Ninguém segura a nossa economia (infelizmente)
Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
“Ideias Feitas” na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.
Olá, Ricardo. Boa tarde.
E hoje, deixa-me ver se eu entendi isto bem, tu achas que ninguém segura a economia portuguesa?
É, ninguém segura, mas decai para o lado errado.
Eu estava a ver o lado otimista.
Não, é o lado pessimista. Comigo o otimismo é raro.
Por isso é que eu estava a estranhar.
Pois, só quando adoecer e para já ainda não, felizmente. Há dois ou três dias, não sei quando é que foi, talvez na quarta-feira, aqui no “Ideias Feitas”, falei daquela alteração da metodologia do Instituto Nacional de Estatística na contagem da população. E em consequência, a população residente foi revista em alta, como se diz, ou seja, Portugal passou daquilo que julgávamos ser cerca de 10,5 milhões, 10,7 milhões de habitantes ou de residentes, para perto de 11,5 milhões. Ou seja, uma diferença de 700 a 800 mil pessoas, quase 7%. E essas pessoas são, sem grande surpresa, quase todas imigrantes, serão na esmagadora maioria imigrantes. E nesse “Ideias Feitas” foi sobre os imigrantes que falei, sobretudo falei sobre as consequências sociais para os que cá estavam e para os que chegam, de receber uma quantidade tão desmesurada de pessoas em tão curto período. Mas também há consequências económicas, porque esta nova contagem do Instituto Nacional de Estatística não se traduz apenas na demografia, como há mais habitantes do que se julgava, mas o PIB é exatamente o que se julgava, ou pelo menos estamos crentes disso. Ao dividir o mesmo PIB por uma população maior, o PIB per capita diminui. E no PIB per capita em paridade do poder de compra, que é a adaptação aos preços de cada país, ao custo de vida propriamente dito, Portugal passou de 81% para cerca de 76% da média da União Europeia e desceu do 18º lugar para o 22º lugar entre os países da União Europeia. Por sorte, há algumas boas notícias nisto tudo. A primeira boa notícia, desde logo, é que Portugal não ficou mais pobre. Há uns dias, Portugal já era exatamente tão pobre quanto é hoje. A diferença é que agora ficámos a sabê-lo. Também quem quisesse saber, provavelmente já o sabia ou pelo menos desconfiava com muita força, mas há sempre aqueles que preferem acreditar em lendas, no Pai Natal e extraterrestres ou, pior ainda, nos discursos dos nossos governantes. E quem acredita nos discursos dos governantes, e refiro-me à quase totalidade dos nossos governantes dos últimos 30 anos, acredita na imparável pujança da economia portuguesa. Infelizmente, quem prefere ter em conta a realidade, com ou sem dados do INE, já desconfiava que temos vindo a ser ultrapassados pelos países do leste europeu e, portanto, somos cada vez mais pelintras no contexto da União Europeia. E de resto, era difícil que não fosse assim, após 30 anos de socialismo assumido ou mitigado, quase ininterrupto, porque enquanto os países de leste apostam na economia de mercado, no incremento da produtividade, nos incentivos fiscais ao investimento, em indústrias tecnologicamente avançadas ou pelo menos mais avançadas que o nosso turismo, na flexibilização das leis laborais, na mão de obra qualificada, diminuição da burocracia e, vamos lá dizer a palavra maldita, nos princípios básicos que fazem com que o capitalismo costume enriquecer as economias que o adotam. A segunda boa notícia é que já estamos muito perto dos últimos lugares da União Europeia para recearmos grandes quedas no futuro mais ou menos próximo. Ou seja, é possível que em breve a Eslováquia, a Letónia, a Hungria e até a Grécia, estou aqui a ler, nos ultrapassem nos indicadores económicos em causa. Portanto, a partir daí já resta muito pouco, resta apenas um país. E essa é a terceira boa notícia, é que com um governo avesso a reformas, com uma oposição que do PS ao Chega rejeita até reformas microscópicas, e com eleitores dispostos a amparar isto tudo, daqui a nada estaremos a disputar com a Bulgária o posto de mais pobre economia da Europa. É uma questão de acreditar e vai ser um confronto, não digo de gigantes, mas de anões empenhados, trabalhadores e esforçados, e de qualquer maneira vai ser uma luta renhida, de fazer inveja àqueles aborrecidos jogos do mundial. Bom fim de semana.
Obrigado, Alberto e bom fim de semana.
Obrigado.
É com essa nota de otimismo que vamos para o fim de semana.
Como sempre ou quase sempre.
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