Muitas críticas, apelos à mudança e um Orçamento aprovado
▲Rui Costa voltou a assumir o que correu bem e mal na temporada de 2025/26 sobretudo na Assembleia Geral da manhã, acabando à tarde com o Orçamento do clube aprovado na segunda reunião magna
DIOGO FARIA REIS / OBSERVADOR
Uma primeira Assembleia Geral com segunda chamada logo às 9h da manhã que tinha como objetivo fazer um balanço daquilo que foi a última temporada a nível de futebol, de modalidades, de associativismo e, em termos génericos, de clube. Uma segunda Assembleia Geral, neste caso com um início previsto para as 14h30, apenas com o ponto de votar o Orçamento do clube para o novo exercício de 2026/27. Em súmula, era isto e apenas isto que estaria em cima da mesa no Pavilhão da Luz, que recebia duas reuniões magnas num único dia na antecâmara do fecho da fase de grupos do Campeonato do Mundo de seleções, com Portugal a jogar com a Colômbia em Miami a partir das 00h30, madrugada de domingo. A partir daqui, tudo podia acontecer. Ou melhor, havia condições para que tudo acontecesse. E o interesse no dia já tinha um “número”.
Ao todo, e na véspera das duas Assembleias Gerais, os serviços do Benfica já tinham recebido um total de 142 questões dos associados, numa fórmula que começa agora a ser utilizada na Luz para tentar abrir ao máximo a todos os sócios aquilo que é a discussão da vida do clube. “O nosso compromisso é fazer chegar a quem de direito todas as questões que forem suscitadas”, assegurara José Pereira da Costa, presidente da Mesa da Assembleia Geral dos encarnados, em declarações à BTV antes das reuniões magnas onde assegurou que a formação da Luz criou todas as condições para que as pessoas habilitadas pudessem participar no encontro, fosse em termos presenciais, fosse através das plataformas digitais disponibilizadas pelos serviços.“Haverá um processo transparente, cristalino, certificado e auditável, com um sistema de voto mais ágil, mas também certificado. Espero que o processo deliberativo decorra de forma ordeira, calma e ponderada, como os sócios habituaram o clube e quem olha de fora desde 1904, como exemplo de civismo e democracia. Haverá transmissão em streaming, que já ocorreu na Assembleia Geral do Benfica District e visa apelar à participação de todos os sócios nas Assembleias gerais do Benfica. Há uma estrutura informática montada e assegurada, do primeiro ao último minuto das duas assembleias gerais”, garantira José Pereira da Costa.Críticas ao “Sport Lisboa e Betão”, receio de derrapagens, prioridade ao futebol. No final, quase 30 mil disseram “sim” ao Benfica District
E se, no início do ano, a Assembleia Geral conseguiu juntar quase 30.000 votantes através destes novos meios de participação, esta reunião magna tinha também condições para fazer aumentar, e muito, os resultados em torno da votação do Orçamento do clube para a próxima temporada. No entanto, e antes, Rui Costa e os restantes pares da Direção estariam quase debaixo de um “escrutínio sem números”, tendo em conta os resultados dos encarnados no futebol em 2025/26, do terceiro lugar no Campeonato à falta de troféus (a não ser a Supertaça, referente à temporada anterior, ganha ainda em julho frente ao Sporting com Bruno Lage no comando), passando pela aposta em José Mourinho num período pré-eleitoral, pela rábula da saída para o Real Madrid que foi congelando tudo e todos até haver eleições nos merengues e pelas operações feitas no mercado de transferências pelo SAD. Tudo temas que Rui Costa já tinha abordado em conferência.Ainda assim, e apesar dessas explicações, tudo volaria novamente a ser questionado – e colocado em causa, depois de um final de temporada que terminou, nos últimos minutos do derradeiro encontro na Luz para a Primeira Liga frente ao Sp. Braga, com pedidos de demissão para Rui Costa… pouco mais de seis meses após ter sido reeleito no sufrágio mais participado de sempre e que só foi decidido na segunda volta. Era também por isso que tudo apontava, à partida, para a participação de todos os candidatos derrotados nas eleições: Noronha Lopes, Luís Filipe Vieira, João Diogo Manteigas, Martim Mayer e Cristóvão Carvalho. E que, num número que entretanto tinha sido atualizado, já existiam mais de 240 questões feitas pelos sócios.Logo a abrir a reunião magna, e como é habitual nestes momentos, Rui Costa falou a todos os associados que já marcavam presença no Pavilhão número 2 da Luz (e que iam acompanhando através dos outros meios que foram disponibilizados) colocando um ponto em cima da mesa que marcaria toda a manhã: a última época não cumpriu os objetivos que estavam estipulados, os encarnados não conseguiram fugir ao insucesso.
