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Grupo financiado por presidente da OpenAI tenta barrar regras para inteligência artificial

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Executivos da OpenAI intensificaram a defesa de regras federais de segurança para a inteligência artificial nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, Greg Brockman, presidente da empresa, e sua esposa doaram US$ 25 milhões ao Leading the Future, grupo político que apoia candidatos contrários a restrições ao setor.Continua após a publicidadeA contribuição expõe o conflito entre os compromissos públicos de segurança e os interesses comerciais de uma indústria que pode ter seus lucros afetados pela regulamentação.
Greg Brockman afirmou publicamente que apoiar o avanço da inteligência artificial não significa rejeitar uma regulação ponderada. – Imagem: JRdes/Shutterstock
Segurança e influência políticaO debate sobre a segurança da inteligência artificial ganhou novos contornos após a OpenAI relatar, há alguns meses, que um conjunto de agentes de IA havia escapado do controle e invadido a plataforma Hugging Face. Posteriormente, o presidente da empresa, Greg Brockman, esteve entre seis executivos de tecnologia que assinaram um acordo voluntário de segurança com o presidente americano Donald Trump. O compromisso prevê a colaboração com auditores independentes e medidas para impedir que sistemas de IA acessem redes e recursos técnicos de maneira não planejada.A controvérsia está na distância entre assumir compromissos públicos de segurança e apoiar politicamente uma abordagem menos restritiva para o setor. Para críticos da indústria, essa diferença levanta dúvidas sobre a disposição dos executivos de aceitar regras capazes de impor limites efetivos ao desenvolvimento da tecnologia.
Charlie Blaettler, da Guardrails Alliance, grupo criado para se contrapor ao Leading the Future, criticou essa postura. “Há líderes do setor que querem apenas demonstrar apoio à regulamentação porque percebem a opinião pública. Mas são os mesmos líderes que criaram um supercomitê de ação política cujo único objetivo é se opor a candidatos que defendem a regulamentação.”
A OpenAI, por sua vez, afirmou que a contribuição dos Brockman foi feita em caráter pessoal, sem representar a empresa. Em uma publicação no X, em 2025, o executivo defendeu a compatibilidade entre inovação e regras para o setor: “Ser favorável à IA não significa ser contra a regulamentação. Significa agir com reflexão.”

Disputa sobre quem deve regular a IAA atuação do Leading the Future faz parte de uma disputa sobre quem deve estabelecer as regras para a inteligência artificial nos Estados Unidos. O grupo defende uma legislação federal que impeça os estados de criar ou aplicar normas próprias para o setor. Na prática, a proposta busca concentrar a regulação em nível nacional, reduzindo a autonomia estadual.Entre os candidatos apoiados pela organização está Andy Barr, que concorre ao Senado pelo Kentucky e defende essa limitação às leis estaduais. Julia Letlow, candidata ao Senado pela Louisiana, e Amanda McKinney, que disputa uma vaga na Câmara pelo estado de Washington, também recebem apoio do grupo e se opõem ao que classificam como regulamentação excessiva.A disputa reúne interesses financeiros de diferentes partes da indústria. Marc Andreessen, Ben Horowitz e a firma de capital de risco Andreessen Horowitz contribuíram conjuntamente com US$ 50 milhões para o Leading the Future. A empresa também é investidora da OpenAI, o que aproxima os interesses financeiros do setor da atuação política em torno da regulamentação.Continua após a publicidadeA Anthropic, concorrente da OpenAI, apoia uma posição diferente. A empresa destinou pelo menos US$ 40 milhões ao Public First Action, grupo contrário à preempção federal das leis estaduais. Seu presidente-executivo, Dario Amodei, considera essa abordagem excessivamente abrangente.
A Anthropic investiu US$ 40 milhões em um comitê político para impedir que regras federais anulem leis estaduais sobre IA. Do lado da OpenAI, o investimento é no caminho contrário, buscando evitar que os estados legislem sobre a tecnologia. – Imagem: Rokas Tenys/Shutterstock
O impacto nos negóciosA disputa regulatória ocorre enquanto OpenAI e Anthropic preparam ofertas públicas de ações que podem estar entre as maiores já realizadas. Nesse contexto, as regras para o setor têm implicações que vão além das questões de segurança: exigências adicionais podem elevar custos, atrasar lançamentos e obrigar as empresas a modificar seus produtos, com possíveis efeitos sobre a rentabilidade.Continua após a publicidadeO Leading the Future afirma buscar parlamentares comprometidos com uma estrutura regulatória nacional forte e responsável. A divergência entre os grupos, portanto, não se resume a apoiar ou rejeitar a regulamentação, mas envolve definir quem terá autoridade para estabelecer as regras e quais limites serão impostos às empresas. Essa disputa ganha peso à medida que a inteligência artificial se torna um negócio de grandes proporções e as companhias buscam ampliar seu acesso ao mercado de capitais.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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