Revisão do castigo a Balogun foi negociada com a Casa Branca
▲Trump ligou a Infantino na quinta-feira sobre as regras da FIFA em relação ao cartão vermelho
BONNIE CASH
A suspensão do castigo ao jogador norte-americano Folarin Balogun pode ter sido decidida através de uma “campanha” montada na Casa Branca logo após a expulsão do jogador. A revelação é feita pelo jornal Politico, citando fontes anónimas da administração norte-americana e da Federação de Futebol dos Estados Unidos.
“Na noite de quarta-feira, a Casa Branca já se havia comprometido a tomar medidas em relação ao cartão vermelho a Balogun”, refere o jornal. O diretor executivo da Task Force do Mundial da Casa Branca, Andrew Giuliani, o secretário norte-americano do Comércio Howard Lutnick e altos representantes da Federação de Futebol dos Estados Unidos assistiram presencialmente ao jogo e “começaram a colocar em prática os planos para contestar a decisão do árbitro de campo de aplicar o cartão vermelho”.Os planos incluíram “lobby coordenado, manobras legais e diplomacia que se estenderam da Sala Oval até à sede da FIFA em Zurique”, com Donald Trump a questionar o presidente da FIFA, Gianni Infantino, sobre as regras relativas ao cartão vermelho. O dirigente da associação não terá prometido nada em relação à reversão do castigo.O Politico relembra que a amizade de quase oito anos entre Trump e Infantino, incluindo a presença frequente do presidente da FIFA na Casa Branca, pode ter tido peso no telefonema feito entre os dois.
Andrew Giuliani e Howard Lutnick chegaram a disponibilizar-se para oferecer ajuda jurídica de advogados da própria Casa Branca à Federação de Futebol dos Estados Unidos, quando esta preparava um recurso formal à FIFA para reverter a suspensão de Balogun. No entanto, a notícia do Politico não é clara sobre se essa ajuda foi aceite.Do lado da FIFA, o processo legal foi liderado por Emilio García, responsável pelos assuntos jurídicos, que terá sido “uma figura central, ao aconselhar Infantino sobre as opções processuais disponíveis, segundo pessoas familiarizadas com o processo”. A equipa de Garcia examinou as circunstâncias do cartão vermelho e e se o caso “atendia aos critérios rigorosos que permitiriam a revisão da decisão disciplinar”.Durante o processo, o secretário do Comércio e o gestor Scott Goodwin que, segundo o Politico “ajudou a pagar pessoalmente o salário do técnico norte-americano Mauricio Pochettino”, analisaram o histórico de Raphael Claus, o árbitro do jogo entre os Estados Unidos e a Bósnia-Herzegovina, mais concretamente “artigos que examinavam controvérsias anteriores”, para reforçar o recurso.No domingo, a FIFA acabou por anunciar que o castigo ficaria suspenso “por um período probatório de um ano”, mas avisando Folarin Balogun de que a decisão pode ser revogada caso se verifique uma situação semelhante à que marcou o jogo entre os Estados Unidos e a Bósnia-Herzegovina. O jogador tinha sido suspenso no jogo contra a Bósnia-Herzegovina, após ter pisado a parte de trás da perna do jogador adversário Tarik Muharemović, obrigando-o a receber tratamento médico.
A decisão, segundo a FIFA, foi tomada pela Comissão Disciplinar da instituição, mas sem revelar se foi feita uma votação sobre o tema. Além disso, não foi publicado qualquer relatório sobre a decisão, à semelhança do que acontece com outros casos, refere o Politico.