“É aqui, perante os sócios, que prestamos contas do trabalho realizado, que assumimos responsabilidades pelas decisões tomadas e que apresentamos a visão que temos para o futuro do nosso clube. O Benfica sempre foi construído desta forma: na exigência, no debate e na convicção de que só com a participação dos sócios conseguimos tornar o clube cada vez mais forte. É precisamente com esse espírito que hoje aqui estamos para proceder ao balanço da época que agora está a findar. Importa reconhecer aquilo que fizemos bem, assumir o que não correu como desejávamos e, acima de tudo, corrigir o que tiver de ser melhorado. Começando pelo futebol profissional, importa dizer com total frontalidade aquilo que sentimos: a época ficou aquém da exigência que define o Benfica”, começou por assumir o líder do clube na Luz.“A conquista da Supertaça é um título que valorizamos mas está longe de corresponder às ambições que tínhamos para esta época. O terceiro lugar no Campeonato e a ausência da Liga dos Campeões do próximo ano não correspondem aos objetivos que traçámos nem ao investimento realizado. Não ignoramos a realidade, nem procuramos escondê-la. Assumimos o desfecho com sentido de responsabilidade e com a convicção de que o Benfica tem de voltar a ocupar o lugar que lhe pertence. Ser campeão nacional, o principal objetivo com que partimos em cada ano. Ao mesmo tempo, importa analisar a época com rigor e sem simplificações”, prosseguiu, antes de introduzir algumas notas de contexto da temporada de 2025/26.“Estávamos cientes que iríamos enfrentar um contexto particularmente exigente, marcado por um calendário condicionado pela realização do Campeonato do Mundo de Clubes, o que reduziu significativamente o tempo disponível entre o final da temporada e o arranque competitivo da nova época. Foi também nesse enquadramento que procurámos reforçar a equipa com novos jogadores que pudessem ter um rendimento elevado imediato, algo que, quer por erros de expectativas da nossa parte, quer por questões de adaptação, acabou por não acontecer da forma como pretendíamos, culminando numa irregularidade exibicional que muito nos comprometeu em termos de classificação”, prosseguiu Rui Costa, numa época em que chegaram à Luz Richard Ríos, Dedic, Ivanovic, Obrador, Enzo Barrenechea e, nos últimos dias de agosto, Lukebakio e Sudakov (Sidny Lopes Cabral e Rafa Silva foram reforços depois na reabertura de mercado em janeiro).“Como já afirmei publicamente, não escondemos os nossos erros em fatores arbitrais. Sou o primeiro a assumir que falhámos em vários planos. Mas também não podemos aceitar que os nossos falhanços sirvam para escamotear erros de arbitragem relevantes que condicionaram e muito o nosso percurso e tiveram um desfecho importante no desenrolar do Campeonato. Nenhuma destas circunstâncias diminui a nossa responsabilidade, nenhuma. Mas servem, isso sim, para enquadrar uma época que ficou aquém das expectativas e da qual retiramos ensinamentos importantes”, rematou nesta fase do discurso.
“Com o arranque dos trabalhos no Benfica Campus, na passada quinta-feira, iniciamos uma nova etapa, assente numa renovada estrutura técnica e numa visão clara para devolver o Benfica ao lugar que lhe pertence. Estamos a preparar esta nova temporada com rigor, exigência e sentido de responsabilidade, conscientes de que os benfiquistas esperam respostas dentro de campo e estamos determinados em corresponder a essa expectativa. É isso que todos pretendemos. Queremos e tudo vamos fazer para conquistar o campeonato nacional e ter uma presença expressiva na Liga Europa. No fundo, devolver o Benfica ao lugar que os sócios exigem e que a história do clube nos impõe”, apontou sobre 2026/27.
