Murakami nas livrarias do Japão com "A história de Kaho"
▲Murakami escreveu o romance colocando-se no lugar da personagem principal
CORNELIUS POPPE/EPA
O mais recente romance do escritor japonês Haruki Murakami, “A história de Kaho”, chegou esta sexta-feira às livrarias do país asiático, embora alguns bibliófilos tenham tido acesso ao texto já à meia-noite, em eventos dedicados à leitura.
“Kaho, autora de livros ilustrados, é uma jovem comum. Mas começam a acontecer coisas realmente estranhas à sua volta”, comentou o próprio Murakami sobre o romance, numa mensagem publicada no site da editora Shinchosha.“Escrevi este romance colocando-me no lugar dela”, acrescentou, referindo-se à protagonista de 26 anos, de uma história que começa com um encontro às cegas em que o acompanhante afirma nunca ter visto uma mulher tão feia.Trata-se do primeiro livro com uma protagonista feminina do ícone da literatura contemporânea japonesa, nascido na cidade de Quioto em 1949 e com obras que costumam retratar homens jovens ou de meia-idade, narradas na primeira pessoa.
“A história de Kaho” chega três anos depois de “A Cidade e as suas Muralhas Incertas” (Casa das Letras, 2025) e tem origem no conto “Kaho”, publicado em 2024, que Murakami leu nesse mesmo ano ao público na Universidade de Waseda.Desde então, o autor publicou outros três contos sobre Kaho na revista Shincho, o último deles em março.Esta edição despertou a curiosidade dos amantes da literatura e fãs de Murakami no arquipélago, mesmo que alguns conheçam o romance por terem lido os contos, ao ponto de alguns leitores se terem deslocado a importantes livrarias de Tóquio à meia-noite para ter acesso ao livro antecipadamente.Reaberta recentemente após quatro anos de obras de renovação no bairro de Jimbocho, na capital, a Sanseido baixou as luzes para um grupo de leitores dispostos a passar a noite a ler Murakami, aconchegados entre as estantes.
Também a livraria emblemática da Kinokuniya, situada no bairro de Shinjuku, organizou uma contagem decrescente à meia-noite para os fãs de Murakami que ficam acordados até tarde, embora esta manhã não faltassem os leitores matinais.









