Almada sem água. Como se justifica a crise de abastecimento
▲SMAS anunciou a "redução da pressão da água na rede entre a meia-noite e as 6h00 em todo o concelho"
dpa/picture alliance via Getty I
“Os consumos de 2026 representam o maior volume já distribuído no concelho de Almada em mais de 75 anos de abastecimento público“, acrescenta.
Ao Observador, fonte oficial do SMAS de Almada garante que estão a “implementar diversas soluções, urgentes, para mitigar os atuais constrangimentos”, incluindo a ativação de um “novo furo de captação que se encontra já em pleno funcionamento” e a “entrada ao serviço de outro novo furo até ao final de julho”.Revela ainda que os serviços têm mais três furos em fase de licenciamento e outros três em fase de projeto, com o objetivo de “aumentar a capacidade de reserva e continuar a reabilitação da rede de abastecimento”.“Os SMAS não atendem no piquete de avarias, as informações que temos advêm dos grupos de Facebook e Instagram”, diz ao Observador Ana, que reside na localidade de Lazarim. Esta sexta-feira, às 8h00, corria um pequeno fio de água da torneira de sua casa. A partir das 9h00, o corte ficou completo e dura até à hora da publicação deste artigo.
“Temos vivido à custa de água engarrafada e, para casas de banho, de baldes e garrafões que enchemos quando existia alguma água”, conta, revelando a “incerteza” que já vem de há alguns dias. Quem tem furos privados tem sido solidário e partilhado alguma água com quem vai precisando. Ana fala num cenário de “terceiro mundo”.Depois de ter estado “quase 24 horas” sem água, na sexta-feira, o cenário da habitante de Lazarim repete-se esta segunda-feira. Ana diz que quando viu o anúncio na página dos SMAS de Almada a dar conta da reparação da rutura deste domingo, em Sobreda, julgou que o abastecimento “tenderia a melhorar”, mas foi surpreendida com mais um dia sem água da rede pública, acrescendo o facto de o país estar a atravessar uma onda de calor.“Face ao período do ano em que nos encontramos, marcado por temperaturas elevadas e maior procura de água”, a ERSAR recomenda à população a “adoção de comportamentos que contribuam para um consumo mais eficiente e sustentável, evitando situações de rutura nos sistemas de abastecimento”, diz ao Observador.Recomenda desde logo a “reparação célere de fugas em instalações prediais” que colocam muita pressão na rede de distribuição pública. Em casa, recomenda os “duches curtos em detrimento de banhos de imersão”, a “utilização racional de máquinas de lavar roupa e loiça, preferencialmente com carga completa”, “a redução da rega de jardins e espaços verdes, sobretudo nas horas de maior calor”, e a “não utilização de água potável para lavagem de pavimentos, passeios ou veículos, salvo quando estritamente necessário”.A ERSAR garante ainda que vai continuar a acompanhar o caso de Almada “em estreita colaboração com a entidade gestora, atendendo, em qualquer caso, às reclamações que os consumidores afetados nos têm feito chegar”.