???? Back to work. pic.twitter.com/4OztSDkvNw
— SL Benfica (@SLBenfica) June 26, 2026A partir daí, Rui Costa falou também de outras modalidades e pontos do clube. “No futebol feminino, vencemos o Campeonato e a Taça, reafirmando de forma inequívoca a nossa hegemonia no panorama português. Trata-se de uma trajetória de sucesso que queremos consolidar, depois da conquista do hexacampeonato, e que nos orgulha profundamente. Mas as nossas metas não se esgotam nas fronteiras nacionais. Queremos continuar a crescer a nível internacional. É com esse objetivo que partimos para a nova época, com a mesmo compromisso, a mesma cultura de excelência e o espírito vencedor que definem o Benfica. O Benfica está longe de esgotar-se no futebol, tal como comprova a forma vibrante e apaixonada como todos vivemos os jogos aqui nestes pavilhões”, salientou o líder das águias nessa fase da intervenção.
Rui Costa na AG: ????️: “Ouvi uma preocupação sobre o futebol feminino, devido à saída de algumas atletas, que esgotaram o seu período no Benfica. A garantia é que a equipa será reforçada. É um projeto no qual não deixaremos de investir e não deixaremos de querer continuar a ganhar” pic.twitter.com/2OtteuyISe
— SL Benfica Futebol Feminino (Apoio) (@BenficaFem) June 27, 2026“O Benfica é um clube eclético por vocação, por tradição e por convicção. É essa identidade que faz de nós uma referência nacional e internacional e que nos obriga, todos os anos, a competir para vencer em todas as modalidades. Sublinho, em todas as modalidades. Fomos gloriosos no feminino, mas menos do que queríamos no masculino. A época que agora termina permitiu-nos conquistar, até ao momento, 17 títulos entre competições nacionais e internacionais, menos um título do que na temporada anterior. Nesta tarde, podemos acrescentar ainda mais um campeonato ao nosso palmarés com uma vitória da nossa equipa feminina de hóquei em patins. E amanhã [domingo], como todos desejamos, garantir aqui na Luz, com o apoio dos nossos adeptos, o bicampeonato de futsal”, apontou, recordando a “negra” no futsal masculino.“Se globalmente o palmarés desta época merece ser valorizado, também aqui a nossa aspiração obriga-nos a dizer que queremos mais. Refiro-me, em particular, às modalidades masculinas de pavilhão, onde todos estamos de acordo: o Benfica tem de ser mais vitorioso, porque temos criado as condições para isso. É esse o nosso desígnio e continuará a ser o nosso compromisso, quer a nível de investimento quer em termos de empenho de todas as estruturas do clube. Há, ainda assim, neste contexto, conquistas que merecem um destaque especial e devem ser relevadas. Saúdo a conquista do 25.º Campeonato de hóquei em patins, o triplete conquistado no andebol feminino e o tricampeonato nacional no basquetebol feminino, títulos que expressam a ambição do nosso projeto desportivo e a capacidade competitiva dos nossos atletas. Parabéns, igualmente, à equipa de futsal feminino que recuperou o título, numa trajetória que tem sido enormemente vitoriosa. A todas as equipas que conquistaram títulos nacionais nesta época, deixo, em nome da Direção, uma palavra de profundo reconhecimento. Representaram o Benfica com talento, dedicação e enorme sentido de responsabilidade. Merecem, por isso, a nossa gratidão”, detalhou Rui Costa sobre as modalidades.“No Benfica, nunca nos conformamos com aquilo que alcançamos. Essa é a essência do clube que amamos. Estamos, por isso, a implementar um conjunto de mudanças organizacionais nas modalidades de pavilhão, reforçando estruturas, metodologias e processos, para que o Benfica seja cada vez mais consistente, mais competitivo e mais vencedor. Melhorias estruturais mas também ao nível da mentalidade competitiva, que nos permitam conquistar títulos de forma cada vez mais vincada. Nas restantes competições disputadas fora dos pavilhões, há igualmente margem para melhorar mas também motivos de enorme orgulho. Quero aqui, nesta Assembleia Geral, ressaltar o regresso do Benfica ao título nacional de râguebi, 25 anos depois, numa das modalidades mais históricas que temos, e que é centenária. Até por isso, trata-se de um feito de enorme significado para todos os benfiquistas”, destacou também o líder dos encarnados.
