Homem descobre quadro de 150 mil euros por causa da moldura
▲O cidadão natural de Murcia devolveu o quadro aos proprietários quando soube do desaparecimento da obra de arte, que era procurada pela polícia.
EPA
Era sábado e Andrés Hurtado passeava por Sevilha com a família quando se deparou com um quadro da autoria do pintor espanhol Joaquín Sorolla, que levou para o hotel onde dormia, no centro da cidade andaluza. Aquilo que atraiu o cidadão murciano de 57 anos não foi a pintura impressionista — representando dois barcos na praia —, mas a moldura, debruada a dourado, que repousava esquecida na rua.
Após reparar num grupo de estrangeiros que manuseava o quadro e depois o abandonou na via, Hurtado decidiu transportá-lo para o hotel, a fim de se apropriar da moldura. “Se estes rapazes são estrangeiros, para que querem o quadro? Peguei nele e levei-o para o quarto de hotel”, explicou ao diário El Mundo.Após regressar a Múrcia, tentou identificar a autoria da pintura e viu a assinatura de Sorolla. Quando questionou um modelo de inteligência artificial sobre a obra do impressionista espanhol, apercebeu-se dos “preços exorbitantes” que o seu achado podia atingir, se fosse original. “Liguei à Casa de Leilões de Madrid”, recordou, “mandei-lhes fotos, e rapidamente responderam a dizer que, efetivamente, era um original de Sorolla”, posteriormente avaliado em 150 mil euros.Algumas horas mais tarde, Hurtado leu a notícia que alertava para o roubo de um quadro em tudo idêntico àquele que havia encontrado nas ruas de Sevilha. “É o quadro que tenho!”, pensou, ligando à polícia a fim de esclarecer que “o artigo [do jornal] não estava certo e o quadro não fora roubado“. “Tinha-o eu e estava abandonado na rua”, afirmou.
Na manhã desta quarta-feira, agentes das polícias de Sevilha e Múrcia recolheram a obra de arte na residência de Hurtado, com o objetivo de a devolver aos proprietários. Apesar de alguns danos na moldura, o original de Sorolla estava em bom estado e “muito protegido” pela estrutura de madeira pintada a ouro.O cidadão murciano admitiu ter entrado em contacto com a família que perdeu o quadro — o que aconteceu quando colocavam as bagagens no carro, antes de uma ida à praia. Os habitantes de Sevilha tinham o hábito de levar a pintura, na sua posse há largos anos, quando iam de férias. Tencionavam colocá-la no porta-bagagens, mas esqueceram-se do quadro encostado a uma parede.“Disseram-me que havia muito trânsito, que os carros lhes apitavam e que, com os nervos, deixaram o quadro encostado à parede”, confirmou Hurtado, a quem os proprietários prometeram uma recompensa pela devolução do objeto. Quando repararam no desaparecimento da pintura, espalharam cartazes pelo bairro e fizeram uma denúncia à polícia, que observou as imagens recolhidas pelas câmaras de vigilância mais próximas.










