El djinn lança disco com propósito solidário pela Palestina
▲A obra coletiva leva como título ma mutish (não morras, em tradução livre do árabe), parte de um poema de Omar Hamad
TOMÁS SILVA/OBSERVADOR
O projeto musical el djinn, iniciado por Artur Pispalhas, junta poemas e as vozes de palestinianas e palestinianos no disco de estreia, ma mutish, cujos lucros revertem para apoiar famílias na Palestina.
Editado pela Lovers & Lollypops, o disco está disponível em formato digital mas também em cassete, editada esta semana, e surge de um trabalho iniciado em 2021 pelo criador sonoro português Artur Pispalhas.“Se calhar, há muitos inícios possíveis. Diria a minha relação com a causa palestiniana, que começou há muito tempo. Talvez na altura da primeira Intifada [1987], mesmo que devesse ser mesmo pequenino. As imagens que na altura passavam na televisão, de pessoas a atirar pedras contra os tanques de guerra”, recorda o músico, em entrevista à agência Lusa.Pispalhas sonhou com um projeto em que juntasse “cara, corpo e voz” de outra pessoa a el djinn, nome surgido de uma figura do campo “fantasmagórico” ou mitológico, um dos seus interesses.
Em junho de 2021, viu uma compilação para apoiar Gaza editada por uma editora em Bristol e a ideia foi-se desenvolvendo.Atualmente, o disco reúne textos, poemas, canções da tradição oral e gravações pela mão de Dima Mohammed, Nour El Tibi, Omar Hamad, Samano, Serenah Simao, Serene Issa e Shahd Wadi, cantadas em árabe, português e inglês.A obra coletiva leva como título ma mutish (não morras, em tradução livre do árabe), parte de um poema de Omar Hamad, que o escreveu num campo de refugiados na Faixa de Gaza já depois da ocupação daquele território por forças israelitas, na sequência dos ataques de 7 de outubro de 2023 que deu início a uma ofensiva de larga escala de Israel .Pispalhas, que trabalha como músico, artista sonoro, sonoplasta, diretor técnico e desenhador de luz, vê no álbum “um corpo meio disforme, sem fronteiras bastante definidas”, que partiu de si, como produtor, para “depois ser feito de muitas vozes e muitas outras pessoas”, com “qualquer coisa de procurar identidade, de questionamento do que ensinam na escola” como base temática.
Em termos musicais, pode não parecer ao início, mas o disco conta com batidas “um bocado desconstruídas” que podem, também, ocupar “o lugar da pista de dança”, quer para mexer o corpo quer para ficar “quieto, a ouvir”, até pela mensagem política que encerra, viajando também por conceitos de música espacializada.“Há essa tentativa de chamar a atenção para o que está a acontecer. Ao mesmo tempo, dar espaço a estas pessoas, praticamente todas palestinianas, algumas delas atualmente em Gaza, inclusive, a intervirem, a dizerem algo e ocuparem este lugar. E nenhuma delas é artista performático, ou pessoa que ocupa palco. São pessoas que têm os seus trabalhos, como nós”, adianta.Também o fundador da editora, Joaquim Durães, vê o disco como uma necessidade da sociedade, à procura de “faróis de esperança” face a estes conflitos.“Este disco é um pequeno contributo para fazer luz sobre o genocídio que está a acontecer em Gaza. Não haveria outra hipótese senão fazer parte e ser plataforma para um álbum como este”, considera.
Os lucros das vendas, em formato físico ou digital, revertem para o projeto Ele Elna Elak, iniciativa de voluntários que apoia famílias palestinianas com necessidades alimentares.