“Para além do râguebi, destaco igualmente o heptacampeonato nacional da nossa equipa feminina de polo aquático, os excelentes resultados alcançados pela natação e a conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus de estafetas mistas em corta-mato, que voltou a levar o nome do Benfica ao mais alto patamar europeu. Permitam-me, por fim, uma palavra para o nosso Projeto Olímpico e, em particular, para Fernando Pimenta. O seu benfiquismo, a sua dedicação, a sua excelência competitiva representam da melhor forma os valores do Benfica. O recente título de campeão da Europa é mais uma prova da sua dimensão enquanto atleta e embaixador do nosso clube e de Portugal. Em seu nome, saúdo todos os atletas que diariamente elevam o símbolo do Benfica nas maiores competições nacionais e internacionais”, frisou.“Somos e seremos sempre uma Direção disponível para prestar contas, para ouvir os sócios e para responder às questões que entendam colocar. Iremos fazê-lo sempre com transparência e respeito, mas também com a responsabilidade que uma gestão desportiva de um clube da dimensão do Benfica impõe. Termino renovando a confiança de que o futuro será construído com o contributo de todos, ficando agora à vossa disposição para todos os esclarecimentos que considerem necessários”, concluiu Rui Costa.Começaram depois as intervenções de associados, a maioria com um tom crítico e a visar o insucesso no plano desportivo para apontar o dedo a Rui Costa, número 1 do clube. Mauro Xavier, que chegou a ser falado como um putativo candidato nas últimas eleições, foi um dos primeiros a fazê-lo mas sem pedir a saída dos atuais dirigentes. “O Benfica investiu mais de 130 milhões de euros em reforços. Terminou o Campeonato sem perder um único jogo, mas empatou um terço dos jogos realizados. Acabou em terceiro, a oito pontos do campeão e fora da Liga dos Campeões. Quando se tem mais recursos do que os rivais e se ganha menos, há um problema sério de preparação, de execução e de gestão. Os nossos erros não apagam os erros graves de arbitragem que marcaram momentos decisivos da época”, apontou o sócio.
Parte da minha intervenção na 1.ª AG dedicada ao balanço da época. Defendi qua o Benfica deve liderar, uma reforma profunda da arbitragem em Portugal, juntando todos os clubes que querem mais verdade desportiva, mais transparência e mais credibilidade no futebol português. pic.twitter.com/3BqI13hF3J
— Mauro Xavier ???????? (@MauroXavier) June 27, 2026“O Benfica tem de pôr na mesa uma reforma estrutural da arbitragem e juntar os clubes que defendem a verdade desportiva para a aprovar. É assim que se usa o nosso peso institucional. No projeto desportivo, Marco Silva será o sexto treinador em cinco anos desta Direção. Trocámos o treinador, o diretor desportivo, o scouting. Tratámos os sintomas e ignorámos a doença. O modelo desportivo continua por apresentar. O que vai ser feito de diferente? Não nos deixem a adivinhar. Expliquem aos sócios como vamos evitar o caminho que nos levou a vencer tão pouco em cinco anos”, acrescentou, antes de elogiar os bons exemplos. Por essa altura, também Luís Filipe Vieira, um dos últimos candidatos derrotados em 2025 a chegar, já tinha chegado ao recinto, sentando-se numa das filas da frente sem o “ruído” que se vira nas últimas Assembleias.A tónica dos associados que tomavam a palavra na primeira hora entroncava sempre no mesmo paradigma: falhanços no futebol, da falta de resultados à estratégia, passando também pela política de contratações. Era hora de se chegarem também à frente os candidatos derrotados no último sufrágio, a começar por Noronha Lopes, que conseguiu atingir a segunda volta com Rui Costa mas acabou por ser derrotado como já tinha acontecido em 2020, nesse caso contra o também líder que lutava pela reeleições, Luís Filipe Vieira.
