Missão Juno, da NASA, completa 10 anos em órbita de Júpiter
Uma missão da NASA dedicada a estudar em detalhes Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, celebra um marco importante neste domingo (5). Desenvolvida e operada pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), a sonda Juno entrou em órbita do gigante gasoso há exatos 10 anos, dando início a uma nova fase de observações sobre sua atmosfera, estrutura interna e campo magnético. Continua após a publicidadeDiferentemente de missões anteriores que apenas sobrevoaram o planeta, a Juno foi concebida para permanecer em órbita e realizar observações repetidas e de alta precisão. Para isso, ela foi equipada com um conjunto de nove instrumentos científicos capazes de analisar a atmosfera, o campo gravitacional, o campo magnético e o ambiente de radiação ao redor do planeta. Entre seus objetivos principais estão medir a quantidade de água e amônia nas camadas profundas da atmosfera e compreender a estrutura interna de Júpiter.Imagens da lua Io capturadas de abril a dezembro de 2024 pela sonda Juno, da NASA, mostram mudanças significativas e visíveis (indicadas pelas setas) na superfície perto do polo sul da lua joviana. – Crédito: NASA / JPL-Caltech / SwRI / MSSS Processamento de imagem por Jason PerryViagem até Júpiter levou quase quatro anosA missão foi lançada em 5 de agosto de 2011, a bordo de um foguete Atlas V 551, partindo da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida. Após uma longa viagem interplanetária, que incluiu correções de trajetória e uma assistência gravitacional da Terra em 2013, a espaçonave finalmente se aproximou de seu destino. Mas o momento mais crítico da missão não foi a chegada, e sim a inserção em órbita ao redor de Júpiter.Essa manobra marcou a entrada definitiva da sonda no sistema joviano. Para ser capturada pela gravidade do planeta, a Juno precisou acionar seu motor principal por cerca de 35 minutos. O início da queima ocorreu às 00h18 de 5 de julho (horário de Brasília), com o término da manobra acontecendo às 00h53.Imagem composta, derivada de dados coletados em 2017 pelo instrumento JIRAM a bordo da sonda Juno, mostra o ciclone central no polo norte de Júpiter e os outros oito que o circundam. – Crédito: NASA / JPL-Caltech / SwRI / ASI / INAF / JIRAMA inserção foi um sucesso e colocou a Juno em uma órbita polar altamente elíptica, permitindo que ela passasse regularmente sobre os polos do planeta – uma região pouco explorada e essencial para entender o campo magnético joviano. Inicialmente, a órbita tinha período de 53 dias, com passagens próximas (os chamados perijoves) durante as quais a sonda sobrevoava as camadas superiores das nuvens. Ao longo da missão, no entanto, sucessivos sobrevoos por grandes luas de Júpiter, especialmente Ganimedes, alteraram sua trajetória. Atualmente, a Juno completa uma órbita em cerca de 33 dias e já realizou 76 perijoves, mantendo aproximações periódicas que permitem a coleta de dados científicos.
Júpiter, fotografado pela JunoCam em 28 de janeiro de 2025 a uma distância de 58 mil quilômetros. – Crédito: NASA / JPL – Caltech / SwRI / MSSS Processamento de imagem: Jackie Branc (CC BY)NASA estendeu missão Juno para muito além do previstoJúpiter é um mundo colossal. Hoje, o planeta possui 101 luas confirmadas. As quatro maiores – Io, Europa, Ganimedes e Calisto – foram descobertas em 1610 por Galileu Galilei, com Ganimedes sendo não só a maior lua do Sistema Solar, como também maior até do que o planeta Mercúrio.Ao redor desse gigante gasoso, a sonda Juno enfrenta um ambiente extremo. A radiação intensa é um dos maiores desafios da missão, capaz de danificar sistemas eletrônicos e instrumentos científicos. Para suportar essas condições, a espaçonave foi projetada com uma blindagem especial e tem demonstrado grande resistência ao longo dos anos. Continua após a publicidadeOs nove instrumentos a bordo trabalham de forma integrada:
Radiômetro de Micro-ondas (MWR): investiga as camadas profundas da atmosfera de Júpiter, medindo a quantidade de água, amônia e a temperatura.
Mapeador Auroral Infravermelho (JIRAM): registra imagens das auroras e analisa a composição da atmosfera superior do planeta.
Magnetômetro (MAG): mede o intenso campo magnético de Júpiter e ajuda a entender a estrutura de seu interior.
Experimento de Ciência da Gravidade (GS): revela como a massa está distribuída dentro do planeta por meio de pequenas variações nos sinais de rádio enviados pela sonda.
Experimento de Distribuição Auroral Joviana (JADE): analisa partículas de baixa energia presentes nas auroras de Júpiter.
Detector de Partículas Energéticas de Júpiter (JEDI): estuda partículas de alta energia encontradas nas auroras do planeta.
Sensor de Ondas de Rádio e Plasma (Waves): detecta ondas de rádio e de plasma produzidas pela interação entre o campo magnético e partículas carregadas.
Espectrógrafo Ultravioleta (UVS): observa as auroras em luz ultravioleta para ajudar os cientistas a compreender como elas se formam.
JunoCam: registra imagens detalhadas das nuvens, tempestades e polos de Júpiter, além de aproximar o público das descobertas da missão.
Continua após a publicidadeOriginalmente prevista para durar até julho de 2018, de acordo com a NASA, a missão foi prorrogada sucessivas vezes devido ao excelente desempenho e ao alto valor científico dos dados coletados. Dez anos após entrar em órbita de Júpiter, a sonda continua enviando informações e imagens que ajudam os cientistas a compreender melhor o maior planeta do Sistema Solar.










