CIÊNCIA

No feriado da América houve "Ronaldomania" em Dallas


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Novo dia, novo Diário do Mundial aqui na Rádio Observador. Já arrancaram os oitavos. Portugal joga amanhã, segunda-feira, e já está em Dallas. Vamos falar com o Miguel Cordeiro, que acompanhou tudo isto, o enviado especial do Observador. Olá, Miguel, bem-vindo.
Olá, João.
Boa noite para ti, bom dia para nós cá em Portugal.
Sim.
Voltamos à velha história. Portugal aterrou em Dallas novamente com muito entusiasmo e com um mar de gente, não foi?
Sim, muito povo, muita gente para ver a seleção, para ver principalmente Cristiano Ronaldo. Voltamos à situação da Ronaldomania, algo que vimos também em Houston. Em Palm Beach, vimos alguns imigrantes portugueses de Miami, também muita gente da comunidade latina da região, até alguns colombianos a apoiar a seleção nacional, demos conta disso. Em Houston, vimos uma verdadeira Ronaldomania, Texas, muitos mexicanos, muitas pessoas que viajaram também para a região na altura para ver Cristiano Ronaldo. Vimos isso no hotel e no estádio. E agora em Dallas, o que estamos a ver é novamente uma Ronaldomania. À frente do hotel da seleção ou à frente da porta em que entraram os jogadores, entraram pela porta das traseiras. Muita gente, difícil eu encontrar portugueses. Tentamos perceber se havia algum português e lá encontrámos uns portugueses com uma bandeira, mas essencialmente vimos pessoas interessadas em ver Cristiano Ronaldo, também interessadas em ver alguns outros jogadores, os de maior destaque como Bruno Fernandes, como Vitinha, mas a loucura é muito em torno de Cristiano Ronaldo. Tudo isto aconteceu sob forte calor, muito calor. E eu sei que em Portugal está calor, sei todos os relatos que me chegam também desse calor, é normal, mas eu tenho que dizer que já vivi muito calor em Portugal, o calor do Texas sente-se de outra forma. Não é o mesmo que sentimos em Palm Beach. É mais intenso e eu não sei se é pelo calor em si que faz, se é também pela forma como as cidades são montadas. Muito poucas sombras, muito alcatrão, muito combustível, os veículos são enormes, os caminhões são enormes, muito combustível também que se sente nas ruas e fica um sentimento sempre de calor abafado, diferente do que se sentia, por exemplo, em Palm Beach, que era o calor tropical em que até quando saíamos de uma viatura ou de um hotel ficávamos com os óculos embaciados, dei conta disso também aqui no Diário do Mundial. Portanto, Ronaldomania sob forte calor, com adeptos ao sol, tudo isto a acontecer também no 4 de julho, que é o feriado nacional nos Estados Unidos da América. Durante o dia, por causa do calor e também por causa do dia de descanso, vimos algumas ruas despidas. Durante a noite, basicamente ao mesmo tempo em que chegava a seleção, as ruas iam se enchendo, quase todas a encaminhar-se para grandes jardins da cidade de Dallas, onde houve espetáculos de fogo de artifício. Portugal volta a chegar a uma cidade em feriado, porque quando chegou a Toronto também era dia nacional do Canadá. Exatamente. E agora o feriado, 4 de julho, dia nacional dos Estados Unidos da América.
Muito bem. Portugal recebido em festa, mas importa perceber, Miguel, uma vez que o jogo também é amanhã com a Espanha para os oitavos de final, qual é que é o plano para hoje?
O plano, novamente, Portugal quando tem o dia de véspera do jogo, tenta acertar os horários àquilo que são os horários do jogo. Vamos ter um treino que será às 16h, na hora portuguesa. Aqui vão ser às 10h. Portugal volta a ter treinos de manhã. O jogo aqui, na verdade, vai ser por volta da hora de almoço, mas Portugal não tinha condições para fazer um treino à hora de almoço, porque o jogo vai ser num estádio coberto, às 14h, portanto, a hora que é não importa muito. Treinar a essa hora nesta região é impossível. Eu estive na rua hoje por volta da hora do jogo, um bocadinho antes também, e é de facto impossível praticar-se futebol nessas condições. O estádio é coberto e assim dá. A seleção vai treinar às 10h, horário de Dallas, 16h em Portugal continental. A conferência de imprensa depois vai ser às 18h45 no horário português. Já agora, deixo também os horários de Espanha, vai treinar às 11h e tem conferência de imprensa às 21h30, no horário de Portugal.
