CIÊNCIA

Portugal – Colômbia. Há penálti sobre Luis Suaréz?


Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Mais uma edição de “Sem Falta”, aqui da Rádio Observador, com especial destaque, naturalmente, para esta partida, para este empate a zero entre Portugal e a seleção da Colômbia. Com este resultado, a seleção das Quinas vai defrontar nos 16 avos de final a seleção da Croácia. Essa análise estará certamente disponível no site do Observador. Por isso, vamos ao relatório daquilo que foi a exibição do árbitro da partida. É australiano, tem 48 anos, é Alireza Faghani. Não é a primeira vez que este árbitro da Oceania arbitra jogos de Portugal em fases finais de Campeonato do Mundo. Comigo, neste “Sem Falta”, já tenho o audioárbitro da Rádio Observador, Pedro Henriques. Pedro, começamos esta análise logo ao minuto sete, com, neste caso, o reflexo das novas regras da FIFA. Foi a reversão de um lançamento lateral.
Sim, até por acaso hoje tivemos aqui mais do que uma dessas situações e é bom explicar. Esta ao minuto sete foi uma situação em que o Santiago Arias ia executar o lançamento em lateral. O árbitro, assim que sente e percebe, que é isso que os árbitros fazem, que o jogador já está em condições de executar o lançamento em lateral, apita e começa a fazer com a mão uma contagem regressiva decrescente dos cinco segundos que a lei agora prevê que os jogadores possam ter para fazer exatamente essa execução. Acontece que o jogador não tomou em consideração nem atenção e o árbitro, passado esses cinco segundos, e relembro que essa contagem é visível, portanto, o jogador está a ver o árbitro a contar, reverteu o lançamento e o lançamento assim passou para a seleção portuguesa, que na ocasião foi o Nuno Mendes depois que lançou. Tudo certo, aplicação da regra.
Mantemos a tônica nas novas regras implementadas. Neste caso, não é um lançamento, mas é a reversão de um pontapé de canto ao minuto 31.
Sim, e para explicar que ficamos com a ideia que o Renato Veiga, Portugal está a defender, Renato Veiga poderia ter tocado na bola e a bola ter saído pela linha de baliza, o que seria pontapé de canto. Inicialmente, é isso que o árbitro assistente, que até hesitou um bocadinho, deu, mas depois vem a alteração da lei, que diz que nos pontapés de canto concedidos de forma incorreta, desde que a decisão possa ser corrigida imediatamente, ou seja, que seja muito visível para o VAR e fácil de percetível sem grandes repetições, o VAR dá essa indicação ao árbitro e este corrige imediatamente. E foi isso que aconteceu. O Renato Veiga não tocou na bola, tentou fazê-lo, passou quase ali de raspão pela bola, não tocou e, portanto, foi bem revertido aquilo que era um pontapé de canto, passando para um pontapé de baliza, neste caso, a favor de Portugal.
Ao minuto 40, Rúben Neves remata à baliza. No entanto, o árbitro não viu que o jogador português teve um remate desviado por um homem da Colômbia. Era canto, mas não foi.
Sim, e aqui para explicar, porque quem estava a transmitir, o canal que estava a transmitir, e é normal que não sendo especialistas de arbitragem tenham essa dificuldade, disse: “Bem, é canto e o árbitro agora vai receber a indicação do VAR para reverter.” Pois, mas isso não é assim. Realmente, o Rúben Neves rematou, a bola bate no adversário, era pontapé de canto, o árbitro dá pontapé de baliza, mas neste caso específico, o VAR não pode intervir, ou seja, só quando é ao contrário. E por quê? Neste caso, só os pontapés de canto incorretos é que podem ser revertidos para pontapé de baliza. Neste caso, o árbitro deu pontapé de baliza, não era pontapé de canto, o VAR não pode intervir. As pessoas ficam a pensar: “Mas por quê?” Por uma razão muito simples: é que um pontapé de canto é uma ação de finalização, pode nascer imediatamente um gol, e aí vai dar polêmica. De um pontapé de baliza, o que vai acontecer? A equipa que vai beneficiar desse pontapé de baliza concedido atrás de um canto vai precisar de 105 metros para chegar à outra baliza. E, portanto, a probabilidade de se dizer que desse pontapé de baliza, que era incorreto, desse canto, vai nascer um gol é muito reduzida. E, portanto, na outra faz sentido, porque temos uma situação de finalização, e nós cá em Portugal tivemos aquele caso muito polêmico do Sporting x Santa Clara. Agora, no pontapé de baliza, que era canto, o que vai acontecer? A equipa vai sair com o pontapé de baliza e a probabilidade de marcar um gol é muito reduzida e a outra equipa tem os 11 jogadores pela frente e tem 100 metros para percorrer.
A proteção à equipa de arbitragem acaba por ser um pouco mais, não é a proteção, mas acima de tudo esse raio de ação não é tão influenciado neste caso.
Certo. E para evitar uma coisa, que é o VAR não pode substituir o árbitro, ou seja, os erros acabam por fazer parte do jogo e não se pode estar a substituir em todos os erros, porque senão a esta altura do momento é o VAR que apita.
E prosseguimos agora este “Sem Falta” com as agulhas apontadas para o segundo tempo, neste caso, com uma ausência de cartão amarelo para o jogador da Colômbia e também do Benfica, Richard Ríos.
Exato. Richard Ríos, sem qualquer hipótese de chegar à bola, acaba por entrar com a perna direita às pernas do Vitinha. Uma entrada fora a tempo, no meu ponto de vista, passível de cartão amarelo. O árbitro preferiu gerir, porque ainda não tinha mostrado nenhum cartão amarelo, de resto, só mostrou um com a tal chamada atenção, mas para mim aqui ficou o cartão amarelo por mostrar.
