kick Off da Liga com o sorteio do Campeonato.Chegando a esses valores, e contando com valores que os leões têm recebido em vendas definitivas ou mais-valias de jogadores que tinham ainda parte dos direitos económicos, todo o mercado fica “pago”. Porquê? Sem contar com os 50 milhões de euros que já tinham sido acordados por Geovany Quenda, e que entraram em exercícios anteriores, o Sporting recebeu 27 milhões de euros pelas alienações de Alisson ao Nápoles, de Diogo Travassos ao Sp. Braga e de Rodrigo Ribeiro ao Augsburgo, tendo ainda mais 11,5 milhões de euros entre mais-valias e mecanismos de solidariedade pelas contratações de Afonso Moreira (Bayer Leverkusen), Mateus Fernandes (Tottenham) e Nazinho (Mónaco). Ou seja, qualquer valor fixo por Hjulmand que chegue aos desejados 40 milhões de euros equilibra a balança financeira depois de 80 milhões investidos.Além das cinco caras novas, todas já a trabalhar na Academia à exceção de Rodrigo Zalazar, que esteve no Mundial com o Uruguai, o Sporting pretende ainda reforçar-se pelo menos com mais um ala, trabalhando a partir daí numa base de contratação depois de venda. Além de Hjulmand e de Pedro Gonçalves, Francisco Trincão, que tem uma cláusula de rescisão de 60 milhões de euros, também pode deixar Alvalade neste verão tal como um dos centrais entre Ousmane Diomande e Gonçalo Inácio – assim apareçam propostas que sejam interessantes mesmo que não cheguem à cláusula de rescisão (algo que é “pedido” por Trincão). Fresneda e Maxi Araújo estão na lista de alguns clubes europeus mas a ideia é ficar pelo menos mais um ano.Já em relação a Luis Suárez, que chegou a ser apresentado como reforço por um dos candidatos à liderança dos turcos do Fenerbahçe (e que perdeu depois nas urnas), não houve mais abordagens pelo colombiano e tudo aponta para que regresse como uma das opções ofensivas de Rui Borges a par de Fotis Ioannidis e Rafael Nel. “Nenhum jogador do Sporting é imune ao mercado, mas dou uma garantia: se esse senhor ganhar, o preço do Suárez são 80 milhões de euros, nem menos um cêntimo. É só fazer o pagamento. É um grande profissional, fez 38 golos em 2025/26 e para o ano vai fazer 40″, tinha garantido Varandas que, durante esse processo, falou também com o avançado que gostou do que ouviu do líder verde e branco.