Ligeiramente diferentes. Vamos agora aos jogos de sábado, até porque não tivemos grandes surpresas, não é?
Não. Havia talvez uma expectativa sobre o que poderia fazer o Canadá. E de facto, o Canadá conseguiu resistir na primeira parte, mas depois Marrocos entrou com tudo, marcou três gols, faz três gols frente ao Canadá. Vitória justa dos marroquinos. É pena, o Canadá fez uma história bonita neste mundial, foi a primeira vez que passou às eliminatórias, teve depois esse gol de Eustáquio, mas agora acaba por cair frente a Marrocos, que já é uma seleção experiente em mundiais, a mais experiente entre as africanas. Adeus do Canadá, deixamos ter uma das equipes da casa. Quanto à França, jogou frente ao Paraguai e ganhou por 1 x 0. Já se esperava uma vitória, talvez mais folgada, mas ganhou por 1 x 0. Já me estava a rir, porque este jogo foi quente por todas as razões. Foi o jogo mais quente do mundial, em que se registaram temperaturas mais altas.
É verdade.
Alguns adeptos que já apontavam para temperaturas acima dos 50 °C, não estamos a falar de Fahrenheit. 50 °C, ventoinhas instaladas na zona dos bancos, tudo para tentar controlar esse calor. Mas não foi só por aí. Houve também calor nas emoções, na agressividade, um jogo muito quente, como se costuma dizer na gíria futebolística Principalmente com Mbappé e alguns membros da equipe do Paraguai. Isso levou não só a picardias durante o jogo, mas depois também durante os festejos da seleção francesa, que foram mais efusivos, principalmente por causa das picardias que se deram durante o jogo.
Ainda assim, uma vitória um pouco sofrida, apenas 1 x 0. Se calhar, esperava-se aqui outra vertente da França neste jogo. Vamos agora olhar também para os jogos de hoje. Temos Brasil e Noruega e ainda México e Inglaterra, mas já amanhã, vamos dizer assim, porque é à 01:00.
Sim, é já na madrugada, e isto a falar no horário de Portugal, naturalmente, porque na América do Norte acontece tudo neste domingo. Ora, o Brasil e Noruega joga-se às 9 da noite. Muito interesse para este jogo, porque de fato o Brasil está em crescendo e percebe-se isso. O Brasil está a crescer à medida que vai jogando e tem essa experiência de Carlo Ancelotti, de preparar bem as equipes para os adversários que vai ter. E os jogadores do Brasil estão a seguir aquilo que está a pedir Ancelotti. Não há tanta aquela criatividade brasileira. Parece que há mais rigor tático com Ancelotti e isso está a se sentir a cada jogo que passa. A Noruega é uma das equipes que faz o caminho por fora. Não está entre os candidatos, não está entre os favoritos, mas toda a gente tem a Noruega como uma equipe difícil de bater. E vamos ver até onde é que chega esta Noruega. Pode bater o Brasil. Parece-me ser um jogo até equilibrado por aquilo que pode dar cada uma das equipes, mas o Brasil, claramente com muito mais experiência, é favorito para este jogo.
E há muitos painkillers com medo de, desculpa interromper-te, de Haaland. Têm surgido muitos memes nas redes sociais.
