CIÊNCIA

Nani: "Nós habituamos sempre mal os portugueses"


Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Acho que é um balanço positivo. Acho que o Mundial, em geral, está a ser uma grande surpresa. Acho que todas as equipas que estão a representar os seus países, estão a representar da melhor maneira. Acho que está a ser uma competição muito competitiva, a um excelente nível. Os jogadores estão a apresentar-se em excelente forma. Vê-se que hoje em dia é cada vez mais difícil estar presente como atleta numa competição como esta e vê-se a performance de todos os jogadores, que tem sido do mais alto nível, o mais alto rendimento e, por isso, vê-se bons jogos, bons gols, boas performances. E eu acho que para nós, que estamos cá fora, que gostamos de futebol, tem sido um bom espetáculo.
Nani já não está no grupo, mas vendo de fora, já esteve lá dentro, também já sofreu com isso. As críticas à volta da seleção, primeiro foi a praia, depois a exibição, agora a vitória. Como é que viveu isto tudo e como é que sente que o grupo está, porque tem ainda ligações fortes àqueles jogadores?
Para mim, acho que não é nenhuma surpresa. Eu acho que a nossa seleção, se olharmos para trás, foi sempre assim, em todas as grandes competições. O nível de exigência dos adeptos e dos portugueses é sempre muito elevado e tem a sua razão, tem o seu porquê, porque nós nos habituamos sempre mal, com grandes jogadores, grandes talentos, sempre favoritos em todo o mundo. A expectativa sempre é enorme e sabíamos que os inícios das competições não é sempre do melhor e sabemos que há sempre aquele nervosismo que não ajuda. E eu sabia que o primeiro jogo não ia ser tão bom, em termos de resultado, mas olhei com bons olhos, vi uma seleção com dinâmica, vi uma seleção que dominou o jogo. Simplesmente não fizemos gols, não fomos tão objetivos como no segundo jogo. E no segundo jogo, já mais aliviados, já mais habituados à competição, demonstrámos que, afinal, era mesmo aquela ansiedade que nos estava a atrapalhar. Agora, com este bom resultado que tivemos no segundo jogo, é manter o foco, manter a mesma ambição, jogar com o mesmo caráter, porque sabemos que vai ser um jogo mais difícil na teoria, porque vamos jogar com uma excelente seleção, mas normalmente esses jogos, são os jogos em que nós jogamos melhor e por isso acredito que amanhã será um grande jogo da nossa parte.
Para quem já ganhou títulos na seleção, o que é essencial? Fala-se muito, obviamente, de jogar bem, ter bons talentos, mas a questão do espírito de grupo numa competição como esta é o principal segredo para ter sucesso?
Sim, eu acho que é o segredo. Vocês têm visto as outras grandes seleções a competir neste mundial, é o que têm demonstrado. O sucesso dessas seleções, se reparares, a seleção da França, por exemplo, tinha um grande problema com o Dembélé, Mbappé e todos os outros craques, o Olise. E eu estive a ver o último jogo e vi a entreajuda quando perdem a bola, o outro compensa, eles a procurarem-se uns aos outros, a tentar combinar, tentar servir uns aos outros. E quando os jogadores tentam se agradar uns aos outros, tudo acontece. E é isso que a nossa seleção também está a tentar fazer. Vimos no último jogo, foi um espetáculo e quando é assim, as coisas correm bem. E é o que as grandes seleções estão a fazer. A seleção da Argentina também, a seleção do Brasil, e os resultados estão a aparecer. Eu acho que os jogadores já entenderam. Se querem ganhar, se querem chegar o mais longe possível, vão ter que assumir essa postura dentro de campo. E é por isso também que os resultados das seleções têm sido fantásticos.
Nani, tem falado com algum dos jogadores da seleção portuguesa, a tentar perceber também como é que está este balneário, se tem deixado algum tipo de conselho?
Não, para ser sincero, eu acho que é muito difícil falar com os jogadores nessas competições. Os jogadores, o foco é todo dentro do seio da equipa e eu já passei por essa fase e sei que quando nós estamos na seleção, não queremos dar atenção para ninguém, independentemente se seja amigos ou familiares. Falamos muito pouco e acho que é isso que devem fazer, porque é um grande trabalho, é um trabalho enorme que vão ter que fazer e não se pode gastar energia com nada que é exterior.
Em relação também ao Cristiano, que alcançou os seis gols em seis mundiais, ou seja, gols em seis mundiais, é o primeiro de sempre. Como é que o vê com 41 anos e como é que vê também a gestão que é feita em relação à temporalização dele aqui na seleção nacional?
Eu vejo ele como sempre vi. Parece um menino, um jovem jogador, jovem atleta, se calar, com mais ambição do que antes. É impressionante a fome de querer vencer, o exemplo que ele transmite para todos aqueles que o seguem. Dentro de campo, ele tem sido fantástico. É lógico que nós sabemos que nem sempre vai ser o dia dele, mas sempre que tiver essa postura dentro de campo, lutar, trabalhar, correr, sempre com vontade de querer ajudar a seleção, vai ser fantástico. E por isso é de louvar e continuar a apoiar, porque sabemos que ele é uma mais-valia e sempre vai estar ali presente para dar alegria à nossa equipa, à nossa nação.
O que é que interpretou aquele “estou de volta” no final do jogo?
Interpretei com bons olhos, porque é bom saber que ele não se cala, ele continua a ser quem ele sempre foi e quando assim é, sabemos que vai haver gols, vai haver bons jogos e a personalidade está lá. Não se deixa intimidar por nenhumas palavras do exterior, porque sabemos que foi muito criticado na primeira semana, o que é normal. Mas como ele sempre nos habituou a dar boas respostas, se não houvesse uma crítica, acredito que ele não fazia os gols. Então eu acho que os portugueses devem continuar a criticá-lo, porque ele vai responder sempre.
Ele cresce com a crítica.
É verdade. Foi sempre assim. Eu acho que ele não vai ser diferente.
Nani, muito obrigado.
Nani, só uma última questão. Nós fazemos sempre essa pergunta aos jogadores da seleção nacional, que é: esta é a melhor geração? E eles respondem-nos sempre assim: “A geração melhor é aquela que ganhou, e a que ganhou foi a vossa”. Como é que vocês veem esta comparação? Vocês acham, da vossa geração que ganharam, que esta é a melhor, mas que a vossa era mais trabalhadora, era mais disciplinada em campo, era mais humilde? Como é que veem as diferenças quase 10 anos depois?
Eu acho que a melhor é sempre aquela que vem de trás, aquela que nos deu o exemplo, aquela que nos ensinou o caminho. E eu acho que para mim, aos meus olhos, a melhor era aquela que me incentivou, que me motivou a ser quem eu fui no mundo do futebol. E dou graças a Deus por ter visto Figo, Rui Costa, Deco, Maniche, todos esses grandes jogadores, que alguns deles até tive a felicidade de participar em jogos com eles e poder aprender com eles, porque sem eles não era possível, se calar, existir o Nani e crescer com uma ambição e querer representar a nossa seleção, como todos eles fizeram.
Também havia a questão de quem era o mais bonito na altura, Nani, como agora.
O mais bonito era eu, mas ninguém sabia reconhecer isso.
Ninguém existia.
É verdade.

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