“O que sempre fortaleceu este clube foi a capacidade de ouvir, aprender e corrigir porque todos queremos a mesma coisa: um Benfica mais forte. O passado pertence ao passado mas o futuro exige que aprendamos com ele. No ano passado voltámos a falhar. Não foi um acidente, foi mais um capítulo de um ciclo desastroso que não pode continuar. Quando o maior de Portugal vive este ciclo, a resposta não pode ser a normalização. A legitimidade desta Direção não está em causa. Foi escolhida pelos sócios e deve cumprir o seu mandato. Mas sejamos claros: a legitimidade ganha-se nas eleições, a competência e a exigência conquistam campeonatos. Clubes vencedores não são os que melhor se justificam. São os que aprendem mais depressa”, frisou.“A humildade de saber ver o que correu mal nunca enfraqueceu o Benfica, sempre o tornou mais forte. É dessa humildade que o Benfica precisa hoje. O Benfica não precisa de mudar de identidade, precisa de voltar a encontrá-la. Não fomos campeões só por culpa própria, fomos também escandalosamente prejudicados pelas arbitragens. O Benfica não pode viver de desculpas, mas também não pode aceitar injustiças. Não basta reagir, é preciso antecipar e liderar. Continuo a defender mudanças para uma arbitragem mais independente, mais transparente e mais responsável”, prosseguiu, antes de deixar uma questão sobre o veto à entrada de investidores americanos: “A decisão de bloquear a entrad foi acertada mas continua por explicar qual é a estratégia para o futuro. Que perfil queremos para a SAD? Que mais-valias devem trazer ao Benfica, para além do capital? Como garantimos que servem os interesses do clube e não só interesses financeiros?”.Antes de mais candidatos derrotados em 2025, falou também Francisco Benítez, que desafiou Rui Costa nas eleições de 2021. “Os sócios não sabem quem define a estratégia de futebol do Benfica. Os nomes mudam, os cargos mudam, os treinadores mudam, os jogadores mudam, os problemas mantêm-se. Falamos em assumir responsabilidades mas a culpa morre solteira. Quando tudo se altera ao mesmo tempo e nada melhora, a explicação costuma ser simples: falta um projeto. Mas há um lugar onde esta falta de rumo se vê melhor do que em qualquer outro: a formação, que devia ser o coração do futebol. O Seixal continua a ser uma das melhores academias da Europa, continua a produzir internacionais e ativos muito valiosos. Mas qual é o papel da formação no projeto desportivo do Benfica? O Benfica precisa de um rumo, e precisa que alguém assuma, com nome e com cara, a responsabilidade pelo futebol do Benfica”, criticou.
Partilho um breve excerto da minha intervenção na Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica, onde alertei para a falta de rumo estratégico no futebol do clube. O Benfica precisa de uma visão clara, coerente e sustentada para voltar a liderar. pic.twitter.com/j5iLs7DbmP
— Francisco Benitez (@F_Benitez) June 27, 2026Seguiu-se Martim Mayer, outro dos candidatos envolvidos no último sufrágio da formação da Luz. “O Benfica não é o Real Madrid B e o respeito pelo clube do nosso coração deve ser preservado sempre, vale muito mais do que qualquer quantia de dinheiro. Cabe ao presidente do Benfica saber passar esse respeito. Nos direitos TV, cada vez mais estão a ir contra os nossos interesses. Na arbitragem chegámos a um ponto em que nos limitamos a queixar do quanto nos prejudicam. Não podemos continuar a adiar o Benfica. Enquanto não anteciparmos problemas teremos o sistema contra nós. Se não nos damos ao respeito, ninguém nos respeita. Não existe uma estratégia de desenvolvimento, também aqui estamos a adiar o Benfica”, lamentou.