La Guaira. Luso-venezuelanos já puderam falar com familiares
▲Autoridades locais estão a disponibilizar, num estádio, gratuitamente, uma ligação à Internet sem fios para quem precisar contactar familiares
RONALD PENA R/EPA
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Vários portugueses e luso-venezuelanos que se encontram no estado de La Guaira, a região mais afetada pelos dois sismos que quarta-feira abalaram a Venezuela, conseguiram dizer por telefone à família que estão bem.“Não havia eletricidade, nem sinal no telemóvel, estávamos praticamente isolados e por isso não foi possível dizer aos nossos familiares que estávamos bem, o que já fizemos há pouco”, explicou um luso-venezuelano à Lusa.Pedro Abelardo Ferreira, 30 anos, explicou ainda que vive em Maiquetía, onde há “uma rua que ficou irreconhecível” devido ao derrube de vários prédios.
Apesar de já ter conseguido carregar a bateria do telemóvel e ter contactado os familiares, explicou que está preocupado porque são constantes as réplicas dos sismos, embora de intensidade reduzida.“A terra está frequentemente a tremer, já sentimos muitas dezenas de réplicas, que chegam acompanhadas de um forte ruído desde o centro da terra, o que causa ansiedade e às vezes as pessoas gritam”, explicou.Abelardo Ferreira disse ainda que as autoridades locais estão a disponibilizar, num estádio, gratuitamente, uma ligação à Internet sem fios para quem precisar contactar familiares.Incontactável desde há quase 24 horas, o radialista português Diogo José Freitas, responsável pelo programa de rádio “Portugal em Tropical” explicou à Lusa que estava bem, acompanhado por familiares e que há zonas daquele estado muito danificadas.
“O apartamento ficou destroçado, o edifício resistiu aos sismos mas o apartamento não. Além das colunas, o edifício tem paredes de tijolos que caíram. Hoje subi ao apartamento para tratar de salvar roupa principalmente, mas quase não deu para tirar nada porque está cheio de escombros”, disse Freitas.O radialista explicou ainda que as localidades de Cátia La Mar, as avenidas do Exército e Atlântico, onde ficava situada a estação de rádio Sonera 1450, onde trabalhou durante anos, ficou tudo destruído. Também as zonas de El Caribe e Tanaguarenas, Los Corales, também ficaram bastante danificadas.Vários portugueses desabafaram que é praticamente nula a presença de equipas de salvamento nalgumas zonas de La Guaira e que falta maquinaria na corrida contra o tempo para salvar vidas.Entretanto, residentes em La Guaira usaram as redes sociais para reclamar a falta de militares no terreno para ajudar os sobreviventes e resgatar pessoas, comparando com a rápida resposta para reprimir protestos.
O balanço mais recente divulgado pelas autoridades venezuelanos dá conta de que 235 pessoas faleceram e 4.300 ficaram feridas na sequência dos sismos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela na quarta-feira.Segundo o ministro da Saúde, Carlos Alvarado, o “maior número de feridos e mortos está no estado de La Guaira”.La Guaira, antigo estado de Vargas, faz fronteira com a região metropolitana de Caracas e alberga o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, o principal aeroporto do país, que foi temporariamente encerrado devido aos danos causados pelos sismos.Segundo Carlos Alvarado, devido ao grande número de doentes que necessitam de cuidados hospitalares naquela região costeira, foram instalados hospitais de campanha.
Horas antes, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, visitou La Guaira, acompanhada pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, e pelo presidente do parlamento, Jorge Rodríguez.Delcy Rodríguez, que declarou o estado de calamidade pública em todo o país, afirmou que esperam “resgatar o maior número possível de pessoas com vida” dos edifícios que ruíram.Portugal e outros sete países da União Europeia vão enviar equipas de busca e salvamento para a Venezuela.Pelo menos seis portugueses e luso-descendentes morreram nos sismos de quarta-feira na Venezuela, segundo o mais recente balanço, divulgado na quinta-feira à noite, por fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros.









