TECNOLOGIA

Baterias de carros elétricos podem durar duas vezes mais com essa técnica

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Michigan, na área de engenharia mecânica, apresentou uma nova abordagem para o gerenciamento de baterias de veículos elétricos. O trabalho, publicado na revista Joule, foca em baterias de lítio com mistura de silício e grafite e busca prolongar sua vida útil por meio de ajustes térmicos dinâmicos.Continua após a publicidadeA pesquisa indica que o sistema integrado ao próprio veículo consegue interpretar dados de carga que já são naturalmente coletados durante o uso. A partir dessas informações, ele identifica em quais momentos o silício dentro das células da bateria está mais exposto ao desgaste.Com essa leitura, o sistema passa a agir de forma dinâmica, ajustando a temperatura da bateria conforme o comportamento dos materiais internos. Assim, ele aquece ou resfria o conjunto de acordo com o componente que está mais ativo, reduzindo o desgaste ao longo do tempo.O projeto contou ainda com a colaboração da General Motors e da Imperial College London, além de financiamento da National Science Foundation, e indica a possibilidade de ampliar significativamente a durabilidade de baterias usadas em carros elétricos.Sistema adapta temperatura conforme comportamento interno da bateria
Um carro da BYD sendo carregado em uma estação de carregamento de veículos elétricos em Singapura. Crédito: Dr David Sing – Shutterstock – Imagem: Dr David Sing/ShutterstockO estudo parte da constatação de que baterias modernas combinam grafite com silício, material capaz de armazenar cerca de dez vezes mais lítio. Apesar dessa vantagem, o silício apresenta maior fragilidade durante ciclos de carga e descarga.Segundo a doutoranda Zhiwen Wan, responsável pela pesquisa, o avanço depende da integração entre material e controle operacional. Ela afirma que “materiais avançados de bateria só entregarão seu valor total se conseguirmos gerenciá-los de forma inteligente depois que forem incorporados a produtos reais”, explicou em entrevista ao jornal da Universidade de Michigan.A investigação identificou que o chamado limiar de atuação do silício não é fixo. Ele varia conforme o uso do veículo e pode oscilar de 33% a 73% do estado de carga, o que altera diretamente a forma ideal de gerenciamento.

A Hyundai apresenta um novo carro elétrico potente para competir com marcas luxuosas – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)A professora Anna Stefanopoulou, coautora sênior do estudo, explica que os sistemas atuais operam com parâmetros fixos. Segundo ela: “Os sistemas de gerenciamento de baterias hoje frequentemente usam limites fixos de tensão, carga e temperatura. O nosso trabalho abre caminho para sistemas de gerenciamento com diagnóstico ativo.”Os testes também mostraram que o silício pode expandir até 300% durante ciclos completos de carga, o que provoca rachaduras e perda de material ativo ao longo do tempo.Além disso, os pesquisadores observaram que a temperatura influencia de forma distinta o envelhecimento: aquecimento favorece o desempenho durante uso ativo, enquanto temperaturas elevadas em repouso aceleram perdas internas.Continua após a publicidadeNesse contexto, o engenheiro Jason Siegel destaca a necessidade de controle seletivo. Ele afirma: “A chave é que a temperatura precisa ser aplicada de forma seletiva”.O sistema proposto utiliza esse comportamento para aquecer a bateria quando o silício está em maior atividade e resfriá-la quando o grafite predomina ou quando o veículo está parado. A estratégia se limita a condições de recarga lenta, como tomadas residenciais e pontos públicos de menor potência.

Wagner Edwards

Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.

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