“Precisamos de ganhar muitos mais títulos mas para isso precisamos ter uma visão a médio prazo, de estabilidade para reforçar a identidade do nosso futebol. Se o presidente do Benfica não tem ideias, não comunica com os sócios e não sabe agregar a massada adepta, não estamos só a adiar o Benfica, estamos a destruir todos os dias o que foi bem feito no passado desde 1904. Os resultados, ou a falta deles, estão à vista. Vivemos a pior década do futebol do Benfica desde 1904″, acrescentou ainda Martim Mayer, que no início da intervenção fez questão de deixar uma palavra para todos os benfiquistas a sofrer na Venezuela.Já numa parte final da manhã, foi João Diogo Manteigas a falar no Pavilhão número 2 da Luz. “A grandeza do Benfica mede-se pelas suas conquistas com base na exigência histórica e inegociável dos seus sócios mas sente-se lá fora o conformismo do ‘quase’. Não vamos normalizar a mediocridade. A história do Benfica não aceita desculpas em vez de títulos. Foi uma época de insucesso desportivo global, falharam na preparação e na gestão. Têm três anos para mudar. Já existem sinais positivos, como a contratação de Marco Silva, um treinador corajoso que abraça o Benfica numa altura complexa”, frisou, antes de deixar as questões.“Deve-se ajudar Mário Branco a definir o seu papel, ou se é diretor geral ou diretor desportivo. Sendo diretor geral, deve ter foco total e imediato na arbitragem. Já sabem a verdadeira razão pela qual Duarte Gomes se demitiu da FPF e do cargo importante que assumiu? Perguntem diretamente a Pedro Proença que vocês apoiaram contra a vontade da maioria. Dou-vos uma pista: Hélder Malheiro, Pedro Garcia e Luciano Gonçalves. Façam o vosso trabalho e pressionem. Nas modalidades, faz sentido termos um diretor geral desportivo. Raúl Moreira ou José Jardim como opções internas, Pedro Nunes como figura externa”, disse.Já depois das 13h30, Rui Costa, que foi anotando em tópicos os temas mais abordados nas intervenções dos sócios. Voltou a falar de modalidades, voltou a falar da arbitragem, voltou a separar duas coisas: uma foi a má época, outra foi a questão dos erros dos árbitros. “Não me justifiquei, de maneira nenhuma, de uma época má, ou péssima, com as arbitragens. Apresentámos várias propostas para dar mais credibilidade à arbitragem e respeito ao Benfica. Entraremos para a época com tolerância zero, quer com o Conselho de Disciplina, quer com a FPF onde está Pedro Proença. Não estamos presos a nada e iremos fazer o nosso papel a defender o clube intransigentemente, seja com quem for. A saída de Duarte Gomes é um muito preocupante, o Conselho de Arbitragem tem de explicar o porquê dessa saída do cargo”, começou por dizer.
“Nas questões do mercaod, não há contratação nenhuma que não passe pelo departamento de futebol, scouting e equipa técnica. Não há treinador do Benfica que não entre neste processo. Está fora de questão levantar a hipótese de os jogadores serem escolhidos por A, B ou C sem que haja um acordo e uma aprovação global do perfil que necessitamos. Não há jogadores que jogam porque foram caros”, assegurou, recordando o caso de Sudakov que, sendo o mais caro da história, esteve a segunda metade da temporada no banco. Mas havia margem para revelações sobre a nova época, a começar por uma contratação iminente.“O facto de apostarmos na nossa formação não obriga a que não olhemos para a formação de outros países e que não possamos encontrar talento. Muito se tem dito que o Benfica ia começar a temporada e que ainda não tinha chegado ninguém sem ser um miúdo de 17 anos. Sabemos que caminhos estamos a percorrer. Sabemos aquilo que temos que melhorar na equipa em relação ao ano passado. Necessitamos de um defesa com mais experiência para fazer este quarteto com o António [Silva] e o Tomás [Araújo]. Chegará nos próximos dias. É uma coisa que já está tratada, negociada, tudo feito com o jogador. O central está garantido, vai haver a entrada de mais um ala seguramente. Há essa necessidade. Há um dado que tem que ser contabilizado. Não entrou ninguém, mas da equipa base só saiu Otamendi. É uma base válida, que pode ser muito melhor do que foi e o que considerarmos melhorar a partir daqui será troca por troca”, explicou.
