CIÊNCIA

Será o calor o culpado pelos erros no trabalho?


Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
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Já lhe aconteceu estar no trabalho, olhar para o computador e sentir que tudo custa mais, demora mais tempo a concentrar-se, esquece de pequenas tarefas, comete erros que normalmente não cometeria. Será apenas cansaço ou é este calor que também afeta o cérebro? Dra. Vanessa, bom dia, bem-vinda.
Bom dia.
Afinal, em dias abrasadores como estes que estamos a viver, ficamos mesmo menos produtivos?
Sim, é verdade. E isso está muito bem demonstrado em vários estudos. O nosso cérebro funciona melhor dentro de um intervalo muito específico de temperatura e quando esta temperatura ambiente aumenta, o organismo dá prioridade aos mecanismos de arrefecimento, como por exemplo, a transpiração e o aumento do fluxo sanguíneo para a pele. Esse esforço fisiológico consome naturalmente energia e pode reduzir o desempenho cognitivo. Na prática, ficamos mais lentos a processar a informação, com maior dificuldade de concentração, mais esquecidos e até mais propensos a cometermos alguns erros.
E a desidratação também contribui para isso?
Sem dúvida alguma. Mesmo uma desidratação ligeira, cerca de 1% a 2% do peso corporal, pode afetar a nossa atenção, a nossa memória de trabalho, a capacidade de decisão e até o tempo de reação. Além disso, pode provocar cansaço, cefaleias e diminuir o nosso rendimento físico e até intelectual. Muitas vezes esperamos ter sede para beber água, mas a sede já é um sinal de que o organismo começou a ficar desidratado.
Dra. Vanessa, depois no verão há outro problema, que é: muitas pessoas dormem pior por causa do calor. E isso também explica porque nos sentimos mais lentos, provavelmente.
É isso mesmo, sem dúvida alguma. Para termos um sono reparador, a temperatura corporal precisa diminuir durante a noite de sono. Quando o quarto está demasiado quente, quando adormecemos com mais dificuldade e o sono torna-se mais superficial, naturalmente, o nosso sono torna-se mais superficial e fragmentado. E o resultado é um cérebro menos eficiente no dia seguinte. Sentimo-nos mais cansados, com menor capacidade de concentração, de memória e também de tomadas de decisão. Ou seja, muitas vezes não é apenas o calor durante o dia, é também o impacto que este mesmo calor teve na qualidade do nosso sono na noite anterior.
Então, e agora a pergunta mais interessante, mais importante nesta altura, que é: o que podemos fazer para minimizar estes efeitos?
Há medidas muito simples. Normalmente, há coisas bem simples que podemos fazer para conseguirmos contornar estas alterações. E agora com estes dias de calor, efetivamente, há coisas que podemos fazer, nomeadamente manter uma boa hidratação ao longo do dia, evitar refeições que sejam muito pesadas nas horas de maior calor, fazer pequenas pausas quando o trabalho exige muita concentração e sempre que possível, manter o ambiente de trabalho ventilado e climatizado. Também é importante garantir uma temperatura confortável no quarto para melhorar a nossa qualidade de sono.
Portanto, se nestes dias de muito calor sentirmos que estamos mais distraídos ou menos produtivos, não é só impressão nossa.
Não, de todo. Aqui o calor exerce um impacto bem real sobre o nosso funcionamento cerebral. Sabemos que efetivamente diminui a capacidade de atenção, torna o raciocínio mais lento e aumenta até a probabilidade de podermos cometer alguns erros. A boa notícia é que pequenas medidas, como manter uma boa hidratação, dormir melhor e fazer pausas ao longo do dia, ajudam efetivamente a preservar este nosso desempenho cognitivo.
Foi mais um Tratado da Saúde, sempre com a dra. Vanessa Mendes e as melhores dicas. Doutora, obrigada, até segunda.
Até segunda, espero eu menos rouca. Bom fim de semana.
Vamos esperar. Bom fim de semana.

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