Inglaterra dispensou o protagonismo e priorizou o resultado
▲Os ingleses encontram-se na próxima fase com a Noruega, que bateu o Brasil por 2-1
FIFA via Getty Images
Fogo de artifício junto do hotel onde a seleção inglesa pernoitou, uma tormenta atmosférica a atrasar o apito inicial e Javier Aguirre no banco — o mesmo Aguirre que, em 1986, como jogador, saiu de campo eliminado pela Inglaterra nos quartos-de-final, neste mesmo Estádio Azteca. Quarenta anos depois, o selecionador mexicano queria dar bom uso da última ficha de jogar em casa, num Mundial que o México co-organiza. A isto juntava-se o facto de a seleção mexicana nunca ter perdido um jogo a contar para o Campeonato do Mundo no Estádio Azteca, que neste jogo tinha como pano de fundo uma tempestade. O tempo, esse, não era propriamente o que os adeptos da Tri esperavam para a festa mexicana: britânico, com trovões e relâmpagos sobre a Cidade do México.
Quando o australiano Alireza Faghani deu finalmente o apito inicial — com uma hora de atraso —, havia dois onzes invictos na prova em campo. O México chegava a esta eliminatória com a melhor campanha do torneio: quatro jogos, quatro vitórias, zero golos sofridos. Inglaterra vinha como líder do Grupo L, com cinco golos de Harry Kane até ao arranque deste duelo. Uma defesa inabalável contra a dependência de um número nove. O que a tempestade anunciava, o futebol havia de confirmar.Nas bancadas, que nunca serviram de assento para os mexicanos por um único segundo de jogo, a tempestade tinha com o que condizer. Os mexicanos faziam questão de mostrar aos ingleses que, apesar do tempo, não estavam em casa e, por isso, gastavam os últimos cartuchos de poder apoiar a sua seleção no seu país: cumbia mexicana, muitas bandeiras do méxico ao alto e uma autêntica festa latina, antes mesmo de o jogo arrancar, e que culminou com o hino mexicano a ser cantado por quase todo um recinto em lágrimas de emoção. O jogo, afinal, já tinha começado, desde que os Três Leões tinham chegado à Cidade do México. O que se passava dentro do relvado, sim, era decisivo, mas era apenas a ponta final do duelo entre mexicanos e ingleses.No campo, também o mau tempo tinha par: com apenas um minuto de jogo, o juiz australiano já tinha mostrado um cartão amarelo (a Declan Rice); ao segundo, Tuchel já tinha perdido a compostura; ao terceiro gritavam-se (os primeiros) olés das bancadas do Azteca, desde o primeiro instante em que a Tri tocou na bola, que contrastavam com o coro de dezenas de milhares de assobios, quando os ingleses a recuperavam. Aos 15′, os olés chegaram à grande área inglesa e por muito pouco não se tranformaram em gol um pouco por todo o Azteca. Alvarado, do lado direito, cruzou para encontrar Raúl Jiménez, que cabeceou para um “golo cantado”, apenas impedido por uma grande intervenção de Pickford, que neste jogo se tornou o internacional inglês com mais jogos em Mundiais, a par de Peter Shilton, com 17 jogos.
Pickford disse não a Raúl Jiménez ❌#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Mexico #Inglaterra pic.twitter.com/ejtGg692Q9
— sport tv (@sporttvportugal) July 6, 2026A seleção inglesa parecia perder-se no meio de tantos assobios quando tinha a bola e entre tantos olés, quando não a tinha. A seleção mexicana, por seu turno, parecia encontrar-se a si e à baliza naquele ambiente. Mais bola para os mexicanos, que avançavam com tudo e que nada tinham a perder, diante de uma toda poderosa Inglaterra, que deixou em casa, por exemplo, Cole Palmer, Trent-Alexander Arnold ou Phil Foden. Ali, na Cidade do México, estavam Declan Rice, Bellingham e Harry Kane, que até à pausa para hidratação nunca encontraram a baliza contrária com perigo.Mas os Três Leões não queriam o protagonismo. Só queriam a vantagem — à qual chegaram aos 36′ e ainda a alargaram dois minutos depois, pelo mesmo jogador: Jude Bellingham. As atenções voltadas para Harry Kane deram espaço suficiente para o médio do Real Madrid assinar um bis em três minutos. Ambos os golos surgiram na sequência de cruzamentos pela direita. O primeiro foi de Saka, pelo ar; o segundo de Harry Kane, rasteiro.
Jude Bellingham contra a corrente do jogo ????????????????????????????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Inglaterra #betano pic.twitter.com/WKIOui1z5P
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Outra vez ele, Jude Bellingham ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Inglaterra #betano pic.twitter.com/x0cwI7vgrV
— sport tv (@sporttvportugal) July 6, 2026Mas o intervalo não chegaria sem antes haver uma resposta mexicana, por intermédio de Julián Quiñones, que reduziu a vantagem inglesa aos 42′. O resultado esteve perto de voltar a encontrar a igualdade ainda antes da pausa, mas Pickford, outra vez com uma grande defesa, voltou a travar outro grande cabeceamento de Jiménez.