Minuto 74, um lance na área de Portugal entre Nuno Mendes e Luís Suárez, o avançado colombiano pediu pênalti, mas não existe esta infração.
Certo. Sim, é o Luís Suárez que faz falta. A ideia é que o Luís Suárez teria sido rasteirado, sofrido ali um toque, mas depois com a repetição, e há duas que são muito claras, o Nuno Mendes é quem a posição ganha e o Luís Suárez com o seu pé esquerdo, quando vai rematar a bola, acaba por ponteapear não a bola, mas a coxa direita do Nuno Mendes. Portanto, até era falta atacante. O árbitro nada assinalou, mas o mais importante é que não houve motivo para pontapé de pênalti.
E ao minuto 81, o Juan María Quintero, médio da Colômbia que entrou na segunda parte, escapou ao cartão amarelo.
Sim. É uma situação em que há uma falta por parte, eu na altura até pensei que tinha sido o Richard Ríos que fez a falta, aliás, o Richard Ríos fez a falta sobre o Bruno Fernandes. Depois até fiquei com a ideia que era o próprio Richard que tinha ponteapeado a bola para longe, mas não. O Richard Ríos faz falta sobre o Bruno Fernandes, a bola sobra para o Quintero e o árbitro demorou um bocadinho a apitar a falta, mas apitou e o Quintero, de forma muito clara e evidente, depois do árbitro ter interrompido o jogo, como forma de chateado e de protesto, ponteapeou a bola para longe. Esta atitude era para cartão amarelo.
Não houve cartão amarelo para Juan Maria Quinter, mas houve cartão amarelo para o homem da Colômbia, Gustavo Puerta.
Exatamente. Foi bem advertido, o árbitro deu até a lei da vantagem e depois, quando a jogada terminou, porque Portugal estava no ataque, acabou por dar esse cartão amarelo. E é uma entrada sobre João Neves, na ocasião, Quintero com o pé esquerdo e de sola e com os pitões pisa o pé direito do médio português e, portanto, cartão amarelo bem mostrado e bem aplicada a lei da vantagem, só depois da mostragem do respectivo amarelo.
Esse cartão amarelo no minuto 86 dado a Gustavo Puerta, já dentro do tempo de compensação, houve um gol de Davinson Sánchez, mas estava em fora de jogo milimétrico.
Sim, eu percebo que as pessoas, e está-se a discutir muito estas questões, neste caso foi a ponta da bota direita. Portanto, o Juan Quintero quando cruza a bola pro Davinson Sánchez, que é ele que faz o gol, ele está adiantado com a tal ponta da bota. O árbitro assistente levantou a bandeirola e anulou logo o gol. É importante perceber que não é uma situação que o assistente deixou e depois o VAR é que veio reverter. Não, o árbitro assistente levantou a bandeirola. E depois, o VAR confirma. É lógico que as pessoas dirão: “Ei, mas é ali uma ponta da bota.” Pronto, mas enquanto a lei não for mudada, isto pode não estar de acordo com aquilo que é o espírito da lei, que é um jogador estar claramente adiantado pra se dizer que tira vantagem da posição, mas está de acordo com a letra da lei e com a lei como ela está feita. E eu quero relembrar que essa tecnologia automática, atualmente, já não há lá mãozinha do VAR no sentido de estar a colocar quer o momento do passe, quer se é no ombro.
É a máquina.
É a máquina, é tudo feito pelo computador. É o chipzinho que está na bola, que detecta o momento do pontapé ou do cruzamento, quando dá, e aquilo é mesmo rigoroso, e que depois vai fazer os tais 29 pontos que os jogadores têm mapeados no corpo e que vai fazer aquelas linhas cortadas na vertical, em que separa a parte que está antes e que está depois. É tudo automático, não há aqui erros. Podemos não concordar com a lei da ponta de uma bota, mas é o que está na lei e, portanto, gol bem anulado, obviamente.
Passou um susto, certamente, para a seleção portuguesa, um escaldo desta arbitragem por parte do árbitro neozelandês, Alireza Faghani, este árbitro que já apitou dois jogos da equipe portuguesa em fases finais. Este foi o segundo. O primeiro foi no último Campeonato do Mundo, com essa vitória por 2 x 0 frente ao Uruguai. Houve também na Taça das Confederações, em 2017, o Portugal 0, Chile também zero. Pedro Henriques, qual é a avaliação que fazes da arbitragem deste juiz, Alireza Faghani?
E nesse jogo, o Chile perdemos depois nos pênaltis, 3 x 0. A nota do árbitro é seis. Por que não dou mais? Obviamente que o árbitro esteve bem de uma maneira geral, é aquelas duas situações disciplinares. Eu percebo a gestão do árbitro, nós até gostamos mais com menos faltas e com poucos cartões, mas dou seis, que é uma nota positiva. Esteve bem, não tem influência naquilo que é o resultado. O assistente esteve bem na anulação do gol. O VAR limitou-se aqui a confirmar. Esteve bem naquela decisão de área, que não assinou pênalti porque realmente não há sobre o Suárez. E tem como menos bom aquela questão dos dois cartões amarelos que ficaram por mostrar, mas que não têm grande impacto em relação ao jogo. Por isso, nota positiva, nota seis, com este registro que, quer queiramos, quer não, a tecnologia esteve bem a confirmar aquilo que o árbitro assistente já tinha dado, que era fora de jogo.
Nota seis para Alireza Faghani. Pedro Henriques vai estar de regresso para essa partida dos 16 avos de final entre a equipe portuguesa e a seleção da Croácia, já na próxima quinta-feira. Pedro, mais uma vez, muito obrigado.
Um abraço, obrigado.

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