PCP exige garantias após caos nos exames nacionais
RODRIGO ANTUNES/LUSA
O secretário-geral do PCP defendeu este domingo que o Governo tem de garantir que nenhum aluno é prejudicado pela “bronca descomunal” na classificação digital dos exames nacionais e acusou o executivo de “sacudir responsabilidades”.
“Isto é um problema de fundo, estrutural, do processo que é da responsabilidade única e exclusiva do Governo. Nem os professores podem ser injustamente acusados, e, talvez até mais determinante, nenhum aluno pode ser prejudicado com esta trapalhada”, afirmou Paulo Raimundo em declarações à Lusa à margem da participação no Passeio das Mulheres CDU — Porto, que se realizou em Vilar de Mouros, Caminha, no distrito de Viana do Castelo.O líder do PCP considera que “infelizmente não está” garantido que nenhum aluno seja prejudicado com este primeiro ano de correção digital das provas de exame do 11.º e 12.º anos, que levou professores a relatar não ter acesso aos itens de classificação, receber respostas incompletas e constrangimentos na plataforma.Paulo Raimundo considera que o Governo “vai ter de apresentar” alguma forma de garantir que nenhum aluno seja prejudicado com aquilo a que chamou, durante o discurso, de “bronca descomunal” e “gestão calamitosa”.
“O Governo vai ter que resolver isto. Acho que um governo que tem esta atitude, esta forma de estar, de empurrar com a barriga e de não assumir responsabilidades, dificilmente está em condições de resolver. Mas logo veremos o que é que vai fazer”, observou.O secretário-geral comunista lamenta que a primeira reação do Governo tenha sido “sacudir as responsabilidades”.Pela primeira vez este ano, as mais de 300 mil provas realizadas pelos alunos do 11.º e 12.º anos foram todas digitalizadas e só depois distribuídas pelos professores para serem avaliadas.No sábado, o movimento de professores S.O.S. Escola Pública denunciou que os docentes avaliadores continuam sem receber exames nacionais para corrigir, acusando o ministro da Educação de mentir ao dizer que há apenas “duas ou três provas” por entregar.
Na sexta-feira, perante as dificuldades informáticas na correção dos exames nacionais, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, adiou a data de divulgação dos resultados das provas, e o calendário de realização da segunda fase dos exames nacionais.Os professores terão agora até 14 de julho para classificar as provas (era até dia 10), e os resultados serão afixados a 17 de julho, em vez de 14 de julho.O novo calendário prevê ainda que a segunda fase dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário, que deveria começar a 16 de julho, arranque apenas na tarde de 20 de julho e termine a 24 de julho, em vez de 22 de julho.