Julián Quiñones volta a colocar o México no jogo ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Mexico #betano pic.twitter.com/AoAnMuxRDs
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INTERVALO ⏱️[ ???????? México 1-2 Inglaterra ???????????????????????????? ]
???? QUE PRIMEIRA PARTE! ???????????? O rumor de “doping com Viagra” parece confirmar-se e para ambos os lados, num jogo muito intenso, sobretudo na recta final da 1ª parte. O México teve sempre mais iniciativa mas distraiu-se durante 2… pic.twitter.com/JyyYBaWJ8k
— GoalPoint (@_Goalpoint) July 6, 2026A segunda parte não sofreu com a interrupção do intervalo e trazia ainda mais emoção. Inglaterra entrou melhor na partida, mas acabou por perder um jogador por expulsão. Depois de Quansah entrar com a sola da chuteira na perna de Gallardo. A partir dos 54′, a seleção inglesa passava a jogar com menos uma unidade.
Jarell Quansah foi tomar banho mais cedo ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #inglaterra pic.twitter.com/EWcoftEqhi
— sport tv (@sporttvportugal) July 6, 2026A circunstância sugeria que o golo estaria próximo. Só não previa que fosse um golo inglês: quatro minutos depois de Quansah ser expulso, Anthony Gordon ultrapassou o mexicano Rangel dentro da área, que durante o lance derrubou em falta o mais recente reforço do Barcelona. Harry Kane assumiu a responsabilidade de assegurar que a Inglaterra jogava com uma vantagem de dois golos, que foi isso que passou a ter. Rangel ainda adivinhou o lado, mas a bola foi enviada com força suficiente para a Inglaterra fazer o terceiro no Azteca aos 60′.Ainda assim, por conta da inferioridade numérica inglesa, nada estava definitivamente resolvido. Que o diga Jiménez, que reduziu para os mexicanos aos 66′. O duelo ficou sempre na dúvida do que aconteceria até ao final e essa incerteza ainda foi maior quando foram dados 11 minutos de desconto, justificados com substituições, golos marcados, idas ao VAR e outras paragens na partida.Mas Inglaterra conseguiu resgatar do seu fundo um estofo de campeão. Não é novidade que, para se ganhar um Mundial, é preciso sofrer. Foi exatamente essa aula que os ingleses deram, fazendo tudo o que podiam para proteger a baliza de Jordan Pickford. E com menos um jogador em campo. A águia-real mexicana ainda tentou voar para o empate e sonhar com os ‘quartos’ do Mundial, mas os Três Leões mantiveram esse sonho bem assente no chão e nunca largaram a vantagem desde o seu primeiro golo.
Aproveitou o foco no seu capitão para fazer a diferença. Jude Bellingham esteve até agora, praticamente, na sombra de Harry Kane. A sua melhor versão, mais goleadora, apareceu na noite certa, com os seus dois golos a serem determinantes para travar o México, que mandava no jogo nessa altura e que dava sinais de estar muito mais próximo de inaugurar o marcador do que o adversário.
Jordan Pickford apareceu em momentos cruciais no jogo da seleção inglesa. Depois de um jogo de dois golos sofridos, quem não viu o jogo pode achar estranho que o guardião do Everton seja destaque, mas Pickford impediu a vantagem mexicana logo aos 15 minutos de jogo. Esse golo poderia ter virado do avesso a história do jogo. Mais tarde, ainda na primeira parte, impediu o golo do empate, com o México a entregar uma resposta forte aos dois golos repentinos marcados por Bellingham. Uma vez mais, um momento que podia ter mudado o desfecho do duelo. Foi uma boa exibição do guarda-redes inglês no dia em que se tornou, a par de Peter Shilton, o jogador inglês com mais jogos em Mundiais, com 17.
History for Jordan Pickford ????
The goalkeeper is set to equal Peter Shilton’s #ThreeLions record of 17 @FIFAWorldCup caps ???? pic.twitter.com/M7cwLM1w5E
— England (@England) July 5, 2026
Com este resultado, o segundo dos três anfitriões desta edição do Campeonato do Mundo acaba de ser eliminado. Depois do Canadá diante de Marrocos, agora foi o México que saiu da prova. Desta forma, Inglaterra avança para os quartos de final do Mundial, onde defrontará a Noruega, que horas antes bateu o Brasil por 2-1.
4/8 ✅#FIFAWorldCup pic.twitter.com/c7xI4RSCsU
— FIFA World Cup (@FIFAWorldCup) July 6, 2026
Era verdade e deixou de o ser, por culpa da Inglaterra, que fez história ao bater o México: a Tri perdeu pela primeira vez no Estádio Azteca num jogo a contar para a fase final de um Campeonato do Mundo.