Claro, naturalmente, quem é que não tem? É difícil. Pode não se ter medo da equipe da Noruega como um todo, mas quando há um avançado como o Haaland, uma bola bem servida para ele é meio gol, porque ele faz o resto. Depois, estava a dizer, México e Inglaterra. Este encontro acontece à 1:00 no horário de Portugal continental, portanto, como dizia, já durante a madrugada. O México é a equipe da casa, tem estado bem no mundial. A Inglaterra tem tido altos e baixos, mas conseguiu dar a volta à República Democrática do Congo na última eliminatória, e isso certamente galvaniza a equipe, apesar da má entrada. Vamos ver como é que corre aqui aos mexicanos. Eles estão com muita expectativa também para o que pode ser este jogo e com muito orgulho também de voltarem a organizar um mundial. Há camisolas do México por toda a parte. Aqui no Texas, onde nos encontramos, há mesmo muitos mexicanos que fazem questão de vestir essas camisolas, mesmo neste dia de Fourth of July, no dia de celebração dos Estados Unidos da América, vimos muitos mexicanos com a camisola do México. Portanto, é também um jogo muito interessante. São os oitavos de final do mundial. Que jogo é que não é interessante?
É verdade.
São todos para acompanhar e a partir de agora podemos dizer que são tudo grandes jogos.
Olha, Miguel, eu ontem fazia questão de falar aqui que tu contas muitas histórias também através do nosso site observador.pt. Já não temos aqui muito tempo, mas pelo que vi, estava aqui a ver no nosso site, tu foste experimentar o prato favorito do Messi?
Sim, verdade. Fomos experimentar esse prato, isso aconteceu ainda em Miami, durante a fase de grupos, portanto, isso, de fato, só saiu no final desta semana.
Pelas fotografias, já estou com fome.
Olha, espero que seja só pela fotografia.
Ok, não é assim tão mau.
O que nós temos ali, na verdade, é um panado de vitela, portanto, basicamente, estão a ver um prego, é a carne do prego, só que panada, e por cima disso coloca-se tudo aquilo que se pode colocar numa pizza. E começa exatamente da mesma maneira. Começa-se com base de tomate e queijo. Depois pode-se pôr fiambre, pode-se pôr cogumelos, pode-se pôr uma série de produtos, tal como numa pizza, e novamente queijo em cima. Vai ao forno e depois serve-se com batata frita. Portanto, entramos no restaurante e sente-se um misto de cheiro a orégano, a queijo, a pizza, a tomates, o que se sente num restaurante italiano, mas sente-se também aquele cheiro a fritadeira quente. Sente-se também isso. E, portanto, é um misto dos dois. Não é que seja um odor desagradável, mas percebe-se que estamos ali entre duas realidades. E depois, o prato, de fato, vem servido. Não podemos dizer que se fica com fome depois de provar esse prato ou de comer esse prato. E é um prato que chama-se milanesa. Depois há as várias variações. Este que provamos é milanesa napolitana, que é o prato favorito do Messi. Basicamente, é o tal panado com tomate e queijo apenas, porque o Messi não gosta do fiambre, foi o que nos disseram no restaurante. E tudo isto acontece. E por que visitamos isto também? Porque, naturalmente, para perceber ao certo que prato é esse, mas não seria em Miami que talvez o fôssemos encontrar, talvez na Argentina iríamos encontrá-lo com maior facilidade. Acontece em Miami porque Messi investiu neste restaurante. Messi comprou uma participação deste restaurante, que é muito famoso na Argentina, chama-se El Club de la Milanesa, é especializado em produzir este prato, as milanesas, e tem um primeiro restaurante em Miami, do qual Messi é investidor, e o segundo restaurante existe no estádio do Inter de Miami, que é o clube de Lionel Messi, onde são servidas as milanesas, três milanesas diferentes em cada dia de jogo. Portanto, fomos provar, está também em observador.pt esse artigo, essa review gastronômica, podemos dizer assim, ao El Club de la Milanesa em Miami.
E sabemos agora que não tem o teu selo de aprovação, não ficaste assim muito contente.
Não tem, mas eu também não gosto do prato favorito do Cristiano Ronaldo, pelo menos não aprecio o bacalhau à Brás, portanto, acho que há 900 formas melhores de cozinhar bacalhau.
Já sabe, ficamos por aqui neste diário do mundial. Pode também acompanhar as histórias que o Miguel Cordeiro está a contar em observador.pt. Miguel, um grande abraço. Bom trabalho.
Um abraço.

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