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— SL Benfica (@SLBenfica) June 26, 2026“Há um otimismo muito grande em relação a Marco Silva e que seja a melhoria da estabilidade em relação a treinadores. Foram seis treinadores em cinco anos, é um facto. Entrei com Jorge Jesus, que a meio da época teve aquela situação do Flamengo, que queria voltar. Chegámos a acordo para rescisão do contrato. Essa época acabou com Veríssimo. Depois disso foi contratado Roger Schmidt e de Roger Schmidt passámos para Bruno Lage. De Bruno Lage passamos para José Mourinho, que só sai pelas razões que vocês sabem. Não há da nossa parte a forma de não querermos segurar os treinadores. É isso que esperamos fazer com Marco Silva, mas as trocas anteriores tiveram as suas razões”, salientou ainda, antes de garantir que não existe qualquer tipo de empresário preferido: “Escolhemos sempre pelos jogadores, nunca pelo agente”.Na altura da segunda intervenção do presidente do Benfica, Rui Costa, o número de questões e/ou propostas já tinham chegado ao dobro dos valores da vésperada com cerca de 270. Mais: de acordo com as informações conseguidas apurar pelos serviços do clube, já tinham entrado e participado na Assembleia Geral mais de 7.500 associados em mais de 40 países. No Pavilhaõ número 2 encontravam-se pouco mais de 1.000 (1.043), com um total de 54 intervenções que acabou por atrasar em quase uma hora a segunda reunião magna.Aí, percebia-se que a vontade insuflada de participar já tinha decrescido, tendo em conta que estava agora em causa o Orçamento do clube para 2026/26 apresentando de forma mais cuidado pelo responsável da área no Benfica e na SAD, Nuno Catarino. Antes, Luís Filipe Vieira, que não chegou a falar de manhã, tinha referido que não pretendia voltar na sessão vespertina, numa postura que foi seguida por vários associados (sem ligação ao antigo líder dos encarnados, entenda-se). Foi também nesse momento que… houve campeão.
TRIDECACAMPEÃS NACIONAIS ????????????????????????????????????????????????????#HóqueiBenficaFem pic.twitter.com/OfyVIZf6AG
— SLBenfica Modalidades (@modalidadesslb) June 27, 2026Na altura em que um associado falava, e num jogo que chegou a estar interrompido por desacatos na zona das bancadas que foram sendo travados por Assistentes de Recinto Desportivo até chegarem as forças de segurança, o Benfica conseguiu dar a volta em Gulpilhares depois de ter estado a perder e somou o segundo triunfo na final do Campeonato de hóquei em patins feminino por 4-3 (antes vencera na Luz por claros 7-0), assegurando o 13.º título consecutivo que reforçou a hegemonia na modalidade. Rui Costa fez questão de marcar o sucedido na reunião magna, recebendo uma das maiores salvas de palmas. Antes, de manhã, os olhos do líder dos encarnados tinha estado sobretudo focado na hipótese de bicampeonato do futsal masculino, algo que não acontece há mais de uma década (a “negra” com o Sporting será este domingo).
João Diogo Manteigas voltou a falar nesta segunda reunião magna, neste caso com seis questões… e uma sétima que foi mais “provocação” de sócio do que outra coisa. “Já antecipámos algum valor do novo contrato com a NOS? Se sim, quanto? O clube-SPGS está a pagar a sua dívida e a cumprir com o plano pagamentos à SAD? Com a Comissão de Remunerações, existe algum vice do clube a receber da Benfica Estádio? Qual é o número de processo ou dos processos na Câmara Municipal de Lisboa sobre o Benfica District? A Benfica Multimédia ainda não foi extinta. Vai haver insolvência? António dos Santos é a segunda vez que tenta vender as ações sem ser ao Benfica. Na primeira, foi detido. Na segunda, recusaram e bem. Não querem ajudar o senhor a ganhar uns trocos para ganharmos mais poder de capital?”, questionou, antes de apontar depois para os nomes de Giménez (Atl. Madrid) ou Skriniar (Fenerbahçe) como o tal central.Durante a segunda Assembleia Geral, foi Nuno Catarino que respondeu às questões, voltando a dizer, em relação ao plano da centralização dos direitos audiovisuais, que o Benfica admite avançar com ações para a defesa dos seus interesses. Ainda assim, Rui Costa lá acenou que não quando João Diogo Manteiras apontou para o uruguaio como possibilidade para o centro da defesa encarnada. Quase dez horas depois, estava a chegar ao fim a segunda de duas reuniões magnas no Pavilhão número 2 da Luz, por onde passaram, num número atualizado, um total de 1.350 sócios. Ainda assim, e em termos de votantes, essa barreira já tinha ultrapassado a fasquia dos 8.000. E foi isso que, um pouco à semelhança do que acontecera com o Benfica District, as muitas críticas à Direção não tiveram depois reflexo nos resultados finais, com o Orçamento para 2026/27 a ser aprovado com 54,57% dos votos num universo de 8.209 votantes.










